Guia da Semana

Entrevista - Mayra Dias Gomes

Autora do livro Fugalaça, Mayra perdeu o pai, o dramaturgo Alfredo Dias Gomes, aos 11 anos passando por uma adolescência difícil

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Ela nasceu bem próxima e conviveu desde jovem com o mundo artístico e o sucesso. Porém, isto não impediu que as turbulências da vida a atingisse. Aos 11 anos, Mayra Dias Gomes perdeu o pai, o dramaturgo e escritor Alfredo Dias Gomes, autor de alguns clássicos globais como Roque Santeiro e o Pagador de Promessas.

A partir de então, Mayra entrou em uma fase conturbada, trocando o dia pela noite, abusando das drogas e vivendo relacionamentos destrutivos. Entretanto, o tempo passou, ela cresceu - acompanhada de muita terapia -, e lançou um livro, parte fictício, parte autobiográfico, Fugalaça (Editora Record, 2007), onde conta suas experiências.

Na entrevista abaixo, a autora cita autores beatniks - porém, confessa seguir os ensinamentos do auto-instrutivo O Segredo-, chama as canções de Marilyn Manson de "ensinamentos", fala de suas experiências e sobre seus planos para o futuro.

Capa do livro Fugalaça
Como surgiu a idéia de escrever o livro? Foi um desabafo de períodos que você tinha vivido?
Exato. No livro existe um capítulo chamado Vômito Literário e foi exatamente o que eu fiz. Precisei colocar para fora de maneira bruta, todos os sentimentos que permaneciam dentro de mim como conseqüência de um estilo de vida desregrado e autodestrutivo que eu havia levado. Sentia-me deprimida e entupida e queria encontrar uma maneira de me livrar disso. Não estava satisfeita com o rumo que minha vida estava tomando, com a intensidade dos acontecimentos que vivi em minha adolescência, e queria ter a chance de deixar tudo para trás e começar novamente sem esse peso. Como escrever sempre foi algo que fiz com paixão e naturalidade, o caminho certo me pareceu ser colocar no papel. Eu sempre sonhei em escrever livros. E foi como se, ao largar os sentimentos na folha, eles ficassem mais leves e menos atormentadores. Ao criar uma personagem semelhante a mim e fazê-la passar por algumas das situações pelas quais passei, foi como se eu revivesse aquilo tudo. Tive a chance de enxergar tudo de fora e encontrei uma conexão psicológica entre tudo que havia acontecido, assegurando-me de que não havia ficado louca e que aquilo tudo se chamava adolescência.

E como foi o processo de escrita? Você fez alguma preparação ou foi no esquema muita inspiração e, mais ainda, transpiração?
Eu sofri muito para reviver certas situações e ainda mais para transcrevê-las sem babaquices e máscaras. Quando comecei, odiava tudo que escrevia e tinha certeza de que nunca conseguiria terminar aquela catarse. Decidi, então, que só leria o que havia escrito quando atingisse a metade da história. Escrevi compulsivamente por 6 meses dos meus 17 anos, até que, finalmente, vi que havia material para um romance.

Quais são seus escritores preferidos? O que você estava lendo enquanto escrevia o livro?
Jack Kerouac, William S. Burroughs, Bukowski e Baudelaire. Sou fã dos beatniks, dos marginais e dos malditos. Gosto de literatura crua e sincera. O caso de Baudelaire é outro, porém. Estava lendo as Flores do Mal enquanto escrevia meu livro e fiquei fascinada. Ele falava sobre os mesmos temas que eu queria abordar e aquilo me inspirou de uma maneira indescritível. Seus poemas me tocaram profundamente naquele ano e me deram o gás que eu precisava para escrever minha própria maldição.

Em poucas palavras como você define o Fugalaça?
Fugalaça é uma história de busca, dor e recomeço. A personagem principal é um subproduto da geração do século 21: imediatista, impulsiva e incapaz de lidar com frustrações e esperas.

Foto: Ana Stewart
Você se dá muito bem com o meio online. Tem um fotolog bastante acessado e tinha um brechó virtual. Qual é a importância da internet para divulgação do seu trabalho?
Tenho este fotolog há quase 4 anos e escrevo nele todos os dias. Comecei escrevendo em blogs aos 15 anos e desde então fui arrecadando um número bem grande de leitores, de pessoas que se identificavam com o que eu escrevia e acompanhavam meus passos. Algumas delas, se tornaram minhas amigas. A internet é extremamente importante na minha vida, tanto nos assuntos pessoais, quanto nos profissionais. Profissionalmente, é a ferramenta de divulgação mais eficiente neste momento da história. É também em seu vasto mundo, que encontro provas para minhas teorias sobre a juventude de hoje. Por causa da internet, esta geração da tecnologia se tornou muito mais imediatista do que as outras. Você acha o que você quer num estalo de dedos, numa pesquisa no Google. Esta facilidade e comodidade deságuam em um nível de frustração muito maior e tem um grande efeito na vida e nos relacionamentos das pessoas.

Quando você começou a se tatuar? Os desenhos possuem algum significado?
Fiz minha primeira tatuagem aos 14 anos, escondida da minha mãe. Era uma borboletinha super ordinária e brega nas costas. Tentei cobri-la com asas que ainda não estão terminadas. Ao todo, devo ter umas 20 tatuagens espalhadas pelo corpo e cada uma delas possui um significado bastante íntimo. São marcas de pessoas, sentimentos e épocas. Juntas, elas narram minha história.

Você está trabalhando em um segundo livro? Qual será o tema?
Estou e já devia ter terminado de escrevê-lo, mas não consegui ainda, pois este ano foi uma loucura. Trabalhei e viajei muito e tive pouco tempo para escrever. Ano que vem pretendo diminuir o ritmo e escrever mais. Meu prazo para terminar este segundo livro, porém, é até o final do ano. Será uma história mais adulta e madura, mas tão intimista quanto Fugalaça. Manterá a narração em primeira pessoa, mas será uma ficção. Uma história sobre solidão, morte, insônia e incapacidade social. Pretendo continuar invadindo as inquietações dos leitores. Escrevo sobre momentos.

Como foi o contato com Marylin Manson? (Mayra o entrevistou para o jornal Folha de S. Paulo durante a última passagem do roqueiro pelo Brasil)
Foi algo muito intenso e importante pra mim, pois sou fã dele desde os 12 anos. Comecei a ouvir seus "ensinamentos" pouco depois da morte do meu pai e, de certa forma, ele se tornou um professor pra mim. Ele me dizia que eu podia ser diferente e que não havia motivo para me envergonhar disso. Eu nunca pertenci ao mundo elitista em que nasci e isso me fazia uma pessoa muito insegura e revoltada. Quando aprendi a abraçar minha "inner freak", descobri que havia uma força muito potente dentro de mim. A força da pessoa que se recusa a ficar calada diante do clamor da vida. A força da pessoa que precisa gritar e contestar o sistema. Por todos esses motivos, conhecer Marilyn Manson era uma das metas da minha vida.

E para os próximos anos, quais os planos da Mayra?
Escrever muitos livros, conseguir um trabalho fixo em alguma revista como a Rolling Stone, conhecer o Iggy Pop, ficar amiga do Marilyn Manson, passar uma temporada em Londres, abrir uma loja virtual (que já está em andamento), transformar Fugalaça em filme e traduzir "meus livros" para outras línguas. Sou ambiciosa, pode ter certeza, mas tenho uma facilidade incrível de realizar meus sonhos. Você já leu "The Secret"? Pois é, é minha nova religião. Essa p#$%* funciona.

Atualizado em 1 Dez 2011.

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