Guia da Semana

Fazendo a diferença

Em meio a enxurrada de candidatos e propostas pouco comuns, jovens participam da política

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Dia do atleta de sinuca e bilhar, do torcedor corintiano, do "para sempre Raulzito" (homenagem ao cantor Raul Seixas). Proibição do ato de fumar ao volante e a obrigatoriedade das casas noturnas oferecerem água durante a balada. Criação de uma calçada da fama na rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Estas são algumas das leis - aprovadas - propostas pelos vereadores entre os anos de 2005 e 2007. Basta fazer uma consulta ao site da Câmara para verificar mais exemplos de projetos do tipo. De acordo com o Movimento Voto Consciente, só 24% dos projetos aprovados pelos vereadores, na cidade paulistana, podem ser considerados como relevantes para toda a sociedade.

Este ano, as eleições municipais, em São Paulo, contam com candidatos do naipe do cantor Netinho de Paula (PCdoB) e do apresentador Sérgio Mallandro dividindo espaço com os veteranos Paulo Maluf (PP) e Doutora Havanir (PTC), na disputa pelos cargos de vereador e prefeito. Até um suposto "filho" do doutor Enéias, Luciano Enéias Martines Nantes Soares (PTN), apareceu afim de uma vaguinha no poder. Para a estudante Eliane Silva, de 19 anos, a participação destes candidatos, uma mescla de entretenimento e seriedade, é "Hilária. Mas boa sorte pra eles. Se eles quiserem melhorar alguma coisa, de verdade".







O voto consciente dos jovens entre 16 e 25 anos é essencial para ajudar a eleger os representantes do povo pelos próximos quatro anos. "Eu ainda não votei. Mas tirei meu título de eleitor e tenho prestado atenção no assunto assistindo e lendo jornais. Às vezes acompanho o horário político para ajudar a escolher um candidato", diz Carolina Marcon, de 18 anos. Escolher um partido político que traduza as idéias de jovens eleitores ou que querem se eleger não é tarefa fácil. Ainda mais quando as regras para filiação são acertadas pelos próprios partidos. Ruslan Stuchi, 24 anos, concorre pela primeira vez ao cargo de vereador pela cidade de São Bernardo do Campo. Para ele, a opção pelo Partido Verde se deu após a análise dos ideais e da trajetória do partido, que coincidem com os seus, como a luta por um desenvolvimento sustentável que permita melhorias na qualidade de vida. O interesse pela política, para o jovem advogado, surgiu na infância, quando "gostava de assistir aos debates dos candidatos pela televisão". Ele participava de grêmios nos colégios e, ao chegar à faculdade de Direito, viu a vocação para a vida política se consolidar ao "tomar atitude e ajudar as classes menos favorecidas, tornando-me representante do legislativo na cidade".
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Juventude, juventudes: o que une e o que separa

De olho na Lei






Uma juventude com preocupações diversas logicamente encara a política de maneiras diferentes. Há tanto os que preferem não incluir política como o assunto principal da conversa entre amigos quanto os engajados, como os que se reuniram, durante um sábado chuvoso, em um evento organizado pela União Municipal do Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes) - que representa três milhões de estudantes - para conhecer o projeto da candidata à Câmara Municipal, Lídia Côrrea (PMDB) e debater temas como o direito a meia-entrada em cinemas, shows e teatros, mudanças na educação além de outros temas. Nem por isso, jovens de ambos os grupos deixam de reparar na gatinha ao lado ou de trocar dicas sobre cabelos, dietas e afins. "Estamos vivendo um momento histórico, em que o individualismo e o consumismo perturbam as ações coletivas. Ao mesmo tempo, aqueles jovens que percebem a estranheza de um mundo que cobra o imediatismo acabam não aceitando a situação e por isso buscam meios de alterar a sociedade", diz Ana Maria Camargo, professora de Cultura Brasileira na Faculdade Cásper Líbero. Dizem que a participação dos jovens na política está cada vez mais distante hoje em dia. Para o professor João do Prado, professor do curso de Pedagogia na Universidade Mackenzie, no entanto, a história não é bem assim: "Há um mito em torno desta questão. O modo de participar é basicamente diferente. Enquanto os jovens, no período ditatorial, filiavam-se a partidos com um discurso diferente dos militares, os de agora optam por atuar em organizações não governamentais, de fundo ambiental, por exemplo. Mas isso não quer dizer que um grupo tenha como característica pensar mais coletivamente do que outro", afirma. E como carregar o peso de decidir por quais caminhos ir sem deixar de curtir a vida? "Muita gente cobra do jovem porque ele é o futuro. O jovem é responsabilizado, mas consome aquilo que foi posto dentro de toda uma estrutura vinda do capitalismo financeiro e vive o agora, aliás, tem que viver", diz a professora Ana Maria. Procurar uma maneira de praticar a política nas ações cotidianas, nas relações pessoais e profissionais é um começo. A pesquisa , publicada em 2006 pela Unesco, mostra exatamente isto: 13 milhões de brasileiros que participam ou já participaram de movimentos sociais diversos. Se o interesse pelos assuntos políticos, de uma forma ou de outra, ainda desperta a atenção de alguns jovens, o mesmo não pode ser dito em relação ao número de candidatos que pretendem disputar uma vaga de vereador ou prefeito. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a disputa eleitoral em todo Brasil , em 2008, contará com 2.930 possíveis candidatos com idade entre 18 e 20 anos e 9.581 na faixa dos 21 aos 24 anos, do total de 381.586 candidatos. Em 2004, os números foram de 2.757 e 10.309, respectivamente. O município de São Paulo tem apenas um possível candidato entre 18 e 20 anos e 13 entre 21 e 24 anos. Segundo a regra do TSE, citada no artigo 14 da Constituição, a idade mínima para concorrer à Câmara Municipal é de 18 anos, e à Prefeitura, 21 anos.
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Jovens e Política
Na história atual, a relação da juventude com a política remete ao período em que o Brasil (e outros países sul-americanos, como o Chile) esteve sob a guarda dos militares (1964-1984) e a repressão empreendida contra tudo que fosse contrário às ordens impostas pelo governo era forte.

Com o fim do regime ditatorial, em parte devido à militância estudantil, as eleições diretas e o retorno à democracia, o encantamento dos jovens com partidos políticos diminuiu, basicamente porque o discurso ideológico deixou de, aparentemente, fazer sentido.


Colaborou: Talita Xavier

Atualizado em 6 Set 2011.

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