Guia da Semana

Inclusão no Museu

Boneca com as feições de uma criança com Síndrome de Down entra para acervo do Museu Histórico Nacional

Andréa Barbi e Audrey Bosio com a Turma da Clarinha
Foto: Reprodução/Site Oficial


A Turma da Clarinha é uma coleção de bonecas com as características físicas de uma criança com Síndrome de Down (SD). A idéia veio da experiência de Andréa Barbi e Audrey Bosio, mães de crianças com Down.

O nome da boneca surgiu da personagem Clarinha, interpretada pela atriz-mirim Joana Mocarzell em Páginas da Vida, novela exibida pela Rede Globo entre os anos de 2006 e 2007. O folhetim debatia algumas questões relativas à inclusão das pessoas com SD na sociedade.

O projeto foi elaborado para que crianças com a síndrome pudessem se identificar com o brinquedo e crianças sem a síndrome pudessem crescer conhecendo a diversidade humana, ou seja, seu objetivo principal é colaborar para a inclusão social do Down.

Relevância

Segundo Andréa Barbi, o brinquedo, além de divertir, é uma forma de educar a criança, "brincar com bonecas ajuda a criança a conhecer o meio ambiente e transmite para ela a vivência do seu próprio ser. A boneca se converte em sua companheira, transmitindo presença humana, fazendo com que a criança não se sinta só". Para ela, através deste brinquedo, os pequenos aprendem a conviver com outras pessoas e a crescer na diversidade humana.

Para a psicopedagoga Edimara Lima, é importante a existência de brinquedos com características Down, já que a maioria dos bonecos vende uma imagem que não condiz com a realidade. No mundo dos brinquedos, os homens são atléticos, fortes e corajosos, enquanto as mulheres são loiras, magras e quase andróginas. "Ao crescer manipulando bonecos com tais padrões, as crianças tendem a procurar a mesma imagem na vida adulta". Já na adolescência, as garotas buscam um corpo esbelto e os rapazes malham na academia para aumentar seus músculos. Os que não seguem o padrão se sentem excluídos.

Porém, a opinião de Fábio Adiron, pai de uma criança com Down e estudioso do assunto, é diferente. "Acho que as pessoas precisam construir sua identidade como seres humanos, se todos fossem igualmente valorizados - e na minha casa são -, esse tipo de reforço seria absolutamente dispensável". Mas, Adiron recomenda a boneca a crianças sem deficiência, para que assim possam aprender a conviver com outros tipos de pessoas.

As diferenças

Edimara Lima é diretora pedagógica de uma escola inclusiva e, baseada em seus 27 anos de experiência na área, diz que as crianças não rejeitam o que é diferente. "Há estranhamento, mas não há rejeição. Para a criança, a única diferença dela para outra com Down é o rosto, mas isto não é problema se a escola tem pessoas de diversas etnias". Ela ressalta que os pequenos precisam conviver com vários tipos de pessoas para ver que as diferenças são naturais.

Sobre o ensino de crianças com SD, a diretora faz uma denúncia, diz que a maioria das escolas não aceita alunos com a síndrome, principalmente, porque estes estudantes não se destacam em exames como o ENEM. O baixo resultado seria danoso para a instituição, pois não geraria boa publicidade.

Claro que as capacidades física, de linguagem e de aprendizado são diferenciadas, porém, a criança precisa ter muito apoio e estimulação de seus pais e do ensino, assim, ela pode progredir como qualquer outra. A inclusão começa em casa, por exemplo, a criança não deve ter coisas diferenciadas ou ser tratada de "modo especial", ela precisa apenas se sentir uma pessoa como qualquer outra.

No final das contas...

As mães sentem que a resposta das pessoas para a criação de Clarinha está de acordo com o desejado. A demanda pelo brinquedo é satisfatória e ele é utilizado por escolas e faculdades como material de trabalho sobre questões relativas à síndrome. Além disto, a boneca entrou para o acervo do Museu Histórico Nacional por ser a primeira boneca industrializada no mundo com características da SD e com projeto de inclusão social através do lúdico.

Mais de 11 mil unidades foram vendidas. Segundo Andréa Barbi, as bonecas ainda estão no mercado e a dupla recebeu propostas de vendas em Portugal, Argentina e Chile.

Em uma busca por lojas da cidade, o Guia da Semana não encontrou Clarinha nas prateleiras, mas segundo Barbi, quem quiser ter os bonecos da Turma da Clarinha pode encontrá-los em algumas lojas, como Americanas, Armarinhos Fernando e PB Kids, o preço médio é de R$ 60 e a renda arrecadada vai para o Hospital Darcy Vargas.

Saiba Mais

O que é a Síndrome de Down?
Em cada célula humana existem 46 cromossomos divididos em 23 pares. A Síndrome acontece quando um cromossomo extra se liga ao 21º par, isto se dá logo no começo da gravidez.

Origem do nome
Quem identificou esta anomalia foi o médico inglês Langdon Down, que, a partir de então, ficou conhecida como Síndrome de Down

Características físicas
Orelhas menores, nariz largo e arredondado, maior distância entre o dedão do pé e os demais dedos, dedos mais curtos, flacidez muscular e olhos meio puxados, em formato de nozes, semelhante ao de pessoas da Mongólia, daí vem a denominação "mongolóide". Atualmente, este nome ganhou conotação pejorativa.

Diagnóstico
Se, ao olhar o bebê, o médio observa as características citadas acima, pede que seja realizado um exame específico para análise dos cromossomos.





Fontes:

Andréa Barbi
Junto com Audrey Bosio, criou a Turma da Clarinha

Fábio Adiron
Moderador do Grupo Síndrome de Down no Yahoo Groups
Membro da Comissão Executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva

Edimara Lima
psicopedagoga e diretora pedagógica
Escola Prima Montessori - São Paulo
tel: 5563-1392

Atualizado em 6 Set 2011.

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