Guia da Semana

Atletas mirins: entre a saúde e o desgaste

O esporte é essencial para o desenvolvimento da criança, mas o trabalho intensivo e treinamentos competitivos precisam de um acompanhamento de profissionais capacitados

Foto: Gabriel Oliveira

A atividade física direcionada à saúde é um ótimo meio para inclusão social e também é diretamente relacionada à qualidade de vida no decorrer dos anos da criança. Com isso, existe um relacionamento direto entre o treino durante a juventude e bem-estar adquirido na fase adulta. O pequeno desordeiro, hiper-ativo e bagunceiro contumaz aprende a trabalhar em equipe, respeitar o próximo e ainda manter uma vida regrada e saudável. Em conjunto com os estudos escolares, tudo isso ajuda na evolução do jovem em um ambiente cada vez mais exigente e estressante.

"É extremamente importante que as crianças e jovens incluam a atividade física e o esporte como estilo de vida. Os benefícios são inúmeros, desde a prevenção de doenças, ampliação das relações sociais e diminuição do estresse do mundo contemporâneo. Na realidade, o ser humano busca o equilíbrio do corpo e da mente", diz Rogério da Cunha Voser, Doutor em Ciências da Saúde pela PUCRS.

O Supervisor Técnico de Atletismo Victor Fernandes do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) trabalha com categorias infantis a partir dos 11 anos de idade. Esta faixa etária é determinada pela Federação Paulista de Atletismo (FPA) e pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para poderem participar de competições, que são organizadas uma vez por mês.

"A gente sempre está adequando os treinamentos a idade. Não adianta querer aplicar um treino de adulto em uma pessoa em pleno desenvolvimento. Cada fase de crescimento é explorado e trabalhado dentro do atletismo". Ele afirma que os torneios são realizados de forma prazerosa, cujo objetivo não é estressar o atleta e fazer com que ela simpatize pela modalidade.

Foto: Gabriel Oliveira
Jovens atletas treinam boxe no Centro Olímpico


Messias Gomes é treinador de boxe e trabalha com aproximadamente 80 atletas, entre as quais, em sua grande maioria, são crianças. "Por se tratar de um esporte de contato e de defesa pessoal esta modalidade pode se tornar em uma arma nas mãos delas". Deste modo, ele procura orientar e lapidar seus alunos. "Antes de tudo somos educadores e temos que disciplina-las. Elas (crianças) precisam entender que isso não é o que vêem nas telas de cinema. A primeira questão é não deixar que se iludam e depois mostrar o pugilismo como forma de saúde para ajudá-las a saírem das ruas e dos vícios", continua.

O COTP surgiu em 3 de fevereiro de 1976 com a finalidade de revolucionar o esporte de base na cidade de São Paulo, investindo nas formações de jovens atletas. Alguns dos nomes mais expressivos do esporte brasileiro já passaram pelo Centro como Hortência (ex-jogadora de basquete), José Montanaro (ex-jogador de vôlei) e Ricardo Prado, que foi considerado um dos maiores nadadores da década de 80.

Foto: Gabriel Oliveira
Muitas ginastas começam a treinar antes dos 7 anos de idade


E o outro lado da moeda?

Os malefícios podem ocorrer quando o esporte deixa de ser prazeroso e passe a ser uma obrigação de se obter resultados. O Dr. Rogério explica que os danos ocorrem quando a atividade física torna-se um fim em si mesmo. "Muitos treinadores querem o resultado, os pais por sua vez querem se realizar em cima dos seus próprios filhos. A pressão começa e o prazer acaba".

O assunto é delicado e abrange muitos outros aspectos. Qual é a idade certa de iniciação esportiva? Como isso pode ajudar na formação do seu filho ou filha e quanto é necessário exigir um desempenho de alto nível, já que a maioria não alcança o status de afamado competidor? "O que me deixa preocupado é que muitas crianças não vão ter um futuro como atleta", alerta o preparador físico Beto Carnevale.

Isso, claro, depende muito do esporte no qual o jovem irá integrar. Quando mal orientado, é bem provável que ocorram inúmeros prejuízos, dentre eles o abandono precoce, lesões e traumas psicológicos. O "burn-out", cuja tradução mais próxima seria o desgaste excessivo, é a desistência prematura da prática o que resulta, em alguns casos, a não inserção do desporte na fase adulta. "Esses efeitos podem agravar transtornos psíquicos, como ansiedade e depressão", explica o Dr. Rogério Voser.

Uma das atividades que mais acolhe crianças de pouca idade é a ginástica olímpica. Esta modalidade já desencadeou em atletas conhecidas, como a ex-ginasta romena Nadia Comaneci, distúrbios físicos e mentais após a aposentadoria. Ela iniciou seus treinamentos aos 6 anos de idade e ganhou o ouro nas olimpíadas de 76, em Montreal, com apenas 14 anos. "Independente de ser criança ou não qualquer individuo sob pressão pode vir a ter alguma comoção mais severa", afirma Clayton Xavier, técnico de Ginástica do COTP. Segundo ele estudos realizados no Brasil provaram que não há malefício nenhum. "Pelo contrário, benefícios foram destacados nos trabalhos feitos com crianças".

Recentemente, assistimos as nossas ginastas brasileiras disputarem os Jogos Olímpicos, em Pequim. Com elas estavam as nossas esperanças de conseguir medalhas e resultados inéditos para o Brasil. Treinadas pelo ucraniano Oleg Ostapenko conquistamos, nos últimos anos, respeito pelas ótimas apresentações das atletas. Entretanto, as esportistas sentiram o desgaste e foram sujeitas às inúmeras lesões. O Supervisor de Luta Olímpica Joanilson Rodrigues resume a razão da deterioração nesses segmentos: "Esporte de alto rendimento não foi, não será e não é saúde".

Atualizado em 6 Set 2011.

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