Guia da Semana

A galeria que não vive só de rock

Além dos roqueiros, a Galeria do Rock é velha conhecida da turma do rap e do hip hop

A fachada ondulada é ponto de referência no centro de São Paulo

Digno de figurar nos cartões postais de São Paulo, o Shopping Center Grandes Galerias é tão famoso quanto a torre do Banespa ou o Edifício Itália. Nunca ouviu falar? Nacionalmente conhecido como Galeria do Rock, o prédio é parada obrigatória para quem passeia pelo centro da cidade. Porém, ao visitar o local, deixe para trás a expectativa de encontrar apenas pessoas vestindo preto e lojas dedicadas ao gênero musical que faz aniversário no dia 13 de julho. A Galeria do Rock é muito mais que isso.

As 450 lojas do centro comercial dão origem a um verdadeiro caldeirão cultural, com espaço para o rock, o blues, a mpb e o hip hop, que sozinho, domina cerca de 70 lojas. O síndico do prédio, Antonio de Souza Neto, é quem põe ordem na casa há 14 anos: "Antes, era uma grande salada, havia de tudo. Foi com a criação do conceito Galeria do Rock, que nós começamos a organizar o espaço". Hoje, o subsolo concentra as lojas de hip hop e cultura negra. Vitrines com as roupas largas dos Mc´s estão lado a lado com os salões de cabeleireiros afro.

Vitrine colorida?
Foto: Larissa Coldibeli
Os importados chineses tomam conta do térreo, com tênis, vestuário e até perfumes similares aos da Rua 25 de Março: "Produtos falsificados têm no país inteiro, mas a maioria aqui é original. Das lojas de CDs e DVDs, só ficaram as que vendem produtos originais", esclarece Toninho da Galeria, como é conhecido. A loja de discos mais conhecida e antiga do prédio (está lá desde 1978) é a Baratos Afins, que reúne preciosidades da música nacional e internacional.


É do primeiro andar para cima que os fãs de rock e todas as suas vertentes se esbaldam nas 250 lojas dedicadas ao estilo, com roupas, acessórios, discos, vídeos, pôsteres, bandeiras, fãs-clube e estúdios de piercing e tatuagem. No meio de toda essa efervescência roqueira, há curiosidades como o fã-clube do Zé Geraldo, uma loja inteira dedicada ao blues e lojas onde até o pop encontra seu espaço. Confecções e silk-screen ocupam os andares mais altos e menos movimentados do prédio. No quinto e último andar, o Instituto Cultural Galeria do Rock promove atividades culturais, como exposições e shows.

Movimento
David procura um tênis de skatista
Foto: Larissa Coldibeli
O público da galeria é tão diversificado quanto o comércio. Roqueiros cabeludos, dreadlocks, moicanos, black power e franja emo se cruzam nos corredores, que são pontos de encontro das tribos: "Eu sou skatista, não frequento muito, só vim dar uma olhada nos tênis", diz David Soares, 19 anos. Numa quarta-feira à tarde, engravatados circulavam descompromissadamente. Esse é o espírito do lugar: "Todos são bem-vindos. Não tem um público predominante, mas há períodos em que vêm mais os punks, outra hora são os góticos. Os emos se encontravam aqui às sextas, mas agora está diminuindo. São ondas que passam, mas as influências ficam", diz o síndico.

Aos fins de semana, o público chega a 20 mil pessoas. Nos dias úteis, varia entre 10 e 15 mil. Neste espaço "democrático por excelência", como Toninho gosta de definir, as confusões não têm vez, embora brigas entre tribos tenham sido comuns no passado: "Havia brigas, assaltos, tráfico de drogas. Depois que virou a Galeria do Rock, nós contratamos seguranças, e aos poucos, isso foi desaparecendo", explica. Pessoas de todas as idades e famílias inteiras freqüentam a galeria, que assume seu papel na criação da identidade dos jovens.

A tolerância é um pré-requisito para quem quer conhecer este lendário endereço da capital paulista. O formato ondulado da fachada é obra do arquiteto Alfredo Mathias. O prédio foi inaugurado em 1963 e oferecia serviços de alfaiataria e lojas de souvenirs. Hoje, Mc´s e roqueiros convivem pacificamente num dos locais mais undergrounds do país: "A mistura sempre foi a característica da galeria. O rock vem em primeiro lugar, mas tem de tudo um pouco aqui", explica Toninho. Por isso, ao entrar na Galeria do Rock, se desfaça dos pré-conceitos e tente se lembrar mais do nome oficial do que do apelido do prédio: no Shopping Center Grandes Galerias, onde há rock´n roll e um pouco mais.

Serviço
Galeria do Rock
Entrada pela Avenida São João, 439 e pela Rua 24 de Maio, 62 - Centro - São Paulo

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Dia das Crianças no Rio de Janeiro 2016

Confira as opções de diversão na Cidade Maravilhosa para a data

Mais de 15 passeios em SP para curtir com crianças neste fim de semana

Opções de teatro, musicais e passeios gratuitos para ir em família e se divertir junto com os pequenos!

Beatles para crianças: 4 motivos para assistir à série Beat Bugs com seu filho

Primeira temporada da série infantil já está em cartaz na Netflix

Raposo Shopping oferece oficina gratuita para crianças que gostam de cozinhar

Atividade ensina aos pequenos receitas do programa "Tem Criança na Cozinha", do canal Gloob

4 motivos para levar as crianças para assistir ao espetáculo "Galinha Pintadinha em ovo de novo"

Peça fica em cartaz até dia 28 de agosto, no Teatro Net

Rede de cinemas oferece ingressos gratuitos para pais acompanhados dos filhos

Pais que forem ao cinema com os filhos no Dia dos Pais não pagam o ingresso nos cinemas Playarte