Guia da Semana

Arqueólogos vivem como Indiana Jones?

O novo filme da série voltou a movimentar o imaginário das pessoas sobre o que é a Arqueologia e como trabalham os profissionais da área



Embora dê aulas de Arqueologia em uma universidade, Indiana Jones embarca em altas aventuras atrás de peças sagradas, mistérios, dinheiro, disputas e tramas entre países e até seres extraterrestres. Mas o trabalho é mesmo assim tão dinâmico, glamuroso e cheio de aventuras? Os pesquisadores precisam mesmo andar com chicote, chapéu e ter um curso de técnicas de defesa pessoal ou isso é só para dar mais sabor à trama?

Para a arqueóloga Aline Vieira de Carvalho, é preciso lembrar que o filme faz parte de uma série de ficção e, dentro da série, a Arqueologia é quase uma caça aos tesouros, o que não corresponde com a profissão do Arqueólogo. "Mas, ao mesmo tempo, a série desperta o interesse pela Arqueologia e pela História, o que é muito positivo. Você deseja ser o Indiana Jones, mas descobre que sua profissão tem menos aventura e maior importância social", diz.

A Arqueologia é, na verdade, uma ciência que analisa o mundo material e a partir daí constrói hipóteses sobre algo. Com base no estudo minucioso de alguns materiais, obtém-se informações sobre aspectos culturais, sociais e ambientais. Por exemplo: se você entrasse em um quarto que estivesse todo bagunçado, cheio de camisas de um time de futebol, boné, carrinhos de corrida e tênis espalhados, você diria que se trata de um quarto de menino ou menina?

"Para responder a pergunta, você teria que analisar a cultura material, ou seja tudo aquilo que é produzido ou modificado pelo Homem. Você teria que analisar o próprio quarto, fisicamente, e as coisas que tem dentro dele, os objetos. A sua hipótese e seus argumentos seriam produzidos pela análise arqueológica. Quando podemos contar com outros documentos que nos ajudam na análise, como, por exemplo, fotografias, textos, filmes entre outros, chamamos essa Arqueologia de Arqueologia Histórica. O Arqueólogo pode trabalhar com vestígios de tribos indígenas, de fábricas, casas, cidades. O campo é amplo, depende do interesse de cada um", explica Aline.

Os locais de exploração e pesquisa nem sempre são pirâmides antiqüíssimas, cemitérios e tampouco instalações secretas do governo. São chamados de sítios arqueológicos, que podem ser até subaquáticos, onde são feitas pesquisas e estudos que seguem critérios minuciosos, não é só ir cavando ou recolhendo coisas. Mas, de vez em quando, existem algumas aventuras e surpresas. "Em um trabalho de campo, você pode ficar um longo período de tempo em matas fechadas, praias, desertos, com todos os perigos que isso traz. Mas existe um trabalho de pesquisa em bibliotecas, cuja maior aventura é descobrir informações sobre o objeto pesquisado, e isso também é delicioso, mas menos dinâmico. Os perigos, nesse caso, são o bolor, os ácaros e ficar trancado na biblioteca por esquecer do tempo! E as ferramentas dependem do trabalho: desde prancheta e lápis para mapear as descobertas, tanto no campo como na biblioteca, até peneira, pincel, balde, entre outros para o trabalho de campo. O chapéu, o chicote e a jaqueta ficam a critério de cada um, nada impede!", conta Aline.

Gui Garcia, CNANS/Portugal
Medição de artefato encontrado em sítio arqueológico subaquático. Deve, pelo menos, ser divertido, não?

As peças encontradas geralmente pertencem a uma comunidade e, por isso, devem ser expostas em museus ou ficar sob a guarda de instituições de memória, como arquivos e laboratórios de Arqueologia. Infelizmente, ainda existem "ladrões de tesouro" que pegam artefatos e vendem para "colecionadores", que não são ou não poderiam ser chamados de Arqueólogos.

Portanto, se os filmes de aventuras e jornadas históricas deixaram você com vontade de ser Arqueólogo, talvez não seja uma má idéia! "Eu adoro a série do Indiana Jones e fui estudar História e Arqueologia, entre outros motivos, por causa dela", confessa Aline. Procure saber um pouco mais sobre a profissão, visite museus e sítios arqueológicos, converse com profissionais e não deixe sua vontade de lado. O campo de trabalho teve uma ampliação boa depois que o Ministério Nacional do Meio Ambiente, pela resolução 001/86, passou a exigir um estudo em toda área em que se pretende construir uma grande obra. É a chamada Arqueologia de Salvamento, que tem como objetivo tirar os artefatos dos locais que passarão por transformações. Uma das conseqüências disso foi o aumento do número de empresas particulares que prestam esse tipo de serviço. Só troque o chapéu e o chicote por um boné, balde e pincel, esqueça a idéia de ficar rico e mãos à terra!

Livros e sites para saber mais
Livro "Arqueologia", de Pedro Paulo Funari, Ed. Contexto.

Livro "Arqueologia até debaixo d´água", de Gilson Rambelli, Ed. Maranta.

Livro "Palmares: ontem e hoje", de Aline Vieira de Carvalho e Pedro Paulo Funari, Ed. Zahar.

Site da SAB
Site do CEANS
Site do NEE
Site do MAE


Aline Vieira de Carvalho é formada em História pela Unicamp, com mestrado sobre as Arqueologias praticadas no quilombo dos Palmares e doutoranda em Arqueologia e História Ambiental, estudando Angra dos Reis e Paraty. Já escavou também em Jacareí, Ilha Bela e Angra dos Reis, em sítios indígenas e coloniais.

Atualizado em 6 Set 2011.

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