Mente magra

Você se mata na esteira e passa longe de alimentos calóricos, mas mesmo assim não perde peso? O problema pode ser psicológico. Conheça o tratamento psicoterapêutico que vem ajudando muitas mulheres

Última publicação: 06/09/2011

Fotos: Getty Images


A famosa frase: "Vou começar uma dieta nova na próxima segunda-feira" se não foi dita por você, com certeza já saiu da boca de alguma amiga. Mesmo depois de tentar a dieta do sol, da lua, simpatia, shakes, remédios e gastar todo seu dinheiro com matricula em academia e tratamentos em clínicas de estética, ainda assim você não consegue ficar de bem com a balança. Com o número de obesos e de pessoas com problemas alimentares crescendo a cada dia, a psicóloga especializada em Transtornos Alimentares e Obesidade, Laura Cavalcanti, criou o grupo de apoio Emagrecer dói?. O tratamento é específico para pessoas com dificuldades em perder peso e o principal, defende a idéia de que cada um precisa se sentir livre e no comando de seu próprio corpo.

Autoconhecimento

Perder peso para desfilar pelas ruas com aquela calça nova que você comprou há meses e não te coube, realmente não é uma tarefa fácil. Depois de passar por diversas fórmulas e não conseguir a silhueta desejada, muitas mulheres costumam desistir e entram no chamado ciclo da desvalorização. Colocam em suas mentes a ideia de que não conseguem chegar à forma ideal e se abatem. Analisando esses casos, é que a psicóloga Laura Cavalcanti desenvolveu o tratamento para atender pacientes com dificuldades relacionadas a autoimagem, emagrecimento e obesidade, que buscam uma forma de se encontrarem. "É importante olhar um outro peso, o do corpo emocional. A psicologia entra para contribuir com essa deficiência. Eu também tenho uma identificação, vivi uma perseguição com a balança. Estudando, percebi que a psicologia vai além do tratamento de superfície, ou seja, o corpo físico", afirma.

Tratamento

Por meio de oficinas temáticas que lidam com a forma de equilibrar a comida e o corpo, a psicóloga forma grupos e, segundo ela, defende a idéia de que cada um precisa se sentir livre, no comando do corpo e de sua própria vida para conquistar o peso ideal. "A comida deve sair desse lugar social de ameaça, proibição. O paciente deve quebrar o paradigma de comer pensando em engordar. Dependendo do caso, a alimentação entra como uma válvula de escape. Se ele pensa dessa forma, um atendimento nutricional e uma atividade física não adiantam em nada", ressalta Laura.

De acordo com o tratamento, o que faz o paciente comer um bolo inteiro é ele imaginar que não poderá saboreá-lo depois. Dessa forma, ele sustenta por muito tempo essa vontade e no momento de desfrutar do alimento, imagina que não poderá comê-lo novamente, e acaba fazendo isso de uma só vez. A psicologia entra exatamente nessa hora. Ela afirma que o bolo é seu e você poderá desfrutar dele a hora que o paciente desejar e segundo Laura, a compulsão acontece por conta da proibição. "Você pode comer uma pizza, um pacote de bolacha. O que precisa ser feito é escolher a comida e não permitir que ela escolha você", destaca.



Para uma de suas pacientes (que não quis se identificar), o tratamento é árduo e até já passou por sua cabeça desistir, mas é nesse momento que ela percebe que está aprendendo a se responsabilizar pelas suas escolhas. "Fiz dieta da lua, da proteína, do arroz integral, da sopa, procurei tratamentos, acompanhamentos, orientações, só não tomei remédio. Estava cansada de tentar e não conseguir. Aprendi que não dá mais para culpar ninguém pelo meu peso e é difícil abrir mão disso. Sempre foi mais fácil culpar os outros. Vi no site o tratamento e sem pensar muito comecei e estou tendo um bom resultado", afirma.

Motivação

Para aliar o tratamento a um atendimento nutricional e a atividade física, é preciso que o paciente sinta a liberdade de chegar pela porta que ele se sente mais confortável. "Quando é pela psicologia, eu oriento que ele busque os outros métodos que colaborem para o emagrecimento. Em alguns casos ele precisa viver outras experiências para perceber que, por exemplo, o exercício pode ajudá-lo. Mas isso tudo com uma construção bem pessoal. Quando relaxamos o tema e o corpo não é mais uma grande ameaça, o paciente encontra formas de cuidar melhor dele", aponta. 

O público que busca o tratamento é misto, porém as mulheres são maioria. Muitas delas nunca tiveram sua vaidade explorada e quando descobrem isso antes de eliminar o peso, abrem espaço para conhecer uma boa alimentação, se interessam mais pelos temas de saúde e procuram um exercício de forma natural, segundo Laura.



Os grupos são compostos de pessoas com diferentes idades e isso acaba sendo benéfico para a troca de experiências entre os participantes. Antes do início do tratamento é feita uma entrevista para saber se o paciente se relaciona bem grupo, ou prefere um atendimento individual. De acordo com a psicóloga, a cada início de turma, é trazida a comida para trabalhar a ideia de que ela não deve ser uma ameaça. "Para emagrecer não é preciso fechar a boca, mas sim abri-la e quebrar todos os obstáculos. Comer com prazer e satisfação, sem prejuízo", alerta. 

Tempo

O tratamento gira em torno de um ano e no início as oficinas são semanais. Em dado momento, passa a ser quinzenal para que o cliente possa ficar fora do grupo e experimente sua autonomia para fazer suas escolhas com responsabilidade. Além disso, existem fases e ciclos durante o processo. Dentre as dez oficinas oferecidas, cada uma traz um elemento e uma forma de transitar sobre o obstáculo da perda de peso. Porém, cada um faz o seu próprio caminho em busca disso. "Não existe um tempo exato para emagrecer, nem uma receita de bolo e um corpo ideal, mas sim o que você escolher. Em alguns casos, uma mulher gordinha não vai ter o corpo da Gisele Bündchen. Se esse é o objetivo, tende ao fracasso. É preciso se conhecer, gostar de si e do seu corpo e ver até onde é possível chegar", aconselha a psicóloga.



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