Guia da Semana

A bluma - continuação

No capítulo anterior, Isis andava por um lugar deserto e desconhecido, até que encontrou uma senhora de cabelos longos e brancos, que começou a conversar com ela em um tom intimidador

Foto: Getty Images


- Com medo, Isis? - Perguntou a mulher pálida de cabelos longos e brancos esvoaçantes, embora ali não tivesse sinal nenhum de vento.

- Quem é você? - Indagou Isis na defensiva.

- Será que importa realmente quem eu sou? - Devolveu a mulher a pergunta, que não obteve resposta qualquer.

Sempre que alguém intimidava Isis era assim que ela agia, na defensiva, não falava nada, os braços cruzados em frente ao peito e os calcanhares cruzados já diziam tudo.

- De que adiantaria fugir, Isis? - Perguntou a mulher de forma intimidadora, parecendo perfurá-la com aqueles olhos verde-escuros. - Olhe em volta, é uma cidade desértica, não há mais ninguém aqui, apenas você.

Apenas eu e você, Isis pensou em dizer, porém não disse nada.

- Responda-me. Por que pensou em fugir? - Perguntou ela novamente, o que fazia Isis sentir como se estivesse sendo interrogada pelo general mais autoritário da história.

Isis não foi capaz de responder, apenas se encolheu mais ainda. Na realidade, não sabia por que queria fugir, apenas queria... queria sair daquele instante e se esconder, ficar só, sem intimidações e angústias.

- Pare com essa defensiva, Isis -, Falou a mulher em um tom alto e forte. - Você bem sabe que quis fugir por medo. Sentiu medo ao se ver sozinha, a tudo fugir de seu controle de sua rotina patética.

Rotina patética.

As palavras duras ecoaram em sua cabeça, era isso o que acontecia exatamente, todos os dias eram iguais.

- Será mesmo que gostava da rotina?, perguntou a mulher - ou teria sido a própria Isis questionando-se? Não sabia, tudo parecia estar sob uma bluma mística que, de alguma forma, enevoava seu pensar.

Todos os dias eram cinzentos, chatos e fatídicos. Será que era o que queria? Isis nunca se permita pensar assim. Sempre que começava a pensar, desviava e pensava em outras coisas.

- Nem mesmo pensa mais, não é mesmo? Dolorido pensar e aceitar a realidade dos fatos.
Era verdade, era tudo verdade, Isis sabia que ela falava a verdade. Precisava questionar, precisava sair da rotina terrível que criara. Mas questionar doía, a mudança doía.

Acomodação era sinônimo de segurança. Porém, naquele ponto era inevitável, precisa questionar, precisa pensar... precisava sair.

Tentar.

Era disso que precisava, precisava achar a solução e tentar. Simples na teoria, o medo estava na prática.

-Isis, você precisa pensar se sua felicidade é mais importante do que você tem hoje. Autoenganação.

As palavras vieram como chave na cabeça de Isis assim que a mulher lhe disse aquilo.

Aos poucos, Isis percebeu que o céu ficava mais claro, tudo estava retornando as cores e até mesmo parecia conseguir respirar melhor.

Tinha que parar de se auto-enganar e tentar.

Mas tentar o quê? Tentar sonhar. Ou melhor, correr atrás de seu sonho, que sempre fora pintar. Parecia não ter mais aquela angústia inicial que sentia quando estava ali parada há alguns segundos. Agora sabia o que fazer.

A cada segundo que passava, a cidade cinzenta parecia cada vez mais bonita, o Sol começava a entrar e os prédios pareciam se afastar, deixando espaço para ela respirar.

Precisava tentar, não podia mais ter medo da opinião dos outros, sua felicidade era mais importante. Relações subordinadas, feito um regime ditatorial, não cabiam mais em sua concepção. Falar e expor eram o que importava, se tinha como direito a livre-expressão, por que não tentar?

Toda a tristeza, o frio, o abafamento e as dúvidas que sentia haviam desaparecido. Os objetivos estavam cristalinos em sua cabeça, assim como a cidade em sua volta.

Uma alegria profunda tomou conta de si, a certeza de ter descoberto a saída para a estufa de tristeza que havia criado era puro êxtase.

Olhou para a mulher em sua frente, já não parecia mais autoritária. Parecia alegre e o sorriso em seu rosto era o mais bonito que já havia visto. Isis lhe devia tudo, tudo estava claro porque ela estava lá, ela fora a chave.

- Por favor, me diga apenas quem você é.

A mulher lhe sorriu e balançou a cabeça de forma brincalhona, parecendo não acreditar na pergunta.

- Ora, eu sou a Isis, sou a Isis mais profunda em você. Sou a sua consciência.

Leia a coluna anterior de Gabi Diehl:

A bluma


Quem é a colunista: Adolescente, estudante, autora do livro as Bruxas de Westfield e bookaholic assumida.

O que faz: Escrevo contos e livros quando não estou estudando para as provas do terceiro colegial.

Pecado gastronômico: Chocolate, de preferência, meio amargo.

Melhor lugar do mundo: Praia.

O que está ouvindo no carro, rádio, mp3: Switchfoot, Katy Perry, The Kooks, Oasis e Capital Inicial.

Fale com ela: contato@gabrieladiehl.com.br, ou siga seu Twitter, site e Facebook.
 

 


 

Atualizado em 6 Set 2011.

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