Guia da Semana

E-learning

Jovens podem agora optar entre freqüentar uma universidade ou fazê-la via internet

Para alguns a idéia pode parecer absurda. Mas, de acordo com a ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), o e-learning já chegou a atingir cerca de 1,2 milhão de estudantes brasileiros. Além disso, para os educadores que atuam na área e para os adeptos deste sistema o preconceito em relação ao tema é desnecessário e a qualidade do ensino pode existir sim, só depende do professor e mais do que nunca do aluno.

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Ainda pouco digerido pela sociedade brasileira o ensino a distância realizado através da internet é hoje a escolha de diversos profissionais já formados para se especializar em alguma área. Muitas universidades já oferecem cursos livres, técnicos, de graduação e até pós-graduação online. A atividade é mais comum entre pessoas mais velhas, que geralmente já estão inseridas no mercado de trabalho e não têm tempo para estudar, mas de acordo com especialistas no assunto é bem capaz que as crianças de hoje, no futuro, escolham a profissão e cursem as disciplinas freqüentando apenas as salas de aula virtuais. Como inclusive, alguns adolescentes já estão começando a fazer.

Os últimos estudos realizados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) no Brasil em dezembro de 2007, indicam que a oferta de cursos superiores de educação a distância cresceu 571% entre 2003 e 2006. A diretora acadêmica e membro do conselho fiscal da ABED Rita Maria Lino explica que as salas de aula virtuais revêem no melhor dos sentidos, os conceitos da educação no país. Isso porque o curso online propõe uma nova maneira de educar e exige muita autonomia e independência do aluno. "Nossos estudantes vêm de um sistema muito autoritário e no e-learning são eles quem constroem seu próprio conhecimento. Esses jovens conquistam um amadurecimento que muitas vezes o ensino hoje não possibilita".

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Nem todos os cursos são 100% a distância. Em muitos deles, o aluno deve comparecer pelo menos uma vez por semana para ser avaliado. Por isso, os educadores acreditam tanto nesta nova forma de ensino. Além disso, existem diversos recursos no momento da aula como webcam, skipe, mudle, black-board, e também as salas de coffes, para "tomar um café" e se entrosar com outros colegas de classe. Rita Maria defende também a idéia de que na internet os alunos não devem ficar calados como pode acontecer numa sala de aula comum e por isso acabam se soltando mais. "Eles têm de se comunicar porque senão "desaparecem", não têm uma presença física."

Como deve ser elaborado um curso online?

De acordo com Adriana Clementino, doutoranda em educação pela USP e responsável por planejamento de cursos online colaborativos, a elaboração de um curso online não é tão simples. Existem algumas etapas que devem ser cumpridas por uma equipe multidisciplinar (professor conteudista, designer instrucional, tutor, web designer, gestor do curso) para decidir, por exemplo, qual o tipo de curso que será desenvolvido (auto-instrucional, cooperativo, colaborativo, semipresencial, totalmente a distância, etc.), quais as principais mídias que serão utilizadas, qual é o perfil do público-alvo e mais uma lista enorme de outras coisas.

"Resumidamente, pode-se dizer que o processo de planejamento de um curso online é constituído de 5 etapas que fornecem um procedimento de projeto organizado. São elas: análise, planejamento, desenvolvimento, implementação e avaliação."

Cursos como medicina, cabeleireiro, ou seja, os considerados mais práticos são indicados a distância?
Já existem quase todos os tipo de cursos no Brasil. Algumas pessoas ainda são totalmente contra, afinal não é tão entendível que médicos possam se formar pela internet. Mas também, cursos como esses não podem ser aprovados pelo MEC se forem completamente a distância. Isso é, deve-se também freqüentar aulas presenciais, aquelas em que a pessoa deve estar fisicamente na faculdade.

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Na opinião de Adriana, todo e qualquer curso, por mais prático que seja, tem uma parte teórica e, no mínimo, essa parte teórica pode ser realizada a distância e a prática nos pólos (essa é uma das funções dos pólos). A limitação está no processo didático-pedagógico e não nos recursos tecnológicos. "Com os recursos tecnológicos que temos hoje, pode-se realizar qualquer tipo de curso de qualquer área do conhecimento. No entanto, é preciso que ter consciência de que um curso a distância é diferente de um curso presencial e, consequentemente, precisa de inovações didáticas e metodológicas. É isto que as pessoas precisam entender."

Vantagens
- A modalide traz contribuições para a reflexão da educação tradicional porque torna o aluno mais autônomo e independente.

- Uma virtude deste sistema é levar a educação para diferentes pontos do país. Afinal, o Brasil é um país de poucos pólos urbanos e educacionais.

- O próprio aluno administra o seu tempo e pode estudar sem perder tempo com trânsito e por conta disso os gastos também diminuem.

- Muitas pessoas até um tempo atrás viajavam de uma cidade para a outra todos os dias e com o e-learning só o faz conforme os dias que a faculdade exigir.


Desvantagens
- A formação de profissionais e equipes multidisciplinares para atender aos alunos ainda é considerada fraca no país. Está melhorando, mas deve-se começar urgentemente a formar educadores que se especializem nas áreas.

- O contato afetivo tende a ser menos entre as pessoas. Afinal se antes os jovens decidiam fazer uma faculdade e no fim da aula irem tomar uma cerveja ou um suco e bater papo, agora os hábitos se diferem bastante.

- A sociedade ainda não aceitou totalmente a idéia de que as pessoas hoje fazem cursos livres, de graduação, pós-graduação enfim, uma série de disciplinas pela internet. Por isso, alguns preconceitos ainda existem e algumas empresas não aceitam que seus profissionais sejam formados apenas pela internet.



Conheça alguns cursos online e universidades disponíveis no Brasil

Veja depoimentos de alunos da educação a distância

Colaboraram:
? Sérgio Krambeck e Karina Campos da ABED - Associação Brasileira de Educação à Distância.
? Rita Maria Lino- Diretora acadêmica e membro do Comitê Gestor do Núcleo de Educação à Distância do centro universitário Salesiano de São Paulo; assessora de aprendizagem do núcleo de educação à distância da Universidade Cruzeiro do Sul Unicsul; e membro do conselho fiscal da ABED.
? Adriana Clementino- Mestre em Educação e Doutoranda em Educação pela USP, responsável por Planejamento de cursos online colaborativos.
? Maria Rita Vital Cintra-formada pelo Curso Superior Seqüencial On-line Gestão e Planejamento em Marketing e Vendas na Anhembi Morumbi em 2006.
? César Pazzinato- Biólogo; Coordenador Pedagógico e especialista em Programas de Promoção de Saúde e Prevenção de Drogas em Escolas.
? Associação E-learning Brasil.

Atualizado em 6 Set 2011.

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