Guia da Semana

Filho de peixe

Alguns preferem seguir os caminhos dos pais, outros querem independência. A escolha da profissão ainda é tabu para algumas famílias

Foto: Getty Images

Se não bastasse a dificuldade em escolher uma carreira, muitos jovens sofrem com a pressão dos pais, que querem que seus filhos sigam os mesmos passos escolhidos por eles. À primeira vista, a mãozinha amiga na hora entrar no mercado de trabalho pode parecer providencial. Mas isso pode se tornar um problema quando em vez da ajuda e incentivo, a família começa a empurrar alguém para determinada profissão ou negócio.

Exemplos famosos existem aos montes, como o da a modelo Yasmin Brunet, filha de Luiza Brunet, que assim como a mãe, vem fazendo muito sucesso nas passarelas. No mundo da música, Sandy e Junior Lima, dois irmãos muito bem-sucedidos, após adotarem a mesma linha do pai, o cantor sertanejo Xororó. Mas fora do show biz, apesar das vantagens óbvias, será que vale a pena seguir a mesma profissão do pai ou da mãe?

Seguindo os passos

Como já diz o velho ditado "filho de peixe, peixinho é". E isso pode ser motivo de orgulho para alguns pais. Mas às vezes, seguir os passos da família pode se tornar uma grande polêmica. É o que vem acontecendo na casa da estudante Natália Oliveira de Souza, 18 anos. Observando a trajetória de seu avô, pai e tios, todos militares, a garota cultivou desde criança desejo de ingressar para a academia de polícia e hoje aguarda o resultado do concurso para a Polícia Militar de São Paulo.

"Eu sempre fui a filhinha do papai, a menininha. Meu avô já se ofereceu pra custear qualquer faculdade que eu queira fazer, mas quem disse que eu quero? Cresci brincando dentro do quartel, vendo meu pai de farda, contando casos do dia-a-dia. O engraçado é que ele me apoiava quando eu era pequena, achava bonitinho enquanto não tinha nada certo, mas agora viu que é pra valer. Acho que ele não quer que eu passe pelas dificuldades que eu passei", afirma a jovem.

De jeito maneira

Já o clima na casa de Breno Dias, 17 anos, é um pouco diferente em comparação ao da aspirante a PM. Seu pai é economista e quer que ele siga seus passos e toque a consultora de negócios da família. "Construí tudo que temos ao longo de muitos anos e pretendo deixar tudo isso para meu filho. Mas, infelizmente, esse não é o caminho que ele pretende seguir. Ele ainda muda de idéia. Uma hora a ficha cai", diz o pai Armando, enquanto Bruno faz planos de estudar música e montar uma banda de heavy metal.

Foto: Getty Images

O garoto, que completará o colegial no final do ano que vem, já se prepara para o próximo vestibular. Mas no lugar das angústias das questões de química, o que vem tirando o seu sono é a dúvida de qual curso prestar, enquanto seu pai tenta arrastá-lo de volta para os números. "Ele está sempre querendo me levar no escritório, me ensinar coisas do ramo. O trabalho dele é chato, burocrático. Sempre gostei de cantar e tocar instrumentos. O fato do meu pai duvidar que eu possa vencer na vida assim me motivou. Ele vai fazer de tudo para que eu preste economia, mas não há chance", afirma Bruno, irredutível.

Segundo o psicoterapeuta Léo Fraiman, em casos como esse, pode-se dar uma chance à experiência dos pais e não encarar a possibilidade de seguir a sua profissão como algo completamente negativo. "Em caso de dúvidas na escolha, passe alguns dias das férias, por exemplo, fazendo um estágio no negócio familiar, ou conhecendo sua profissão. O fato da família ter uma construtora de um certo ramo não significa que o filho precise cursar engenharia, por exemplo. Ele pode fazer outro curso que o habilite a exercer uma função na estrutura do empreendimento".

Conversar é o melhor remédio

Se está rolando algum tipo de desentendimento em casa na hora de escolher a profissão, o melhor a se fazer é realizar um bate-papo franco. Alguns pais procuram escolher a profissão dos filhos, pois foram bem sucedidos em suas áreas e desejam o melhor para eles. Em contrapartida, o outro lado deve analisar bem a carreira que pretende seguir e tentar encontrar o caminho que mais se identifica, para expor isso ao resto da família de uma forma positiva.

"É comum ouvir uma série de mitos e crenças sobre cada uma das profissões, como ´Medicina é uma área maravilhosa´, ´É muito difícil encontrar emprego em Jornalismo´ou ´Economia dá muito dinheiro´. É claro que todos, pais, professores e amigos têm o direito de emitir opiniões. Aprenda a escutá-los, mas também filtre o que você ouve", aconselha Léo.

Atualizado em 6 Set 2011.

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