Chupeta ortodôntica ou convencional?

O Ministério da Saúde adverte: a criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta

Última publicação: 06/09/2011

Foto: morguefile.com


Preocupados com o bem-estar dos filhos pequenos, os pais sempre buscam utilizar os melhores produtos do mercado para atender suas necessidades. Hoje, muito se ouve falar da chupeta ortodôntica, lançada já há algum tempo no Brasil. No entanto, o que muita gente não sabe é que apesar de ser indicada por especialistas em alguns casos, ela também pode fazer mal, assim como a chupeta comum, e deve ser evitada.

Chupetas ortodônticas são melhores?
Para a odontopediatra Katy Lopes Teixeira, "nenhuma chupeta é recomendável". Ela explica que se a criança for devidamente amamentada no seio até mais ou menos os sete meses (se for mais, melhor), ela não sentirá falta da sucção, o mecanismo reflexo, necessário para o bebê e considerado fisiológico na vida dos pequenos. Esse movimento, feito para sugar o leite do seio, é essencial não só para a alimentação como também para auxiliar no crescimento e no desenvolvimento da mandíbula.

A sucção estimula, ainda, a musculatura bucal, os ossos e reforça o circuito neurofisiológico da respiração e da mastigação. Isso quer dizer que mamar no peito da mãe é suficiente para a criança satisfazer suas necessidades e que a chupeta pode ser dispensável - já que a sucção é substituída pelo mecanismo de mastigação, que se inicia quando a criança tem quase um ano.

Katy acredita que muitas mães não têm paciência de acalmar seus filhos quando eles choram e acabam usando a chupeta como uma "muleta". "Depois os pais encontram dificuldade em fazer as crianças abandonarem o hábito. O ideal é não usá-la, porém, se não tiver jeito, é melhor optar pela chupeta ortodôntica, que modela o bico de acordo com o formato da boca", diz ela.

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Foto: toymania.com.br


As chupetas anatômicas (chamadas de achatadas ou ortodônticas) são mais recomendadas que as comuns porque se adaptam perfeitamente à cavidade bucal da criança e permitem um maior contato da língua com o palato durante a deglutição. O disco plástico deve ser côncavo (voltado para a cavidade bucal) e com perfurações para que evitem o acúmulo de saliva e a conseqüente irritação da pele. De preferência, não deve ter argolas, para que não se pendure correntes (evitando o risco de estrangulamento), fraldas ou que façam a criança apoiar a mãozinha (o que prejudica a constituição do lábio inferior). Os pais devem ficar atentos para que a chupeta não seja colocada na forma invertida e para que estejam adequadas ao tamanho e à idade do bebê. O material preferido pelos especialistas é o silicone, que deforma menos e é mais higiênico.

Foto:Photocase
O que o uso excessivo da chupeta pode causar?
A utilização dela por período prolongado pode provocar alterações na arcada dentária e trazer algumas conseqüências, como inclinação dos dentes, mordida aberta anterior (quando os dentes de cima não encostam nos de baixo), mordida cruzada posterior (quando a parte de cima fica "apertada", mal-desenvolvida e não encaixa com a de baixo), dentes de cima projetados para frente (e os de baixo para trás), alteração na fala e no padrão de deglutição (por interposição lingual) e alteração dos padrões respiratórios.

Como evitar a chupeta?
Quando o bebê ou a criança necessitam dela para dormir, os pais devem retirá-la da boca assim que dormirem. Essa técnica deve ser feita sempre. Outra recomendação é não incentivar o uso dela em ocasiões desnecessárias: o importante é delimitar o tempo e o local onde ela pode ser usada, mostrando à criança que a chupeta, por exemplo, é só para dormir e, portanto, não sai do berço ou da cama.

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Foto:toymania.com.br


Quando estiver na hora da criança parar de chupar (no máximo, aos 3 anos de idade, mais do que isso já é caso para médico, psicólogo ou fonoaudiólogo) o truque é furar a ponta da chupeta para que, ao ser sugada, transmita outra sensação. Depois que isso for feito, é importante não colocar várias chupetas à disposição dos pequenos, porque isso facilita sua recolocação e pode estimular o uso. A remoção deve ser gradativa e bem conversada com a criança, sem ameaças nem punições.

DICAS
De 0 a 6 meses
A amamentação exclusiva é uma prevenção ao uso da chupeta.

De 6 meses a 3 anos
Se o hábito da chupeta já estiver instalado, o ideal é que se retire até essa idade para evitar danos no futuro.

De 3 a 6 anos
Se a mãe sozinha não conseguir retirar a chupeta do filho, especialistas como fonoaudiólogos, dentistas, pediatras e psicólogos devem ser procurados para solucionar com urgência o problema.



Fontes
? Katy Lopes Teixeira - Odontopediatra- Tel: (11) 6959 1907
? Doutora Mariele Cristina Garcia Pantuzzo - Mestre em odontologia e ortodontia
www.smp.org.br
Divulgação de chupetas: preços e marcas no site:
www.toymania.com.br

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