Guia da Semana

De repente, mudanças!

Mudar de escola no meio do ano requer muito diálogo e paciência com os pequenos

Foto: Getty Images


Em princípio, não sou a favor e nem contra a mudança de escola no meio do ano, pois entendo que existem algumas situações em que permanecer em determinado colégio pode ser prejudicial para o crescimento. Discordo é da facilidade, da superficialidade, da frequência e da falta de coerência com que isso vem ocorrendo, por motivos irrelevantes.

As razões que levam os pais a apoiar esse desejo imaturo dos filhos de fugir desde cedo dos desafios e de buscar por si a solução das suas dificuldades de relacionamento ou, em muitos casos, de maior exigência pedagógica, me assustam. Afinal, quem escolheu a escola para matricular o filho, devia saber mais do perfil e das exigências peculiares tanto do filho quanto do colégio. Acatar a mudança para resolver dificuldades de relacionamento com colegas e professores, problemas de conduta ou desmotivação frente a exigências cabíveis e normais dos professores, é uma atitude que não só fragiliza a criança e o jovem, como demonstra que seus pais também estão inseguros em uma questão onde já não deveria haver dúvida.

De toda forma, mudar de escola no meio do ano, quase sempre causa angústia na criança, na família e até na nova escola. Razões não faltam para isso, pois até mesmo se esquecermos de levar em conta os motivos que provocaram tal atitude dos pais, o que se tem pela frente é de fato complicado: famílias procurando se moldar às novas exigências de horário, de uniforme etc. Crianças tentando se adaptar e se socializar em classes com antigos e novos coleguinhas, que também vieram de situações escolares estressantes, e com professores desconhecidos, os quais também vivenciarão com certa ansiedade uma classe com alunos que poderão mudar o perfil já conhecido do grupo, entre outras coisas.

Se levarmos então em conta os problemas pedagógicos e comportamentais ocorridos no primeiro semestre pela criança que se matriculou em um novo colégio, a situação se complica ainda mais.

Alguns itens não podem deixar de ser levados em conta pelas famílias: mesmo trocando de escola, é bem possível que não se altere totalmente os problemas dos filhos - todos devem estar preparados para essa eventualidade. Além disso, desde o primeiro dia letivo, é preciso buscar soluções e não ficar apenas confiando que a mudança de colégio, de método e de colegas e professores, vá trazer de volta aquele aluno nota 10 dos primeiros anos de escolaridade ou, de repente, tornar uma criança desmotivada em interessada e envolvida nos estudos, nem mesmo tornar um aluno com dificuldades de aprendizado o primeiro da classe.

Mudar de escola só é válido na última hipótese, quando as questões ligadas ao desenvolvimento mental, emocional e à capacidade de aprender da criança se mostram inadequadamente atendidas por aquele método de ensino ou quando aparecerem questões mais sérias ligadas à autoestima, ao bullying e, mesmo assim, só quando forem incontornáveis.

Mudar no final de uma série cursada tem outra significação para o aluno e, por isso, deve ser sempre uma hipótese a ser levada em conta, pois é a mais coerente, dá tempo da criança tentar resolver seus primeiros problemas, ensina a lidar com os obstáculos e fortalece a autoestima infantil. E, acima de tudo, mostra que os pais estão empenhados em ajudá-la e que confiam na sua capacidade. Isso é o que prepara de fato para a vida.

Quem é a colunista: Maria Irene Maluf - Especialista em Educação Especial e em Psicopedagogia; Membro Honorário da Associação Portuguesa de Psicopedagogos; Presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia- ABPp - gestão 2005/07; Organizadora de algumas publicações na área da psicopedagogia pela Vozes e WAK Editora; é colunista da revista Direcional Educador. Consultora de Publicações Científicas da ABPp e Editora da revista Psicopedagogia .

O que faz: Atende crianças e adolescentes com dificuldades e transtornos de aprendizagem em seu consultório de Psicopedagogia em São Paulo; Leciona como professora convidada no Curso de Aperfeiçoamento em Psicopedagogia do Instituto Sedes Sapientiae; Dá assessoria Psicopedagógica às escolas de ensino fundamental e médio, além de ministrar palestras, cursos e conferencias.

Pecado gastronômico: C H O C O L A T E !!!

Melhor lugar do mundo: Barcelona - Espanha. Mas, para esse lugar ser perfeito de verdade, é preciso estar lá e junto das pessoas que se ama .

Como falar com ela: irenemaluf@uol.com.br ou ligue (11) 3258-5715.

Atualizado em 6 Set 2011.

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