Guia da Semana

Coitado do pipoqueiro

Praticado há muito tempo nas portas das escolas, tráfico de drogas reinventa seus métodos para tentar fugir da polícia

Foto:Sxc.hu


Há tempos que a lenda do traficante disfarçado de pipoqueiro na porta das escolas já caiu de moda. Hoje o tráfico se tornou mais especializado e discreto. Não que o número de drogas consumidas por estudantes tenha diminuído. Pelo contrário. Se alguma coisa teve suas vendas reduzidas neste período, foi a pipoca.

Longe do maniqueísmo visto no filme Tropa de Elite, exibido desde o último dia 5 nos cinemas, o tráfico de drogas no Brasil é uma questão muito mais complexa. Se as colocações do Capitão Nascimento soam unilaterais quando culpam estudantes-usuários por financiarem o tráfico, seria errado também imaginar que os traficantes seriam lobos vorazes, à espera de cordeiros indefesos nas portas das escolas.

A questão é complexa e uma coisa é certa: não haveria pipoqueiro se a molecada não comesse a pipoca.

Novas formas

Para o delegado do Núcleo de Apoio e Proteção a Escola, Carlos Roberto de Andrade, o tráfico de drogas na porta das escolas é praticado há muitos anos, porém, recentemente, vem se especializando, conquistando novos postos e atingindo novas classes sociais.

"Hoje o mito do pipoqueiro adquiriu novas formas. Pelas prisões feitas nota-se que os traficantes estão nas lanchonetes, lan-houses, fliperamas e praças de alimentação de shoppings próximos às escolas, públicas e privadas".

Para Andrade, não existe diferença de métodos entre os traficantes que agem nas escolas públicas para as privadas, mas sim diferença nas drogas ofertadas. "O que acontece é uma maior incidência de maconha, crack e cocaína nas escolas públicas e de drogas sintéticas, como ecstasy e lanca-perfume nas particulares".

Outra forma de tráfico a ser considerada é quando o próprio estudante passa de usuário para traficante, levando para dentro do colégio a droga.

"Em pleno século XXI, o jovem tem um nível de informação inimaginável perto do jovem que consumia entorpecentes na década de 70, ano da lei antitóxico que valeu até 2006. A nova lei pune com maior rigor a figura do traficante, trata o dependente e cria a figura do uso compartilhado como ilícito penal próprio. Estudante ou não, a pessoa será tratada com o rigor da lei que se enquadrar", alerta o delegado.

O trabalho do NAPE

Foto:Sxc.hu

O Núcleo de Apoio e Proteção a Escola - NAPE, foi criado em julho de 2003 na cidade de São Paulo e faz parte do Departamento de Investigações sobre Narcóticos - Denarc.

O objetivo do Núcleo é reprimir o tráfico nos estabelecimentos de ensino e imediações de forma diferenciada, além de oferecer atendimento a estudantes e funcionários das escolas.

Até setembro, o NAPE realizou 160 prisões na cidade de São Paulo (135 por tráfico, 2 por porte e 23 por outras razões). No total, foram apreendidos 250 quilos de cocaína, uma tonelada de maconha, sete quilos de crack, seis quilos de ecstasy e doze quilos de lança perfume.

Quatro divisões formam o NAPE: Setor de Proteção às Escolas, Setor de Análise e Inteligência, Setor de Apoio aos Dirigentes Escolares e Setor de Repressão aos Crimes do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. Ao todo, 65 policiais entre delegados, investigadores, escrivães, agentes policiais e carcereiros trabalham no Núcleo, responsável pelo policiamento preventivo na capital e grande São Paulo.

Meu Nome Não é Johnny
Exemplo do jovem de classe média seduzido pelo riscos do crime, João Guilherme Estrella se tornou um dos maiores traficantes cariocas durante a década passada.

Criado na zona-sul carioca, Estrella começou como usuário de maconha, LSD e logo se viciou em cocaína.

Para abarcar o vicio, Estrella começou a traficar. Cheio de contatos e bem relacionado, o jovem começa a trazer a cocaína diretamente da Bolívia. Logo se torna um dos maiores traficantes cariocas em quantidade movimentada, enviando a droga inclusive para a Europa.

Porém, o sucesso no mundo do crime foi efêmero. Em 1995, o ex-traficante foi preso e condenado a quatro anos de prisão, convertidos em dois anos cumpridos no manicômio judiciário. A defesa de Estrella alegou que ele estava mais para dependente do que traficante, argumentando que o réu não havia enriquecido com a prática.

Em 2004, o jornalista Guilherme Fiúza contou a história de Estrella no livro Meu Nome Não é Johnny. O livro foi adaptado para o cinema por Mauro Lima e deve chegar às telas no próximo ano. No longa, Selton Mello faz o papel principal interpretando Estrella.

Atualizado em 6 Set 2011.

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