Guia da Semana

Deus ajuda quem cedo madruga?

Mesmo sem precisar, alguns jovens deixam a preguiça de lado e optam por trabalhar desde cedo. Saiba quais são os prós e os contras dessa decisão

Foto: Getty Images

Durante a adolescência, todo mundo quer curtir a vida, sair com os amigos, viajar e fazer tudo aquilo que talvez não dê pra fazer depois que a responsabilidade chegar. No entanto, mesmo sem ter a obrigação de trabalhar, muita gente quer ter seu próprio dinheiro e adquirir mais independência, por isso optam por procurar um emprego antes mesmo de completar a maioridade.

Esse foi o caso de Karina Schiassinatti, que começou a trabalhar aos 14 anos por vontade própria. "Eu queria ter o meu dinheiro para comprar as minhas coisas e adquirir experiência. Minha mãe também queria que eu aprendesse a dar valor ao dinheiro e ao trabalho", conta. Hoje, aos 20 anos, Karina tem um currículo cheio de experiências: já fez pesquisas de porta em porta, já foi secretária do pai, já foi babá e instrutora de informática. Atualmente, ela é auxiliar administrativa e assessora o presidente e o superintendente do Conselho Regional de Química.

Carolina Mormino, 25, também entrou no mercado de trabalho muito cedo. "Comecei a trabalhar com 14 anos devido a uma oportunidade juntada com muita vontade própria. Na época, fiquei sabendo que o Senai recrutava pessoas para trabalhar na empresa que eu trabalho, e que passando nesta prova eu teria oportunidade de seguir uma carreira desde cedo", conta. A aposta de Carolina deu certo. Nos 12 anos que está nessa empresa*, ela já passou por diversos setores e hoje é programadora de produção.

Por que tão cedo?
Para algumas pessoas, trabalhar desde cedo não é uma opção, e sim, uma necessidade. Mas, se esse não é o seu caso, para que abrir mão das suas horas de lazer para começar a trabalhar? "Eu acho importante que todos aprendam desde cedo a ser responsáveis, a ter comprometimento e dedicação e a dar valor ao dinheiro que se ganha com suor. Eu penso duas vezes antes de comprar alguma coisa agora, o que não acontecia quando o dinheiro não era meu", diz Karina. Carolina compartilha da mesma opinião. "Essa é a idade que as pessoas mais precisam ocupar a cabeça com coisas boas", justifica.

Foto: Arquivo Pessoal
Karina trabalha desde os 14 anos

No entanto, para Karina, adquirir experiência profissional desde cedo não se resume em ganhar mais responsabilidade e independência e ter o próprio dinheiro. Trabalhar desde cedo pode ajudar o adolescente a decidir que carreira ele pretende seguir. "Ele pode trabalhar em um escritório de contabilidade só distribuindo as correspondências, mas ele está em contato com a profissão o que pode ajudá-lo a descobrir se isso é uma coisa que ele não quer pra vida dele ou é algo que ele gosta e que poderia fazer", exemplifica.

Prós e contras
Como tudo na vida, trabalhar desde cedo tem aspectos bons e ruins. No lado dos prós, estão a experiência, a independência, a responsabilidade, o comprometimento e, claro, o dinheiro. Já no grupo dos contras, estão o cansaço físico e mental, a pressão, a falta de tempo para estudar e sair com os amigos e o excesso de responsabilidade.

Apesar disso, Carolina não se arrepende de ter sacrificado bons anos de sua adolescência para se dedicar à vida profissional. "Eu era tida como exemplo para meus amigos, pois trabalhava e tinha meu próprio dinheiro. Às vezes, eu ficava chateada por me privar de certas coisas, mas depois eu percebia que era melhor eu continuar seguindo o meu caminho e que mais pra frente não iria me arrepender", conta.

No entanto, muitas vezes, decidir trabalhar somente para ganhar um dinheirinho e poder gastá-lo como quiser não é uma boa idéia. Para ter um emprego e se dar bem com ele, é preciso se dedicar e se comprometer a dar o seu melhor. Carolina é um exemplo disso. Há 12 anos na mesma empresa, ela já passou por diversas áreas e, com certeza, precisou mostrar competência para chegar onde está. "Hoje dou muito mais valor ao que tenho, pois comecei de baixo, sei das dificuldades de trabalhar e estudar para conseguir um objetivo", diz a programadora de produção.

Karina também já passou por situações em que a dedicação foi fundamental. "Eu entrei no Conselho Regional de Química para ser Office girl. Depois de dois meses nesse cargo, me colocaram na minha função atual e isso não foi devido às minhas experiências e, sim, aos meus conhecimentos", diz.

De acordo com a lei
Se Carolina e Karina tivessem 14 anos hoje, talvez não pudessem matar a vontade de trabalhar e ganhar o próprio dinheiro. Isso porque o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que os jovens com idade entre 14 e 16 anos só podem trabalhar como aprendiz em empresas que ofereçam programas adequados para essa posição.

Depois que completar 16 anos, porém, os adolescentes já podem desempenhar maiores funções, com direito a, pelo menos, um salário mínimo. Mesmo assim, os contratantes de jovens menores de 18 anos precisam respeitar algumas regras estabelecidas pelo ECA: a carga horária não deve atrapalhar as atividades escolares e o adolescente não pode trabalhar no período noturno.

Procurando vagas?
Antigamente, procurar trabalho era sinônimo de fazer cópias e mais cópias do currículo e sair por aí em agências de emprego procurando por uma vaga. Hoje em dia, para a sorte de quem já tem idade e está a fim de trabalhar, as coisas estão muito mais fáceis: basta se cadastrar em agências de emprego online e ficar ligado para não perder os processos seletivos. Confira alguns dos sites:

? CIEE
Endereço: Rua Tabapuã, 540 - São Paulo
Telefone: (11) 3040-9800

Endereço: Rua da Constituição, 65/67 - Rio de Janeiro
Telefone: 21 2505-1283

Site: http://www.ciee.org.br

? Catho
Endereço: Alameda Ribeirão Preto, 130 - 9º andar - São Paulo
Telefone: 11 4134-3535
Site: http://www.catho.com.br

? NUBE
Endereço: Rua Barão de Itapetininga, 140 - 9º andar - São Paulo
Telefone: 11 3154-7666
Site: http://www.nube.com.br



*O nome da empresa foi mantida em sigilo a pedido da entrevistada

Atualizado em 6 Set 2011.

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