Guia da Semana

Existe dor de cabeça em crianças?

Cefaléia freqüente, progressiva e de forte intensidade é a causa que mais leva os pais a procurarem um especialista

Foto: Stock


A dor de cabeça em crianças é mais comum do que se imagina. Seus sintomas podem aparecer de maneira inesperada - como quando a criança está muito cansada, não se alimentou bem, não dormiu horas suficientes - ou associada a otites, sinusites, meningites e traumatismo craniano. Mas o que fazer quando a dor persiste? Na medida em que se torna freqüente, progressiva ou de forte intensidade começa a existir uma preocupação maior em se determinar sua causa.

Muitos pacientes procuram diversas especialidades antes de ir ao consultório. O mais curioso é que a maioria recorre ao oftalmologista, quando apenas 1% dos casos de dor de cabeça é, de fato, de origem oftalmológica. A história clínica minuciosa contada pela família ou pelo próprio paciente é muito importante para o diagnóstico correto e deve incluir a época de início, localização, tipo de dor, freqüência, duração, intensidade, horário, modo de início, fenômenos concomitantes e fatores que pioram ou melhoram as dores. Exames complementares são desnecessários na maioria das vezes.

Segundo a International Headache Society (IHS), a cefaléia é classificada em três grandes grupos: as cefaléias primárias, as secundárias e as neuralgias ou dores faciais. As primárias, mais freqüentes, são responsáveis por 80% a 90% dos casos e não têm uma causa definida, sendo os tipos mais comuns a cefaléia tensional e a enxaqueca.

A cefaléia tensional geralmente é desencadeada por problemas emocionais, como briga entre colegas, separação dos pais ou baixo rendimento escolar. Está relacionada com estresse, ansiedade, depressão e fatores psicológicos associados. A dor é geralmente bilateral, nas têmporas e no pescoço. Pode durar minutos ou várias semanas. A orientação familiar é fundamental para uma melhora na rotina diária, sendo muito importante um acompanhamento psicológico. Também é possível usar medicações para controle da depressão e da ansiedade de maneira profilática.

A enxaqueca, outro tipo de cefaléia primária, se caracteriza por episódios recorrentes de dor, cuja intensidade varia de moderada a forte. É freqüente na infância, em torno de 5%, mas salta para 15% a 20% na adolescência com predomínio no sexo feminino. A duração das dores varia de 2 a 72 horas, acompanhadas de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Tem componente genético e incidência familiar importantes e melhora com repouso breve ou sono. Cabe ressaltar que muitos casos de dores abdominais recorrentes, vertigem paroxística e vômitos cíclicos em crianças de baixa faixa etária (chamadas de síndromes periódicas da infância), são considerados como precursores da enxaqueca.

O tratamento está baseado na melhoria da qualidade de vida. Seus pilares fundamentais são uma dieta adequada e horas de sono e exercícios físicos coerentes. Uma boa orientação familiar, mostrando a benignidade do quadro, é muitas vezes o suficiente para o sucesso terapêutico. Apesar disso, há casos em que a enxaqueca compromete a rotina de vida dessas crianças e é preciso adotar, ainda, o tratamento com medicamentos.

Já as cefaléias secundárias ocorrem devido a uma lesão estrutural definida causada por inflamação, infecção, deslocamento ou destruição das estruturas que são sensíveis à dor. É o caso da meningite, da hidrocefalia, do tumor cerebral, e outras. Estas são bem menos freqüentes e devem receber tratamento individual e específico de acordo com o diagnóstico.

Extremamente raras são a neuralgias cranianas e as dores faciais na criança, sendo a mais comum à neuralgia do nervo trigêmeo. Seu tratamento pode ser com o uso de medicações e acupuntura, podendo chegar, em casos extremos, a necessidade de uma descompressão cirúrgica.

Restrita a poucos especialistas no Brasil, a neuropediatria é uma área da Medicina que vem crescendo nos últimos anos. Seus avanços significativos permitem diagnosticar e tratar muitas patologias desde o nascimento até a adolescência.

Paulo Breinis é médico chefe do setor de Neurologia Infantil do Hospital São Luis, do Hospital da Criança e do Hospital Santa Isabel. Foi Professor do Departamento de Pediatria e Chefe do Pronto-Socorro Infantil da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo por 14 anos.


Quem é o colunista: Paulo Breinis é neuropediatra, responsável pelo serviço de neuropediatria do Hospital São Luiz.
O que faz: Neurologia.
Pecado gastronômico: Frutos do mar.
Melhor lugar do Brasil: Fernando de Noronha.
Fale com ele: paulobreinis@uol.com.br ou marketing@saoluiz.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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