Guia da Semana

"1 chamada não atendida"

O que será que os alunos acham da lei que proíbe o uso de celular na sala de aula?

Fotos: Gabriel Oliveira


O celular se tornou o fiel companheiro de muita gente, inclusive dos adolescentes. Eles não costumam mais sair de casa sem o aparelho, seja para uma balada, uma festa ou até mesmo para a escola. E é aí que entra a polêmica: afinal, celular na sala de aula pode ou não pode?

Proibido por lei
Além de ser um desrespeito com os colegas e com o professor, o uso do celular durante o horário de aula é proibido por lei. Criada pelo deputado estadual Orlando Morando e aprovada em outubro de 2007 pelo governador José Serra, a lei tem como objetivo evitar que a utilização de celulares durante as aulas prejudique o ensino dos alunos.

Entre os motivos que levaram à proibição do uso dos aparelhos em sala de aula, o principal é a chamada "cola eletrônica". Através de mensagens de texto, os alunos podem se comunicar durante as provas e colar sem maiores dificuldades. "Outro grande problema que enfrentamos é com relação aos aparelhos equipados com rádio e MP3, pois os alunos querem ouvir música durante as aulas, partidas de futebol etc.", explica a professora Gislene, diretora da escola estadual M.M.D.C.

Fotos: Gabriel Oliveira
Meninas falam ao celular na hora do intervalo


A lei foi alvo de muita polêmica, mas é séria e deve ser respeitada. No M.M.D.C., quem for pego passando por cima das regras terá o aparelho confiscado até o final do período. "Muitos no começo do ano ficaram sem seus aparelhos. Agora no final do ano, os alunos já estão mais tranqüilos e compreendem não fazendo uso do mesmo", diz a diretora.

E com essa história de usar o celular quando não deve, quem tem que redobrar a atenção são os professores. Para ajudar na hora de "fiscalizar" quem está passando por cima das leis, foi proibido também o uso de bonés, gorros e toucas. "Isso faz com que o professor possa perceber se o aluno está usando o fone de ouvido", explica Gislene.

Na hora do intervalo é liberado. E o que mais tem é gente usando o aparelho. Seja para ouvir música, ligar para alguém, tirar fotos ou mandar mensagens, o celular está sempre nas mãos ou nos bolsos dos alunos. Será que eles concordam com essa lei? Luiz Guilherme, que está no 3º ano do ensino médio no M.M.D.C., não sabe se concorda ou não. O estudante diz, segurando seu celular, que nem todo mundo respeita as regras. "A lei tem que ser mais rígida. Eu só uso no intervalo, mas a gente sempre escuta professor chamando a atenção", diz.

Fotos: Gabriel Oliveira
Alunos mexem no celular dentro da biblioteca


No entanto, a maioria dos alunos não concorda com a lei. É o caso de Ivone, que também está no 3º ano. "Se acontecer alguma coisa e minha mãe precisar falar comigo, eu tenho celular", diz a estudante. Stefanie também acha que a lei é muito rígida e até sugere uma solução. "Para não atrapalhar a aula, tem os inspetores que ficam de olho no que eu estou fazendo", diz.

O estudante Vinícius acha a lei "estranha" e diz que o aparelho serve para um momento de emergência. "Muita gente precisa do celular. Podia ter uma hora certa para poder usar. Na sala de aula, deixa no silencioso, se tocar é só pedir licença e atender". Já Luiz Fernando fica indeciso e diz que concorda em parte, mas reconhece: "Se a lei não fosse estipulada, iria virar bagunça".

Será que funciona?
Apesar de ter sido proibido por lei, o celular continua sendo usado nas salas de aula das escolas particulares e estaduais. Agora, além de ser utilizado para ouvir músicas e passar cola, os aparelhos mais sofisticados estão servindo de câmera de vídeo também.

A nova moda entre os estudantes é gravar cenas de violência na escola (brigas e brincadeiras violentas) e depois jogar na rede através do site YouTube ou distribuir entre os amigos pelo MSN ou via Bluetooth. Para esse novo problema, os educadores ainda não arranjaram uma solução efetiva, além da orientação verbal.

Na faculdade, pode!
Todo mundo sabe que a vida na faculdade é totalmente diferente. Se na escola é preciso pedir para ir ao banheiro e beber água, na universidade você é livre para fazer (quase) tudo o que quiser, a começar pelo uso do celular. Para atender uma ligação ou ligar para alguém, é só pedir licença e sair da sala.

Os universitários aprovam esse "método", que não prejudica nem o professor nem quem está prestando atenção na aula. "Desde que o uso seja restrito ao ambiente externo à sala de aula, acho que não tem problema o uso do celular ser permitido. Também não pode haver exagero de sair a cada cinco minutos, mas isso vai da pessoa", diz o estudante de jornalismo Gabriel Galvão, 20. Para Gabriel, é ótimo poder fazer e receber ligações quando quiser ou precisar. "Os mais descontrolados é que precisam tomar cuidado. Isso pode virar um vício ou hábito e a aula ficar em segundo plano", brinca.

Porém, apesar de não existir proibições formais quanto ao uso do aparelho na faculdade, tem professor que não gosta de ser "interrompido". Mesmo tendo consciência de que sair toda hora da sala para atender o celular é exagero, Gabriel também não concorda com os professores que preferem que os alunos não atendam o celular. "O professor está lá para dar aula e não para controlar o porquê dos alunos saírem de sala", diz.

Colaborou:
Gislene Di Camillo
Professora e Diretora da Escola Estadual M.M.D.C.


Atualizado em 10 Abr 2012.

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