Guia da Semana

Atraso de linguagem

A gagueira em crianças que estão aprendendo a falar é normal por até seis meses

Foto: www.sxc.hu


A pronúncia da primeira palavra pela criança é um acontecimento muito esperado pelos pais. Qualquer balbucio parecido com um "Papai" ou "Mamãe" já vira motivo de festa na família, que ás vezes nem entende o porquê de tanta alegria dos adultos. Mas o que fazer quando a primeira frase ou a fala de uma só palavrinha demoram a acontecer?

Segundo a fonoaudióloga Heloisa Miguens Araújo, uma criança começa a falar palavras soltas entre 1 ano e 1 ano e meio de vida, mas isso depende da estimulação oferecida pelo universo em que ela vive. "Crianças superprotegidas não sentem necessidade de falar, porque todos fazem tudo para elas antes mesmo de pedirem", diz a especialista. Os pequenos começam pronunciando os fonemas bilabiais - p, b e m - pois estes são mais visuais e fáceis de reproduzir, por meio da união dos lábios.

A partir de 1 ano e meio, os pimpolhos contam com um vocabulário de mais ou menos 50 palavras, conseguindo produzir frases curtas. Construções mais longas e elaboradas costumam surgir por volta dos 2 anos. Porém, a normalidade de cada um desses estágios só se mantém se os pequenos forem orientados e tratados da forma correta em todos os aspectos de seu desenvolvimento. "A criança só começa a produzir alguma fala quando ela está feliz, limpa, sem fome, confortável", explica a também fonoaudióloga Valéria Leal.

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Caso os pais percebam que o filho está com dificuldades para falar ou que já tem mais de 2 anos e ainda não se interessa pela fala, estes devem levá-lo a um especialista para que sejam feitos os testes devidos e possíveis problemas sejam detectados. É importante ressaltar que, por trás de um atraso de linguagem, podem estar problemas psicológicos, falta de convívio familiar, deficiências auditivas, distúrbios neurológicos, ausência de estímulo, respiração bucal, alimentação pastosa (sem pedaços de alimentos para exercitar os músculos do rosto), uso de mamadeira, chupeta ou sucção de dedo por longo período, má formação da face (mandíbula), freio da língua curto e até mesmo otites, que são freqüentes na infância.

Problemas mais comuns

Um dos problemas que mais preocupa pai e mãe no estágio de desenvolvimento da capacidade de comunicação oral pelos filhos é a manifestação da gagueira. Segundo Valéria Leal, não há um consenso mundial sobre a causa desse distúrbio, "há quem diga que é um processamento atrasado, um distúrbio de metabolismo", mas há também quem afirme que se trata de uma situação de pânico na hora de falar em público ou que é um problema hereditário; não existe uma definição certa.

Em crianças, a gagueira é normal até que estas tenham segurança para falar. Chamada de disfluência fisiológica, ela se manifesta entre os 2 anos e meio e os 4 anos e é considerada aceitável, desde que não esteja aliada a um bloqueio respiratório ou à repetição de gestos. Os pimpolhos fazem repetições pois ainda estão testando a comunicação e têm dúvidas sobre a fala, "As famílias que não aceitam essas repetições acabam criando um filho gago", afirma Valéria Leal; por isso, é importante que os pais tenham paciência e tranqüilidade ao ouvirem os pequenos gaguejarem. Mas, se a gagueira fisiológica demora mais de seis meses para passar, é bom que a criança passe por uma avaliação.

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Outro problema que pode surgir por conta da má formação ou da falta de harmonia entre as estruturas da face é o sigmatismo, também conhecido como ceceio. Tal distúrbio é caracterizado pela pronúncia incorreta de alguns fonemas - s e g, x e j - devido à acomodação da língua em diferentes posições, causando distorções variadas. " A ponta da língua pode se projetar anteriormente, entre os dentes, ou lateralmente, onde as bordas da língua se interpõem, nos dentes de trás", exemplifica Valéria.

O encurtamento da língua, o que se caracteriza como língua presa, também pode levar a alterações na fala. O freio lingual curto prejudica a fala, a mastigação e a higiene bucal; por isso, muitas vezes os pimpolhos portadores desse distúrbio têm que passar pela frenectomia - cirurgia de retirada do freio - e depois por uma seqüência de exercícios miofuncionais periodicamente, para devolver a mobilidade da língua.

Há crianças com insuficiência do véu palatino, que têm dificuldades para aproximar a língua do céu da boca na pronúncia de certos sons, falando incorretamente; o que as classifica como fanhas. E ainda aquelas com adenóides hipertróficas, que se caracterizam pela fala nasal, dando sempre a impressão de que estão gripadas. Pimpolhos com problemas de adenóide costumam respirar de boca aberta, babar muito a noite, ter a boca ressecada, apresentar amidalite constantemente e ter rendimento físico diminuído.

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O ideal para detectar e tratar qualquer um desses problemas é procurar o acompanhamento de um profissional qualificado e estar sempre alerta para os sinais de dificuldade que os filhos podem apresentar. O Guia da Semana separou algumas dicas para que os pais saibam como agir e cuidar dos pequenos durante o desenvolvimento da linguagem. Confira!

Orientações de especialistas
? Não deixar a criança perceber por palavras, gestos ou ações que os pais estão preocupados com sua maneira de falar;
? Exercitar a coordenação motora da criança em todos os aspectos: alimentação, brincadeiras, formas de se vestir, entre outras;
? Nunca rotular o pimpolho com características negativas;
? Evitar interromper as frases da criança na metade;
? Dar um bom modelo de linguagem;
? Não forçar os pequenos a falarem na frente dos outros ou a usarem palavras que ainda não fazem parte do vocabulário destes;
? Elogiar os filhos e dizer que aprecia suas qualidades;
? Não demonstrar pânico ou pressa no momento em que a criança tem dificuldade para completar uma frase ou palavra;
? Evitar fazer perguntas que exijam respostas longas;
? Promover brincadeiras de canto em coro ou de imitar aquilo que o pai diz;
? Mostrar interesse no que o pimpolho diz e não na forma como ele fala;
? Não repetir aquilo que a criança falou errado, apenas pronunciar a palavra em sua forma correta;
? Deixar pequenos pedaços inteiros na comida do bebê, para que ele crie novos reflexos e movimentos, que favorecem a mastigação no futuro;
? Por volta dos 2 anos da criança, os pais devem adotar alimentos sólidos como base nas refeições desta;
? Contar histórias e estimular a conversa, pois os filhos só aprendem a falar ouvindo.


Profissionais consultados:

? Heloisa Miguens Araújo - Fonoaudióloga
Rua Figueiredo Magalhães, 286 - Sala 903 - Rio de Janeiro - (21) 2235-6208 -hmiguens@uninet.com.br;

? Valéria Leal - Fonoaudióloga
Avenida Antônio Carlos Magalhães, 3259 - Condomínio Empresarial Aurélio Leiro - sala 206 - Salvador - (71) 3351-1472.

Atualizado em 1 Dez 2011.

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