Guia da Semana

Anjinho? Eu não!

Atitudes impulsivas e manipulações fazem com que muitas crianças desenvolvam personalidades distintas

Foto: TV Globo/João Miguel Jr

A atriz Klara Castanho faz sucesso com a polêmica Rafaela

Inocente, cheia de energia e uma mente com muito mais imaginação do que um adulto pode imaginar. Ao invés do papel de menina boazinha da novela das oito, a atriz mirim Klara Castanho - na pele de Rafaela em Viver a Vida - tem roubado a cena e causado polêmica na telinha. Com uma personalidade forte e um comportamento nada comum para uma pequena de oito anos, seu personagem é o retrato de pequenos que chamam atenção por seu temperamento forte.

Entre as travessuras de uma criança comum, é possível notar quando existe um certo exagero na forma com que seu filho se comporta quando está irritado ou até mesmo em contato com outros de sua idade. Acreditar que exista qualquer tipo de maldade por trás do rostinho do seu pequeno é realmente difícil, mas isso pode acontecer. Ao mesmo tempo em que desenvolvem o lado maduro, levam isso a seus ambientes, adotam posturas agressivas e podem vir a ser adultos violentos.
   
Identificando o problema

Devido ao grande número de informações e aos meios de fácil acesso como internet e TV, os pequenos estão sujeitos a captar mensagens que não são compatíveis àquele período. Isso se reflete nos estudos, com os amigos e no convívio com os pais. Esse tipo de comportamento é chamado de transtorno de conduta. Notado em uma criança sem limites, segundo a psiquiatra infantil Patrícia Figueira Lisboa, esse perfil aparece também quando mais velha e tende a fazer com que seu filho seja um jovem que use drogas, fique bêbado com frequência, pegue carro escondido e até chegue à marginalidade. "A criança pede limite e algumas desafiam os pais. Se eles não souberem lidar com isso, por estarem cansados, na correria do dia a dia, deixam com que ela faça o que quiser e não mantêm o 'não'. Prometem colocar de castigo e logo deixam de lado. Passando essa mensagem dupla para o filho, ele se torna o adolescente que acha que pode tudo. E quando ele cresce, pode chegar a usar até de violência", ressalta a médica.

Foto: Getty Images

As crianças aprendem facilmente e são influenciadas por atitudes dos pais

De acordo com o psiquiatra infantil Enio Roberto de Andrade, o modo mais fácil de perceber uma alteração de comportamento é comparar seu pequeno com outras crianças da mesma idade no convívio social. "Dessa forma é possível ver se as atitudes delas destoam dos demais. Deve ser avaliado se o comportamento agressivo está ligado à impulsividade, se ela se opõe às regras e imposições dos pais. É preciso avaliar se a agressão dela é algo fora do contexto", afirma.

Caso sério

Além do transtorno de conduta, existem casos específicos que envolvem um comportamento mais agressivo. Ele reflete na forma com que a criança lida com os amigos e em casa e são os primeiros indícios para que os pais procurem ajuda. Chamado de transtorno de personalidade, aparece em crianças que não tem valores como compaixão, preocupação com o outro, não sentem remorso, maltratam animais, etc. "As pessoas costumam negar esse tipo de problema. Veem que o filho está fazendo coisas erradas, mas acham que não é por mal. Não enxergam aquilo de uma forma negativa e tentam pintar de cor de rosa o que está acontecendo", evidencia o neurologista do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Erasmo Casella.

Em muitos desses casos, as crianças possuem o TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Isso é comum em 4 a 6% da população e, quando ocorre, a impulsividade tende a ser agressiva, sendo necessário tratamento para evitar que ele se transforme em um adolescente briguento e um adulto cheio de problemas. "Algumas crianças furtam em casa. O certo é repreender. Mas, às vezes, isso não basta. Nesse momento entra o profissional para entender o porque dessa atitude e o que leva a criança a querer fazer isso", aconselha Patrícia.

Em situações extremas, é preciso ressaltar que a criança realmente possui um problema de distúrbio psiquiátrico. Isso já se revela quando ela reage de forma inusitada e chuta uma porta, joga alguma coisa quando é provocada, uma reação sem autocontrole. "Logo mais ela se torna aquele que pega o gato e põe na máquina de lavar louça, foge de casa para deixar os pais preocupados e culpados, destrói a propriedade do outro; ou seja, tem disfunção de propriedade de maldade", afirma o neurologista.

Foto: Getty Images

Os problemas psiquiátricos na infância podem prejudicar o desenvolvimento do seu pequeno

Na relação

O comportamento dos pequenos pode inclusive influenciar no relacionamento dos pais. Enquanto um discorda do outro, pode haver discussões e, feitas na frente dos filhos, a autoridade dos adultos pode ser posta em xeque. "Às vezes os pais não pensam da mesma forma, mas devem agir em conjunto. Se o filho joga um contra o outro, eles devem buscar saber o porque daquela atitude tomada e conversar com o parceiro, antes de qualquer recriminação. Por mais que um dos dois seja contra alguma atitude, no momento o ideal é bancar a ideia. Depois, podem conversar a respeito", aconselha Patrícia.

Tratamentos

Os tratamentos nas crianças que apresentam tanto transtornos de conduta e TDAH podem ser feitos através de medicação, mas em alguns casos a psicoterapia pode resolver. "É preciso procurar um profissional bem preparado, ler e se informar bastante sobre como educar seu filho da melhor forma. A medicação é bem utilizada, pois algumas crianças bem pequenas já apresentam quadros depressivos. Os próprios pais pedem, mas é preciso avaliar sempre e a terapia de família também é valida", alerta a médica.

Já o tratamento para transtorno de comportamento é feito de uma outra forma. São raros os casos identificados em crianças. Pode ser genético, mas misturada ao meio que a criança se encontra, acentua ainda mais o quadro. De acordo com o neurologista Erasmo Casella, dependendo do caso, o tratamento pode durar a vida toda. "O transtorno não é igual uma meningite, por exemplo. É preciso orientação para família, observar a criança, entrar em contato com os outros lugares que ela vá. Tudo é baseado em muita história, observação, orientação, vontade. Óbvio que se uma pessoa tem exemplos de maldade, vai crescer achando que isso é normal, mas o tratamento é bem pessoal", afirma.

Atualizado em 6 Set 2011.

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