Guia da Semana

Grandes vozes para os pequenos

O mercado consumidor infantil tem um grande potencial. No ramo fonográfico, não podia ser diferente. Artistas do calibre de Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro buscam novas sonoridades para atrair a criançada

Tem para gostos e estilos diferentes, do rock à MPB, da psicodelia ao axé. Muito além do Atirei O Pau No Gato ou Tindolelê, o mercado fonográfico infantil mudou na última década, acompanhando a nova geração. Elas não se contentam com pouco e não gostam de serem tomadas por ingênuas. Os artistas notaram também.

Foto: Getty Images


De acordo com a ABPD - Associação Brasileira de Produtores de Disco, dentre os 20 CDs mais vendidos em 2008, apenas dois podem ser destacados como "próximos" da indústria infantil: Sandy & Junior Acústico MTV e High School Musical 3. A lacuna precisa ser preenchida. "É um mercado extraordinariamente grande e que tem potencial para se expandir muito ainda no Brasil, não apenas por meio do lançamento físico, mas também do digital, dos shows e das marcas relacionadas ao produto", aposta o produtor da EMI.

Já Wagner Vianna, produtor musical da Warner Music Brasil, afirma que a maior preocupação atual do mercado é realizar trabalhos compostos por mensagens educativas e espertas, com foco na faixa etária de 2 a 7 anos, sem esquecer do elemento diversão. Outro grande desafio, como apontado por Kelly, é agradar aos pais, já que eles escolherão o que os filhos terão acesso, assim como o que ocorre na indústria de desenhos e filmes infantis. "Seus gostos também influenciam, pois as crianças se atraem pelo que eles ouvem", completa.

Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá...

Mas a ideia de apostar nessa fatia pouco explorada do público não é novidade. Grandes compositores já se arriscaram e acertaram em cheio, como Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Toquinho. Álbuns como Arca de Noé (Vinicius), Toquinho no Mundo da Criança, Saltimbancos (parceria de Chico com Turma do Balão Mágico) e até O Grande Circo Místico - que não era um trabalho voltado para crianças - marcaram a infância de muita gente.

Foto: Divulgação Palavra Cantada / Arnaldo J.G. Torres



Os ouvintes desses títulos são os pais de hoje, que buscam para seus filhos mais do que letras fofinhas e melodias sem sal. Entre o fim da década de 80 e meados de 90, além de "Xuxas" e "Mara Maravilhas", os pequenos se divertiam também com nomes da música baiana como É O Tchan, de sonoridade diferente se comparada ao que é oferecido atualmente. "Mais do que o aspecto musical, a mentalidade das crianças mudou e a forma com que elas experimentam a música também, especialmente em função da internet", analisa Victor Kelly.

Para Wagner Vianna, as crianças consomem o produto com uma mente mais aberta do que antes. "Vejo pelas minhas filhas, de 5 e 14 anos. Elas já chegam no mundo com um 'novo chip' e as novas tecnologias e ótimos programas exibidos na TV fechada garantem outro tipo de olhar e ouvido". Até mesmo a Rainha dos Baixinhos buscou uma nova maneira de dialogar e encantar seus fãs. Aqueles que a ouviam no auge de sua carreira, impulsionada pelos sucessos Ilariê e Marquei um Xis, agora gritam suas músicas em festas trash ou comemorações de formatura. Os novos foram conquistados pela série Xuxa Só Para Baixinhos, lançado pela primeira vez em 2000. Com nove DVDs, o conjunto já vendeu mais de 6 milhões de cópias, de acordo com a Som Livre.

Futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola...

Impulsionados por produções estrangeiras veiculadas na TV a cabo, a indústria musical infantil brasileira se viu diante de um novo projeto, intitulado Palavra Cantada. Criado em 1994 por Sandra Peres e Paulo Tatit, o conjunto reacendeu a busca por linguagens lúdicas que não subestimassem os ouvidos das crianças. "Sempre temos que pensar na qualidade do que é produzido quando fazemos algo para criança, pois ela repetirá o que está ouvindo", diz Sandra. Em 2010, eles planejam cinco volumes do Livro de Brincadeiras Musicais do Palavra Cantada.

Foto: Myspace.com Pequeno Cidadão


Outro exemplo que despontou recentemente é o projeto Pequeno Cidadão, de Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto. A criação de um CD psicodélico era paixão antiga dos músicos. "No primeiro encontro, percebemos que já tínhamos metade do disco composto, com músicas que cada um fez pros filhos nos últimos 20 anos", conta Taciana. O restante foi feito durante as gravações e junto dos próprios rebentos. "Sempre cantamos para eles e inventamos temas para hora de dormir, comer, estudar, brincar. Transformar essas ideias em CD e ver que outras crianças estão curtindo, cantando e dançando é incrível", completa Taciana.

Adriana Calcanhotto, que assumiu o alter ego Partimpim, vendeu mais de 300 mil DVDs e 170 mil CDs com ideias simples. Os amigos Ivete Sangalo e Saulo Fernandes acabam de lançar o disco A Casa Amarela e Jair de Oliveira (ex-Balão Mágico) retorna às raízes infantis, inspirado pelo nascimento da filha Isabela, com o livro/CD Grandes Pequeninos. Gabriel, O Pensador está preparando o primeiro trabalho infantil e Zeca Baleiro está em fase de finalização do projeto que possui há mais de dez anos. Com letras irreverentes, ele contará com o apoio de Frejat, Pato Fu, Moska e outros nomes da MPB.

Conheça aqui cinco títulos lançados recentemente.

Atualizado em 1 Dez 2011.

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