Silicone: mitos, verdades e curiosidades

Tire todas as dúvidas sobre a prótese de silicone antes de decidir "turbinar" ou não os seios

Última publicação: 30/06/2014

  • Você está preparada para colocar silicone?

    Você está preparada para colocar silicone?
    Créditos: Divulgação

A sua melhor amiga, a chefe, a colega de trabalho e até aquela rival que vive dando em cima do seu namorado provavelmente já fizeram. A segunda com maior incidência em cirurgias plásticas, no Brasil, é a de implante de silicone, perdendo, apenas, para a lipoaspiração.

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Turbinar os seios já virou febre entre as mulheres brasileiras, mas as dúvidas sobre a cirurgia são cada vez maiores. E os mitos também. Para descobrir o que é verdade ou não em relação ao que andam dizendo por aí, o Guia da Semana conversou com dois cirurgiões plásticos renomados e desvendou todos os mistérios que assombram a mente de quem pretende desfilar com decotes generosos e bem recheados.

A Escolha da Prótese de Silicone

Há inúmeros tipos (gel de silicone ou solução salina), com variações de volume, cobertura (lisa, rugosa, texturizada ou de poliuretano) e formato da base (redondo, anatômico ou natural). "Nem sempre adianta chegar ao consultório querendo usar o mesmo tipo de prótese que a amiga colocou. A escolha sempre é discutida com o médico e feita de acordo com os resultados esperados e as características anatômicas de cada mulher", explica o Dr. Antonio Graziosi, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Regional de São Paulo (SBCP-SP).

cirurgia de silicone

As mais usadas atualmente são as texturizadas ou as recobertas com poliuretano, também recomendadas para quem já teve contratura capsular. "As próteses mais modernas, como as texturizadas por fora e com gel coesivo por dentro - que não vazam se estourarem, portanto, não há como o líquido se misturar ao corpo - proporcionam baixos índices de complicações, como infecções, rejeição da prótese e endurecimento das mamas", relata o cirurgião plástico Gustavo Tilmann.

Na hora de escolher a prótese, o médico tem 56 parâmetros para a avaliação. "Uma mulher de 20 anos não usará a mesma prótese que uma de 60, por exemplo. Os principais fatores a se levar em conta são simetria das mamas, localização da aréola, altura e biotipo, circunferência do tórax, flacidez, idade, expectativa da paciente e se ela já amamentou", completa o Dr. Tilmann.

As Próteses de Silicone

Formatos: meia-lua, redonda, anatômica ou natural, em forma de gota.

Tamanhos: geralmente, de 125ml a 500ml, fabricadas com variações de 25ml ou de 40ml entre uma e outra.

Garantia: em torno de 8 a 10 anos. Todas as próteses têm garantia contra rejeição e vêm com certificado.

Quando trocar: geralmente, a cada 10 anos, mas não há um prazo específico para a troca da prótese. Dependendo da saúde e da manutenção da paciente, a durabilidade pode chegar a 20 anos ou até para sempre.

Cuidados: a mulher deve ir regularmente ao ginecologista e fazer exames periódicos de mamografia.

Por onde colocar: cada método tem vantagens e desvantagens e a escolha deve ser feita junto com o médico. A altura da prótese depende do perfil de tórax da mulher (alto, baixo e moderado), em função da projeção que se pretende ter da mama. Já o local de incisão pode ser sob o seio, ao redor da aréola ou na axila e a colocação, sob a musculatura peitoral ou sob a glândula mamária.

peitos de silicone

"Há mais de 50 padrões clínicos que precisam ser analisados ao decidir qual técnica usar, entre eles, o diâmetro da aréola. Em todos os casos, a cicatriz fica com cerca de 4cm e pode sair para sempre, dependendo do tipo de pele e da facilidade de cicatrização da paciente", afirma Dr. Graziosi.

Prós e Contras de Cada Método

Aréola: indicado para quem tem aréolas grandes e pele clara e contra-indicada para mulheres com aréolas pequenas. A cicatriz fica no formato de um semicírculo na linha inferior da aréola.

Subglandular: técnica mais usada, a incisão é feita embaixo da glândula mamária. O resultado costuma ser um dos melhores esteticamente e o pós-operatório é menos dolorido. Contra-indicada para quem não tem a pele firme nesta região.

Submuscular: a incisão é feita embaixo do músculo do tórax. O pós-operatório é mais dolorido, mas a técnica proporciona maior proteção ao implante. Indicada para mulheres com poucas mamas e pele fina. Também pode ser feita na frente (onde é possível implantar qualquer tamanho de prótese) ou atrás do músculo.

Axilas: indicado para mulheres com aréolas lisas ou pequenas e para mamas levemente caídas, quando há uma dobrinha embaixo do seio. Contra-indicada para quem pratica esportes vigorosos, como musculação ou natação - nestes casos, a prótese pode se mover. A vantagens é que a cicatriz fica na axila e é a menos visível. A desvantagem é que pode acontecer da prótese "subir" e o mamilo ficar para baixo.

A Cirurgia

Pré-operatório: faça todos os exames solicitados pelo médico, como eletrocardiograma, exame de sangue e, em alguns casos, mamografia e ultrassonografia de mama.

Anestesia: local, com sedação, ou peridural, aplicada nas costas.

Duração da cirurgia: cerca de 1h.

Tempo de hospitalização: por volta de 8 horas.

Pós-operatório: o médico receita antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos, podendo haver dor nos três primeiros dias. Deve-se usar sutiã pós-operatório por três meses e os pontos são retirados de sete a dez dias após a cirurgia. Pode-se retornar ao trabalho em cerca de três dias, deve-se evitar a prática de esportes e relações sexuais por, pelo menos, 15 dias e só voltar à academia e a dirigir após um mês. As "ratas de praia" têm que esperar três meses para voltar a tomar Sol.

Possíveis Riscos e Complicações

Além dos riscos gerais de qualquer cirurgia, há casos, embora raros, de se adquirir hematomas, infecções e quelóides (cicatrizes exageradas e grossas, causadas conforme predisposição individual do organismo da mulher, que pode ser tratada com o uso de pomadas e medicações).

Também é possível que a mulher tenha contratura ou retração capsular e rejeição da prótese. Nestes casos, a forma da mama muda, além de endurecer e causar dor. "Não há como prever se uma mulher terá esse tipo de complicação e, quando ocorrem, é preciso trocar a prótese. Ainda não se sabem as causas, mas é um percentual muito baixo de pacientes que as desenvolvem, podendo ocorrer apenas em uma das mamas", relata o Dr. Graziosi.

Curiosidades sobre os Implantes de Mama

A primeira cirurgia foi realizada em 1895, por Czerny, que usou um lipoma (tumor benigno formado pelo acúmulo de gordura sob a pele), que se formou em outra região do corpo da paciente, para reabilitar sua mama operada de fibroadenoma (outro tipo de tumor benigno).

Nas décadas de 1950 e 1960, o silicone líquido passou a ser amplamente usado nos implantes de seio. Todos os materiais empregados anteriormente causavam muitas complicações e não resultavam em uma forma de mama adequada.

Nos implantes "pré-prótese de silicone" eram usados substâncias como injeções de parafina, enxerto de gordura, bolas de vidro, próteses de marfim, óleo e até gordura de cadáver.

As próteses de silicone salinas, preenchidas com soro fisiológico, foram proibidas nos Estados Unidos durante 14 anos, por suspeita de aumentar o risco de câncer de mama. A substância passou a ser liberada por falta de dados científicos que provassem a veracidade da hipótese.

Respostas às Dúvidas Mais Freqüentes

Idade: a partir de 18 anos, não havendo limite de idade para a colocação da prótese.

Exames de mamografia: a prótese pode atrapalhar a análise do exame, mas hoje é possível que os médicos façam uma análise minuciosa dos mesmos e da paciente, evitando esse problema.

Câncer de mama: o risco de se contrair a doença não aumenta com o implante de silicone.

Amamentação: a prótese não atrapalha na amamentação e a mulher pode engravidar três meses após a cirurgia. Já as mães que querem voltar à antiga forma, o implante de silicone pode ser colocado três meses após o término da produção de leite. A intensidade da dor no pós-operatório independe do fato de a mulher já ter amamentado ou não.

Pode estourar? É muito raro, mas pode acontecer em situações que envolvam traumas muito fortes como acidentes automobilísticos graves.

Efeito da gravidade: mesmo com a prótese de silicone, as mamas podem cair com o passar do tempo, de acordo com a elasticidade da pele e da glândula mamária da mulher, já que o silicone não tem a mesma característica da glândula.

Sensibilidade: em alguns casos, a mulher pode perder a sensibilidade, principalmente em mamas com maior volume. A perda pode ser parcial ou localizada, definitiva ou temporária.


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