Guia da Semana

Dislexia pode ter causa genética ou neurológica

Existem as dislexias que o indivíduo adquire quando adulto, e aquela que se manifesta durante o desenvolvimento infantil

Foto: reprodução


O termo "dislexia" foi utilizado pela primeira vez em 1887, pelo neurologista alemão Berlin. Desde então, diferentes nomenclaturas foram atribuídas a este distúrbio. Existem as dislexias que o indivíduo adquire quando adulto, e aquela que se manifesta durante o desenvolvimento infantil.

A dislexia de desenvolvimento é um transtorno específico de aprendizagem, caracterizado pela dificuldade que o indivíduo tem para adquirir habilidades de leitura e escrita, apesar de possuir inteligência normal e ser exposto ao aprendizado adequado. O portador de dislexia não poderá apresentar acentuados distúrbios sensoriais, neurológicos ou emocionais, além de contar com um meio sócio-cultural satisfatório.

As causas da dislexia podem ser genéticas de natureza constitucional, de repetição em mais de uma geração ou neurológica, em que a ativação de áreas cerebrais ligadas à linguagem difere dos indivíduos sem o distúrbio.

Algumas características da dislexia de desenvolvimento frequentemente observadas são:

- Déficit no processamento de informação que poderá ocorrer em diferentes momentos, tanto na percepção, nomeação e repetição, quanto no armazenamento ou recuperação e acesso à informação;
- Pensam principalmente por imagens em vez de palavras. Assim, palavras sem imagens mentais desorientam o indivíduo, ocasionando dificuldade no momento da leitura. Os disléxicos de forma geral possuem muita criatividade, pois vivenciam o pensamento como realidade e criam imagens muito vívidas, o que proporcionam criações maravilhosas;
- Dificuldades na área perceptivo- motora; percepção sensoriais (auditivas-visuiais). Pode-se observar crianças desde cedo, quando não conseguem observar semelhanças, diferenças, rimas, canções;
- O esquema corporal não é adequado. Sua orientação espacial (localização, posição e direção) está prejudicada. Existe a criança que facilmente se perde numa simples saída de sua sala de aula para ir ao banheiro, e que quando volta, se a sala não possui uma identificação própria, não saberá qual porta é a correta;
- Quanto à orientação temporal (noção de tempo: hora, dia, duração, ritmo) também está muito prejudicado; - A coordenação motora ampla (corpo) e fina (mãos); movimentos corporais, desenhos e pinturas podem apresentar dificuldade, inclusive levando a disgrafia;
- Inabilidade para distinguir direita e esquerda;
- Dificuldade na análise e síntese, tanto na decomposição dos sons e palavras, quanto quebra-cabeça e numeração. Dificuldade em seqüência lógico-temporal, não sendo hábeis para montar adequadamente histórias através de figuras isoladas;
- Apresentam ainda dificuldade de nomear objetos, apesar de saber sua função; desorganização (dificuldade com rotina diária); imaturidade global; rebaixamento atencional e dificuldade de concentração; atraso no desenvolvimento da fala, linguagem, pobreza de vocabulário, dificuldade quanto à memorização, além de um acentuado desinteresse por leitura.

Todas essas características relatadas são fatores que devem ser observadas desde cedo pelos pais e profissionais. Além destes comprometimentos mais gerais, há também os sintomas específicos relacionados à leitura, que são:

A leitura se dá de forma hiperanalítica e decifratória, utilizam apoio acústico articulatório; dificuldade para reconhecer palavras; confusão com símbolos e com o alfabeto; lêem lentamente, silabando o que prejudica a compreensão; pulam linhas durante a leitura; voltam a linhas que já foram lidas; se ´perdem´. Todos estes fatores associados geram uma acentuada tensão emocional ao ler.

Muitos indivíduos necessitam ler três vezes o mesmo texto para compreendê-lo, mesmo que sua leitura não seja tão segmentada, pois com a idade a velocidade da leitura tende a aumentar, porém a compreensão não acompanha, principalmente se não for trabalhado este aspecto.

Quanto à escrita, na macroestrutura possuem inabilidade para estruturar trabalhos escritos, não identificam seus erros. Não possuem boa sintaxe, seqüência e estrutura adequada ao texto. Na microestrutura confundem letras e palavras semelhantes quanto à forma: p/b/q/d/e/a/o/m/n; e quanto ao som: f/v; t/d; k/g; p/b; s/z; ch/.

Chegam a inverter letras e/ou sílabas. Ex.: prato/parto; televisão/tevilesão; omitem letras, palavras e frases; aglutinam duas ou mais palavras. Ex.: "nacamado gato" ou segmentam palavras. Ex.: "co migo" .

Como mencionado, o diagnóstico é clínico e por exclusão. Portanto, deve envolver uma avaliação multidisciplinar, em que o psicólogo, psicopedagogo e fonoaudiólogo, profissionais envolvidos especializados em dislexia, deverão observar diferentes aspectos para diagnosticar qual a dificuldade mais acentuada do indivíduo, além de orientar as prioridades quanto aos atendimentos, tipo de escola e atividades extras curriculares.


Quem é a colunista: Raquel Caruso
O que faz: Coordena três unidades da Clínica Multidisciplinar EDAC - Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico, em São Paulo, e atua nas áreas de Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Psicomotricidade. Ministro palestras, cursos e supervisões nestas áreas.
Pecado gastronômico: massas em geral, como boa descendente de Italianos.
Melhor lugar do Brasil: Natal (Rio Grande do Norte) e Amazonas (encontro das águas)
Fale com ela: edac@edac.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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