Dançarinos de aluguel

O que move milhares de homens a atuarem como strippers pode ser uma idéia vaga e isolada, mas o Guia da Semana conversou com quem trabalha no mercado e desvendou a razão para tal prática

Última publicação: 06/09/2011

Da esquerda para direita: Gladiador, guarda, índio, soldado da tropa de elite e estudante


Eram quase 20 horas, quando o Guia da Semana chegou ao Clube das Mulheres, em Pinheiros, e presenciou uma situação nada peculiar. O show sofria atraso, devido a um problema técnico não confirmado nas instalações do local. O impressionante era o número de mulheres que chegavam até o Clube e mesmo vendo as portas fechadas, não desistiam de saciar a curiosidade em saber o que acontece dentro das dependências da casa.

O relógio já marcava 21 horas, quando a entrada foi liberada e pudemos conversar com os profissionais que transitavam livremente. Homens musculosos e olhares repletos de segundas intenções anunciavam o show de strip-tease que aconteceria dentro de instantes. Observando-os na rua, é difícil imaginá-los tão desinibidos e sensuais em um palco cercado por mulheres de todos os biotipos e idades que se revezam nos toques pelos corpos desnudos.

Talvez não seja difícil entender o que os leva a um universo, onde o corpo é mero produto comercial. A razão para tal atuação profissional se resume na conquista de um dinheiro rápido e um ego sedento por veneração.

Em um bate-papo despretensioso, os rapazes afirmam quase que em mantra ´a grana vale muito a pena e é muito superior a de um assalariado´ - chega a um salário mínimo por apresentação. Diante da pergunta o que é ser um gogo boy, uma revelação esclarecedora vem à tona. ´Nós não somos gogo boy´. Aos desavisados, há diferença entre gogo boy, gogo dance e stripper. Enquanto os gogo boys dançam em boates GLS e os gogo dances botam para quebrar em baladas heterossexuais, os strippers tiram a roupa nos palcos ou em festas particulares apenas para mulheres, trajando sempre alguma fantasia.

Entre os fetiches femininos, as mulheres se deparam com o instigante soldado da tropa de elite, o mais musculoso entre os demais, o tradicional bombeiro, o fardado guarda rodoviário, o sensível Don Juan de Marco, o índio selvagem, o viril cowboy, o forte gladiador e o tímido técnico de manutenção. Para participar dessa brincadeira basta efetuar o singelo pagamento de R$ 30,00 ou R$ 24,00, caso o nome conste na lista.

A cicatriz no braço do soldado da Tropa de elite


O coreógrafo e stripper Anderson Vieira, 33, o tropa de elite do Clube, conta que seu personagem está na ativa há 14 anos e confessa que tirar a roupa para centenas de mulheres em polvorosa é bom demais, apesar das cicatrizes presentes em seu corpo. "Sempre dancei e isso aqui é uma vertente daquilo que sei fazer, fora a grana que é super boa. Trabalho durante o dia com outra atividade, mas ganho muito melhor aqui. Futuramente nem que tenha que me transformar em repentista, mas a minha vida será nos palcos. O complicado são as menininhas, essas sempre dão mais trabalho".

Já o também stripper Renan, 25 anos, que encara o personagem de estudante do show, afirma convicto da atuação por hobby e adianta que interromper a carreira está fora de seus planos. O rapaz que além do trabalho noturno faz faculdade de direito, pretende seguir a área jurídica e quem sabe chegar ao posto de juiz. Segundo ele, seus amigos até brincam que irão prestigiá-lo qualquer dia e sua família leva numa boa a profissão diferenciada, tanto que sua mãe e avó já foram verificar a seriedade do ambiente que o filhinho e netinho freqüenta.

"Comecei aqui no Clube como assistente de palco para ter noção do trabalho, hoje sou stripper e já estou nessa há quatro anos. É legal ter um monte de mulheres te olhando, além do dinheiro que, com certeza, cobre o pão do dia. Meu pai brinca dizendo que pelo menos tiro a roupa só para mulher, o que ele pode fazer? Não quero e nem vou parar".

Integrar a equipe do Clube das Mulheres é o sonho de muitos homens. Certamente se surge uma vaga, mesmo sem divulgação, no dia seguinte há uma fila de pretendentes a strippers para ingressar no ramo. De acordo com os rapazes, a seleção funciona à base do famoso boca a boca ou indicação. O teste consiste em algumas noites dançando no palco para provar se rende ibope entre as visitantes. Para aqueles que já fazem parte da turma, a regra básica é: qualquer deslize, fora!

Guarda civil durante apresentação


Os meninos deixam claro que já rolou proposta para programas, apesar de segundo eles, ser algo extremamente esporádico. A resposta é sempre negativa, por fugir do propósito em questão. No Clube, comandado pelo empresário Manzan, há diversas regras terminantemente vetadas de serem infringidas. Não pode pegar mulher de saia no colo, tampouco tocá-las, beijá-las ou deixar que elas toquem a parte íntima, mas bumbum está liberado. Jamais fazer distinção entre mulheres gordas, magras, feias ou bonitas também faz parte da política da empresa. E como o próprio Manzan diria, o resto está disponível, afinal no bota-fora das mulheres, eles botam dentro.

Ser stripper, gogo boy ou gogo dance é uma porta para conquistar novas oportunidades, pelo menos para quem já fez história na carreira, como o José Luiz dos Santos, 39, vulgo Lula ou simplesmente cowboy para as íntimas. Ele tira a roupa há 16 anos e promete só parar quando não agradar mais.

"Já me relacionei com freqüentadoras e muita gente tem preconceito com meu trabalho, mas tem que ser muito macho para agradar tantas mulheres reunidas e manter-se no posto há tantos anos, fazendo sucesso. Tem que gostar muito de mulher também. Se for forte e bonitão, mas não tiver pegada e carisma esquece. O segredo de agradar está em satisfazer o desejo delas sempre".

Distante da equipe de dançarinos dos palcos do Clube das Mulheres, o transportador e gogo boy nas horas vagas em boates strippers e casas de swing Rafael Reis, 30 anos, afirma encarar o ofício por apreciar a idéia de se sentir desejado e proporcionar prazer às mulheres. Assume categoricamente já ter pintado alguns programas que foram postos em prática.

"Nunca sai com homens, mas já cheguei a me relacionar com duas mulheres em uma mesma transa. Quando topo programas ou é pela grana, quando cobro um pouco mais ou pelo tesão, aí sempre rola desconto. Geralmente meu preço fica entre R$ 80,00 e R$ 150,00 por noite. Em boates e casas de swing consigo R$ 80 às sextas-feiras e entre R$ 85,00 e R$ 95,00 aos sábados. Minha família não sabe. Faço tudo às escondidas e não pretendo contar nunca. Quero juntar uma grana e me estabilizar".

Quanto aos strippers, além da performance no Clube, eles também prestam serviços particulares em domicílio ou aninam despedidas de solteiras e pequenas confraternizações femininas. As interessadas devem se programar com antecedência mínima de meses, pois a agenda dos dançarinos está sempre cheia de solicitações.

**Fotos: Gabriel Oliveira


Clube das Mulheres
Av. Henrique Schaumann, 517 - Pinheiros - São Paulo - SP
Fone: (11) 3061-1070 / 3085-8458
Site: Mais informações

Show particulares
Cowboy
Fone: (11) 8165-9517

Tropa de Elite
(11) 8585-3886


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