Guia da Semana

Existe criança cleptomaníaca?

É necessário distinguir até que ponto o furto faz parte da fantasia infantil e quando o ato se torna sinônimo de uma doença

Foto: sxc.hu


Apesar de pouco abordada no dia-a-dia, a cleptomania é um transtorno acometido em 5% das pessoas, definida como uma doença psíquica e considerada um impulso desenfreado para o roubo. Diferente do que as pessoas pensam, ela pode sim atingir crianças além de adultos ou idosos e segundo especialistas é mais freqüente em meninas adolescentes e mulheres.

Diagnosticar a doença em criança é uma tarefa delicada. Isso porque até mais ou menos 7 anos de idade, os pequenos ainda confundem o mundo imaginário com a vida real. O psiquiatra Catulo Magalhães explica: "Para pegar algum objeto que não lhe pertence, chamando-se assim cleptomania, é evidente que o ato precisa ocorrer numa idade onde normalmente a criança já entenda o sentido de propriedade, senão será apenas uma criança que pega algo do outro para brincar inocentemente".

De acordo com a principal referência de diagnóstico para os profissionais de saúde mental dos Estados Unidos da América - o DSM IV - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - Fourth Edition, o diagnóstico da cleptomania se dá por três características básicas: em primeiro, o fracasso recorrente em resistir aos impulsos de furtar objetos que não são necessários para o uso pessoal; em segundo, pelo sentimento aumentado de tensão imediatamente antes da realização do furto e por último pelo prazer, satisfação ou alívio no momento de cometer o furto.

Foto: sxc.hu
Para o psicoterapeuta Estevan Matheus não existem causas que justifiquem o transtorno, porém, a doença está associada ao impulso para o alívio da tensão e a procura de atenção. "Estudos ainda estão sendo realizados, ainda não se tem conhecimento sobre uma causa específica". Se por acaso, os pais perceberem que seus filhos já entendem que é errado e mesmo assim pegam objetos dos colegas, dos professores, da sala de aula, é importante rever primeiro o plano educacional, conversar e ensinar novamente. Criança necessita de atenção e, se com o passar do tempo os episódios se repetirem com muita freqüência, daí então é necessária uma ajuda profissional.

Estevam alerta para que essa procura seja o mais rápido possível porque o desaparecimento definitivo da cleptomania é muito difícil. "Há várias formas de psicoterapia eficazes no tratamento de quem sofre do problema. Uma indicação é a psicoterapia comportamental, que tenta modificar os pensamentos e comportamentos do paciente. Medicamentos ajudam, mas não é o bastante. Ao mesmo tempo, tem de se buscar o desenvolvimento do autocontrole da pessoa, promovendo um diálogo com o paciente sem - jamais - culpá-lo pelo seu ato. É importante fazê-lo compreender o que a doença causa para si mesmo e para a sociedade, envolvendo muitas vezes a família e os amigos."

Para evitar que a situação fuja do controle da família e de educadores, o doutor Catulo também recomenda: "Conversar com as crianças sem julgá-las, de forma tranqüila, porém objetiva e educativa. A partir deste momento reavaliar as formas de convivência que estão tendo com este filho, usando, se necessário, ajuda profissional (psicólogo ou psiquiatra infantil)."

Foto: Morguefile


A carência afetiva em crianças pode desenvolver diferentes problemas psicológicos durante a infância. Apesar de ser um tema que incomoda os pais e a escola, a cleptomania é mais uma das compulsões que a crianças pode apresentar. Como já foi dito não existe uma causa específica, porém, a ausência dos pais, a falta de afeto, de atenção e de não ensinar a criança a valorizar o que tem, ou seja, seus próprios objetos e a sua vida pode entre outros problemas acarretar a cleptomania.

Atualizado em 6 Set 2011.

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