Guia da Semana

Amigo ou Estranho?

A mudança repentina dos adolescentes em seu momento de auto-afirmação pode prejudicar antigas amizades


Cresci ouvindo "em cinco minutos, faz-se um filho" e, a princípio, eram apenas palavras engraçadas que saíam da boca da minha mãe. Só anos mais tarde consegui entender o que isso queria dizer: muita coisa muda em pouco tempo. Quantas vezes você já se despediu dos seus amigos e colegas no último dia de aula com um "até o ano que vem", para depois recebê-lo com um "meu Pai do céu", quem é você? Provavelmente muitas.

Eu costumava conhecer uma garota, irei chamá-la de Ana para evitar exposições. Ficamos amigas aos quatorze anos. É até engraçado lembrar como a conheci, sentada sozinha no canto da sala, chorando porque não conhecia ninguém. Lembro também que o meu primeiro pensamento quando a vi foi que menina estranha. No fim das contas, ela acabou se tornando minha melhor amiga. Era recatada, bastante religiosa e tinha aquele tipo de ideal do qual você ri ao telefone com seus outros amigos, como beijar depois dos dezesseis e casar virgem, mas ela era divertida. Aos poucos, foi se soltando até que, ao final daquele ano, estava mais parecida comigo do que com o que ela costumava ser.

Eu não notei. Provavelmente, ela também não. Tampouco minhas amigas que andavam conosco. Mas as demais pessoas notaram. Alguns aprovaram, outros não. Ela mudou e isso era um fato. No final da oitava série, foi para uma cidade de interior passar as férias com os familiares. Lá deu seu primeiro beijo e, por ser ingênua e não estar acostumada com o ritmo das cidades pequenas, o fez com um cara quase dez anos mais velho e dentro do carro dele. Quando a notícia chegou aos meus ouvidos, fiquei tão perplexa que mal conseguia articular qualquer palavra. Lembro-me vagamente de perguntar: "Mas vocês só beijaram, certo?".

Quando ela voltou para São Paulo, conversamos sobre isso. Mas as viagens continuaram e as expedições dela se tornaram mais intensas. A cada vez que ela voltava, eu sentia que tinha deixado um pouco da minha amiga naquela cidade estranha e que eu nunca a teria de volta. Não inteira. A Ana que eu conhecia sentaria comigo e ficaria uma tarde inteira conversando sobre geopolítica ou sobre o que fazer para acabar com a miséria no Brasil; a Ana que voltou pela última vez da cidade do interior estava suspeitando estar grávida, mesmo com apenas quinze anos de idade.

Um tapa na cara não teria me surpreendido tanto. E, provavelmente, teria doído muito menos. Ainda nos falamos, é claro, mas os papos não são os mesmos. Na verdade, a maior parte do tempo, acho que ela, aquela de quem eu gostava, com quem eu conversava e ria, nem está mais lá. Quem está lá é essa nova Ana com quem me importo, porque você não consegue simplesmente parar de se importar com alguém. E é quando você olha uma pessoa que você costumava conhecer tão bem, que você sabia a música favorita e com quem ficava horas à fio no telefone, que você vê que todo mundo muda. Para melhor ou para pior, é questão de ponto de vista.

Quem é a colunista: Gisele Zwicker. Para ela, um fim de semana perfeito envolve um bom livro, um bom filme e uma ida ao teatro.

O que faz: Preparando-se para prestar o vestibular.

Pecado gastronômico: Filé de frango com arroz.

Melhor lugar do Brasil: São Paulo, Capital. Não há lugar melhor que o lar.

Fale com ela: gisele_zwicker@hotmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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