Guia da Semana

De cabeça fria

Chinelo, cintos e palmadas são coisas do passado. Saiba como impor limites sem perder a calma

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Depois de um tapinha, a atitude errada pode até não se repetir, mas apenas por medo

Você já deve ter visto essa cena: o escândalo de uma criança no meio do supermercado, seguido pelo pai que perde a cabeça e aplica o famoso tapinha corretivo. Considerado um gesto rotineiro para muitos, essa pequena agressão pode ter um grande impacto negativo na educação do seu filho, representando muito mais do que apenas um castigo. A lei de que o mais forte tem sempre razão e que a violência é uma forma de expressar sentimentos, são apenas algumas das mensagens que o gesto transmite. Aprenda o que fazer para evitar aquela chinelada (mesmo na hora da raiva).

Coisa feia!

Durante a infância, é comum a criança testar comportamentos. Assim que se formam os valores pessoais e conceitos de certo e errado. Desse modo, o tapinha pode criar um trauma, desenvolvendo um medo da agressão. A atitude errada pode até não se repetir, apenas por medo, sem a compreensão da punição. Mas todos sabemos que é difícil se segurar quando presenciamos uma birra. "Às vezes parece que eles provocam e testam nossa paciência. Acho que umas palmadas na hora certa podem ajudar a educar. Tento evitar, mas tem horas que não dá", diz Marilene Oliveira, mãe da pequena Giovana, de 6 anos.

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Considerado um gesto rotineiro, uma pequena agressão pode ter um impacto negativo na educação do seu filho

Diferentemente do que se pensa, instruir uma criança pelo medo de aprontar resulta no uso do sentimento como uma espécie de arma, o que resulta em agressões frente a contrariedades. "Os pais querem ensinar limites, mas não é essa a mensagem passada. Eles devem implantar um modelo de educação com barreiras claras e soluções criativas aos problemas. O mau comportamento é fruto da imaturidade e dos poucos recursos que a criança dispõe", afirma a psicóloga Alcione Aparecida Messa.

Já pro quarto

O castigo é a alternativa mais recorrida e indicada. Mas antes de colocar a criança para refletir sobre seus erros, ela deve ser advertida algumas vezes. Caso não obedeça, os pais devem partir para uma atitude mais firme, pois os pequenos entendem o castigo, caso ele seja justo e explicado. "O importante é mostrar para os filhos que eles são responsáveis por seus atos e estão sofrendo as consequências por desobedecerem. A criança que apanha fica com raiva e pode até planejar vinganças. Não aprende a resolver problemas no futuro".

Um olhar de repreensão, além de palavras severas, podem ser mais eficazes do que palmadas. Mesmo em casos como o de Marilene, quando um simples olhar parece não ser o bastante. "Já tentei falar, colocar virada para a parede, mas parece que nada resolve. Quando dou uma palmadinha, as coisas mudam. Acho que gera um respeito maior, mas não quero fazer isso sempre. Agressão é horrível para qualquer pessoa, principalmente para uma criança".    

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Se ocorrer um descontrole o melhor a se fazer é ser transparente e reconhecer o erro

Então, para quem pretende aposentar as chineladas, o ideal é fazê-lo com coerência, ou seja, quanto maior o grau da desobediência, maior o castigo. Boas maneiras de aplicar punições são diminuir passeios ou privações de brinquedos, televisão, bola e bicicleta, sempre deixando claro o motivo. A partir daí é importante deixar a emoção de lado e não cair em chantagens emocionais. Depois de tomar uma decisão, nunca se deve voltar atrás, pois esse truque poderá ser usado pela criança para se livrar dos próximos castigos. Também é fundamental deixar sempre claro que a decepção está relacionada a uma atitude específica, e não com ela propriamente.

Tarde demais

Mas todos nós sabemos que às vezes realmente é preciso muita paciência para educar os filhos. E assim como as crianças, os pais também podem cometer alguns erros. Some a essa situação a correria do dia-a-dia e stress no trabalho. O resultado dessa equação pode ser uma bela palmada diante de uma atitude desafiadora, sempre sucedida de culpa e arrependimento. Por isso, se o descontrole ocorrer, o melhor a se fazer é ser transparente e reconhecer o erro. "Se  os pais baterem por um impulso, devem se desculpar e explicar o que aconteceu. Com uma comunicação direta e aberta, os filhos aprendem a perdoar e entender. Pais também podem errar", finaliza a psicóloga.


Atualizado em 6 Set 2011.

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