Guia da Semana

Distúrbios do sono na infância

Quem dorme bem, vive melhor

Foto: sxc.hu


O sono tem um papel essencial na qualidade de vida da criança. Uma boa noite de sono é fundamental para a recomposição física e psíquica de qualquer indivíduo. Assim, crianças que não dormem o suficiente para a sua faixa etária estão mais sujeitas à irritabilidade, queda de rendimento escolar, ansiedade e depressão. Alguns distúrbios impedem que elas durmam bem e por isso devem ser diagnosticados e tratados.

Crianças de diferentes idades têm necessidades distintas em relação à quantidade de sono, ou seja, ao número de horas dormidas. Um recém-nascido, por exemplo, passa a maior parte do dia - aproximadamente 16 horas - dormindo. Os pré-escolares dormem em média 12 horas por dia, com um período de sono vespertino e outro noturno. As crianças em idade escolar dormem nove horas de sono por dia, em média (com um período de sono principal durante a noite), e os adolescentes, de nove a 10 horas.

Quando privadas de sono, as crianças apresentam alterações no comportamento e podem ter déficit de crescimento. Isso porque o hormônio de crescimento (GH) é secretado durante o sono de ondas lentas, que ocorre na primeira metade da noite. Outro fator que está relacionado ao contexto familiar é a obesidade na infância. Crianças obesas estão mais propensas a apresentar distúrbios respiratórios do sono, como a síndrome da apnéia obstrutiva do sono, e devem receber orientação de um especialista.

Os distúrbios de sono mais freqüentes são insônia por indeterminação pelos pais da hora de dormir e acordar, roncos, apnéia obstrutiva do sono e comportamentos anormais (parassonias), como terror noturno, sonambulismo, despertar confusional e enurese (xixi na cama).

Quando há dificuldade dos pais em estabelecer limites para o horário de dormir, a criança se recusa, protesta e arruma desculpas na hora de ir para a cama e demora a adormecer. Depois, pode acordar de madrugada, exigindo atenção. É necessário que se estabeleça um horário com regras claras e bem definidas.

Foto: sxc.hu


No caso dos roncos, deve-se suspeitar de apnéia obstrutiva do sono e um especialista precisa ser procurado. Nessas situações, talvez a polissonografia seja indicada para determinar a conduta.

O terror noturno se caracteriza por episódios de despertar súbito com confusão. Pode ser acompanhado por gritos e intensa ativação do sistema nervoso autonômico como taquicardia, taquipnéia, vermelhidão da pele, sudorese, midríase e aumento do tônus muscular; enquanto o rosto demonstra terror. Estes episódios podem ser desencadeados por privação de sono, febre e estresse de qualquer natureza, duram entre 5 e 20 minutos e a criança não se lembra do ocorrido. Os pais não devem mexer muito nos filhos durante a crise, pois eles podem ficar agressivos e ainda mais agitados.

O sonambulismo é mais comum entre crianças de 4 a 12 anos (10 a 17%) e costuma desaparecer aos 14 anos. Assim como o terror noturno, o sonambulismo costuma ser transitório e, geralmente, de caráter genético. As crises podem ser desencadeadas por estresse, privação de sono, febre e quadros infecciosos.

Quem cultiva bons hábitos de sono dificilmente desenvolverá insônia e terá melhor humor. As conseqüências da má qualidade de sono são muitas para crianças e adolescentes, desde sonolência excessiva diurna, irritabilidade e déficit de atenção, a prejuízo no rendimento escolar e, em alguns casos, hiperatividade. Por isso são tão necessários horários regulares para dormir e acordar - além, é claro, de uma boa alimentação - para uma vida mais saudável.

Quem é o colunista: Rosa Hasan
O que faz: Neurologista que atua na área de Medicina do Sono (serviço de polissonografia do Hospital São Luiz do Itaim)
Pecado gastronômico: são muitos, por exemplo pão e pizza
Melhor lugar de São Paulo: minha casa
Fale com ele: r.hasan@terra.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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