Guia da Semana

Clássicos das HQs

Antes visto como arte marginal, as histórias em quadrinhos invadem o universo literário com um acervo de obras adaptadas para incentivar os jovens à leitura

Os clássicos da literatura ganharam cor, forma e traços. Visando o público infanto-juvenil ávido por HQs, as editoras especializadas começam a produzir quadrinhos que fazem a transposição de importantes obras literarias para a linguagem gráfica sequencial. O governo viu com bons olhos essa ferramenta e selecionou algumas edições para a lista recomendada nas escolas públicas. Conheça a seguir as obras ilustradas que proporcionam entretenimento e estimulam outros meios narrativos entre os jovens.

O Alienista (Agir/Ediouro)



Os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá escolheram um dos mestres da literatura brasileira, Machado de Assis, para inaugurar uma nova linha de quadrinhos pela editora Agir/Ediouro. Publicado pela primeira vez em 1881, no periódico A Estação, a história tem o nobre Simão Bacamarte como protagonista e usa a loucura como forma de satirizar a sociedade, a política e os valores científicos do fim do século 19.

O trabalho ganhou o Prêmio Jabuti em 2008, como melhor obra didática. Os dois autores se empenharam por quatro meses no projeto, que tinha a intenção de preservar ao máximo o texto original e, ao mesmo tempo configurar uma história em quadrinhos e não um livro de ilustrações.

Metamorfose (Conrad)



"Um certo dia, Gregor Samsa, depois de um sono agitado, acorda transformado em um enorme inseto. E agora? Como se levantar para trabalhar, retomar seu posto como caixeiro-viajante?" Escrito por Kafka, esse é o começo de uma das histórias mais famosas da literatura mundial. Recheado de metáforas, o relato tenebroso e contundente faz críticas à família, à alienação e à condição humana. O clássico ganha a adaptação sombria e brilhante do artista gráfico Peter Kuper, que trabalha a fusão dos quadrinhos norte-americanos com o expressionismo alemão.

Peter resgata o clima, o sufocamento e a decadência do inseto-Gregor, apresentando o momento em que sua simples presença na casa dos pais torna-se insustentável. Para transpor a história para os graphic novels, chegou a estudar a arquitetura e a decoração de Praga de 1910 (lugar onde se passava a narrativa), para determinar a aparência do quarto de Samsa e a disposição dos móveis da casa.

A Relíquia (Conrad)



Teodorico Raposo, estudante de Direito, faz as vezes de coroinha para a tia Maria do Patrocínio, católica fervorosa e herdeira da fortuna de seu avô. Durante o dia, o sobrinho segue a turma de bajuladores, que se fingem de santinhos para ficar mais perto da grana. À noite, Teodorico se transforma em Raposão, entregue à boemia, aos pecados e às mulheres.

Editado pela Conrad, o quadrinista Marcatti adapta a obra de Eça de Queirós, este considerado o maior escritor realista português do século 19. A história é marcada pela ironia e crítica ao catolicismo português, que na versão HQ ganha contornos brasileiros. Um dos mestres do quadrinho underground,Marcatti mescla em seu traço uma arte final icônica e rebuscada.

Em busca do Tempo Perdido - No Caminho de Swann (Jorge Zahar)



O publicitário francês Stéphane Heuet decidiu realizar seu primeiro trabalho com narrativa sequencial a partir do romance Em Busca do Tempo Perdido: No Caminho de Swann. A adaptação, baseada no livro escrito por Proust, invade o espaço dos quadros e entra por um enredo psicológico movido pelas lembranças do autor sobre Combray, a casa dos parentes, a deliciosa Madeleine, a igreja Santo Hilário, o sadismo e a hesitante vocação literária.

A linguagem em quadrinhos ajuda o leitor a adentrar no universo proustiano, que não só constrói uma colcha de retalhos a partir de lembranças, mas montar um retrato da belle-époque, no final do século 19, com vaidades e preconceitos da burguesia francesa. O volume propõe a uma introdução ao texto original; no fim, há informações, curiosidades e notas com referências para leitura.

Triste Fim de Policarpo Quaresma (Desiderata)



Personagem de Lima Barreto, Policarpo Quaresma é um brasileiro e funcionário público, extremamente nacionalista, que exerce a função de subsecretário no Arsenal de Guerra. Suas ideias ousadas e ufanistas geram várias situações cômicas. O romance escrito em 1911 é uma crítica feroz aos costumes da sociedade brasileira da época, quando o Brasil ainda engatinhava na República.

A editora Desiderata inaugurou a série Grandes Clássicos em Graphic Novel com este álbum, cujo roteiro é de Flávio Braga, os desenhos de Edgar Vasques. Segundo Vasquez, que já ilustrou O Analista de Bagé e Tangos & Tragédias, essa obra foi a que mais exigiu, consumindo três meses de trabalho. O roteiro respeitou os principais episódios, como a internação no hospício, a derrota para as formigas saúvas e o alistamento militar na Revolta da Armada.

*Fotos: Reprodução

Atualizado em 6 Set 2011.

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