Guia da Semana

Faculdade de dois anos dá resultado?

A Petrobras não aceita graduados em cursos de dois anos para trabalhar. Mesmo assim, conhecedores na área afirmam que as aulas formam bons profissionais

Foto: Getty Images


Para quem sonha em trabalhar na Petrobras, deve ficar atento aos pré-requisitos. A companhia não permite em seus concursos a participação de pessoas que fizeram faculdade de dois anos, dando preferência aos técnicos e bacharéis, pois esse perfil não se encaixa no tipo de profissional que eles procuram. Veja a posição oficial da empresa:

"A companhia avalia que os profissionais com título de bacharel, por possuírem uma formação mais completa, são aqueles que atendem plenamente às exigências inerentes às atividades da Petrobras. O plano de cargos da Petrobras prevê a contratação de profissionais de nível médio e nível superior para preenchimento dos cargos, não inclui tecnólogos".

De qualquer forma, qual é o perfil de uma faculdade de dois anos? Aulas voltadas para a prática do mercado. Esse é o grande objetivo desses cursos, que formam Tecnólogos em determinada função. Apesar do veto da Petrobras, o aluno com o título pode tentar emprego em qualquer lugar (desde que siga o edital da vaga) e pode, inclusive, seguir em frente para uma pós-graduação, mestrado e doutorado.

Entenda a diferença
? Tecnólogo (Ensino Superior) - Formado pela faculdade de curta duração. Essa graduação desenvolve competências mais complexas que o técnico e possui menor grau de teoria que o bacharelado, aprofundando-se numa área específica. O tecnólogo pode gerenciar equipes de trabalho, realizar pesquisa aplicada, construir e gerir seu próprio negócio.

? Bacharel (Ensino Superior) - Realiza a graduação de longa duração. Há aplicação mais profunda de diversas teorias.

? Técnico - Realiza cursos para exercer atividades em empresas e instituições, com conhecimento suficiente para o desenvolvimento qualificado.



Paulo Roberto Wollinger é coordenador da Regulação da Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação e explica que a Constituição Federal reconhece os cursos de dois anos, também chamados Cursos Superiores de Tecnologia, pelo artigo 205, além dos artigos 39 a 42 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, da Lei Federal 8948 e do Decreto 2208. Tantos números servem para comprovar que essas faculdades estão aprovadas pelo MEC. Ele conta que, entre os 22 mil cursos de graduação brasileiros, 3.500 são tecnológicos, representando uma parcela de 16%. Mesmo assim, para que haja a real consolidação, é preciso que esse valor cresça para 40%.

As aulas devem ter carga horária mínima variando entre 1.600 e 2.400 horas, sem contabilizar tempo de estágio. De qualquer forma, tempo na sala de aula não representa qualidade dos cursos que, segundo Wollinger, pode ser observada pela infra-estrutura existente nas faculdades. Além disso, o ENADE está de olho, fazendo as avaliações necessárias. É importante lembrar, ainda, que universidades federais e Cefets - Centros Federais de Educação Tecnológica - também oferecem as aulas em pouco tempo.

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Andressa Vieira Viçoso, 25 anos, é aluna de Gestão em Marketing e realiza estágio. Graduada em turismo, ela procurava por uma formação acadêmica que a ajudasse a mudar de área, mas achou que quatro anos seria muito tempo. "A principal diferença entre as faculdades de quatro e dois anos é que a última é voltada para as práticas de mercado, enquanto a primeira trabalha mais a teoria", lembra. Por esse motivo, ela indica o curso para quem já possui uma formação e queira completar os seus estudos, para que o embasamento teórico não fique em falta, tal como o tempo para digerir o material que foi transmitido em aula. Por fim, ela acrescenta que é ideal para quem tem uma forte visão de mercado.

O coordenador de programas de formação da Faculdade IBTA, Febronio Bonfim Alves, explica que os resultados do aprendizado vão depender do interesse do aluno, mas os benefícios incluem uma boa preparação para o mercado de trabalho num tempo menor do que um bacharel que, além dos quatro ou cinco anos de estudo, ainda deve passar pelo estágio. "O ensino é intenso não apenas pelo tempo, mas porque essas são as características fundamentais da graduação de curta duração, ou seja, dar grande intensidade a um determinado assunto ou área de conhecimento", diz.

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As graduações que podem ser realizadas em dois anos envolvem engenharia mecânica e de construção, eletroeletrônica, informática, biotecnologia, prestação de serviços, setores de comércio e serviços (em expansão), química, comunicação e marketing, transportes, entre outras. Os interessados nessas aulas vão desde recém-chegados do Ensino Médio até profissionais que querem se especializar ou atualizar em determinado assunto. Quanto ao mercado de trabalho, Bonfim lembra que o índice de empregabilidade para os alunos que se formam no IBTA é de 94%. É importante ressaltar que o PROUNI, sistema de bolsas em universidades, também é válido para o cursos de tecnologia, basta realizar a inscrição pelo site do MEC (prouni-inscricao.mec.gov.br/prouni).

Coordene o seu tempo
Trabalhar, estudar muito, morar sozinha e ter vida social parece difícil, mas a estudante Andressa dá algumas dicas. Veja:

"1 - O metrô é um bom lugar para fazer resumos de livros e trabalhos para casa, não mexe tanto quanto o ônibus.
2 - No trabalho, almoçar uma hora inteira é impossível, eu almoço rapidinho e estudo o tempo que sobra. Se você estuda todo dia um pouco, consegue deixar de acumular tanta matéria no período de provas.
3 - Para ter vida social eu deixo de fazer alguma coisa, tento priorizar minhas necessidades e saio com meu namorado, amigos ou faço nada (ócio criativo também é necessário). Não ter nada para fazer não existe para quem leva uma vida como a minha, por isso o importante é saber quando deixar de fazer algo, sem culpa."




Atualizado em 6 Set 2011.

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