Guia da Semana

Dormindo como um anjo

Uma boa noite de sono é essencial para a qualidade de vida da criança. Veja quais são os principais distúrbios que podem afetar o seu filho e garanta que ele durma sossegado, inclusive nos meses mais quentes

Não há nada mais gostoso para os pais do que ver o seu filho repousar tranquilamente. Mas com as noites quentes de verão e com o agito da vida moderna nem sempre as crianças conseguem ter uma noite de sono completa e restauradora. Com isso, tornam-se hiperativas, irritadas e podem enfrentar problemas de aprendizagem.

De acordo com estudo divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, 70% das crianças de São Paulo possuem algum tipo de distúrbio do sono e, por isso, dormem mal. A pesquisa indicou diversos problemas, como ronco, apnéia, sonolência excessiva diurna e terror noturno. Além disso, a sensação de calor também pode atrapalhar o descanso. Assim, é necessário saber identificar cada sintoma para garantir a tranquilidade de toda a família.


Parassonias

Entre os principais distúrbios estão as parassonias, que englobam o sonambulismo, o terror noturno e o solilóquio (falar durante o sono). Segundo o pediatra e pesquisador do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Gustavo Moreira, em uma frequencia moderada, esses transtornos são normais e não atrapalham o desenvolvimento da criança. Mas quando começam a ficar perigosos e prejudicar a rotina, podem ser tratados com medicamentos. "Se os eventos são muitos prolongados, os pais devem procurar auxílio médico, pois começam a repercutir na vida infantil e familiar", diz.

De acordo com o especialista, as parassonias não têm uma causa definida, mas existem fatores que podem desencadear esses distúrbios, como estresse e atividades intensas no decorrer do dia. "Em geral, existe uma predisposição genética. Mas, às vezes, quando a criança teve um dia muito agitado ou se teve febre, por exemplo, ela pode ter uma parassonia. Mas, geralmente, os fatores desencadeantes não são reconhecidos". Moreira alerta que nos casos de sonambulismo é necessário prevenir acidentes. "Se a criança anda pela casa, é preciso proteger janelas e escadas para que ela não se machuque. Nos casos mais frequentes, que causam sintomas durante o dia, é necessário tomar medicação por um período", afirma.

Insônia comportamental

Outro problema noturno que pode afetar a rotina de todos é a insônia comportamental, que é quando o pimpolho não consegue pegar no sono ou quando ele acorda várias vezes durante a noite. "Esse tipo de insônia é causada pelas atitudes dos pais que reforçam algum tipo comportamento do filho. Uma criança que se acostuma a dormir no colo da mãe ou mamando, por exemplo, habitua-se a essa situação e não consegue dormir em outras condições", explica o pediatra. Ele diz que para melhorar a situação, é preciso alterar a conduta em relação à criança. "Para tratar isso é necessário mudar a dinâmica da família e enfrentar o choro, mesmo que isso possa parecer difícil".

Apnéia do sono

Segundo o pediatra Gustavo Moreira, das doenças do sono que atingem os baixinhos, a apnéia (interrupção completa da respiração) é a que causa mais repercussão global, já que ela pode alterar tanto o sistema cardiovascular quanto o sistema nervoso. Além disso, a apnéia frequente pode causar problemas de crescimento, pois a criança secreta menos hormônio durante a noite e a há um gasto energético para respirar muito maior. Problemas de aprendizado e alterações comportamentais, como hiperatividade, falta de atenção e agressividade, também podem estar relacionados com esse transtorno.

Para o especialista, os pais devem ficar atentos com crianças que roncam e que apresentam pausas respiratórias e engasgos durante a noite. Porém, não é qualquer criança que ronca que tem apnéia. "Se a criança tem um ronco alto como de um adulto e que acontece mais de três vezes por semana, os pais devem levá-la ao médico. Outro sinal de alerta é a respiração durante o sono, que não é normal, pois é mais trabalhosa", diferencia. Segundo ele, os pequenos que apresentam esse problema podem ficar irritadiços, hiperativos e inquietos durante o dia, diferente do adulto que fica somente sonolento.

Noite tranquila

De acordo com Shigueo Yonekura, neurologista e especialista em distúrbios do sono, de modo geral, uma criança precisa dormir de nove a dez horas para que tenha um bom desenvolvimento. Além disso, o sono deve ser tranquilo e sem interrupção para desempenhar uma função restauradora e não prejudicar o desempenho escolar. "É necessário colocá-la para dormir sempre no mesmo horário e, se possível, acordá-la também na mesma hora, independente do dia da semana. Evitar o estresse do dia a dia também pode propiciar uma boa noite de sono", diz

Nas noites de verão, a melhor dica é que o ambiente não esteja quente. Temperatura acima de 27 graus faz com que a criança desperte várias vezes. Para Yonekura, o ventilador é uma das opções para refrescar o ambiente, desde que a corrente de ar seja indireta. Roupas leves também devem ser colocadas para evitar a sensação de calor. Outro conselho do especialista é procurar não oferecer chocolate, café, chá e refrigerantes antes dormir, pois são estimulantes do sistema nervoso e atrapalham o começo e a manutenção do sono. "Evitar brincadeiras agitadas, exercícios físicos, televisão e computador antes de dormir também são medidas importantes para que o pequeno apague na hora certa", recomenda.

Atualizado em 21 Mai 2012.

Por Camila Silveira
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