Guia da Semana

Lendas do folclore brasileiro

Personagens fantásticos transmitem valores de conduta moral em histórias mirabolantes

Foto: Marcos Penteado
Caipora e Saci em um dos episódios da série Castelo Rá-Tim-Bum, na TV Cultura

Quem nunca ouviu a avó dizer que se aquele brinquedo sumiu é porque foi o Saci que escondeu? O dia 22 de agosto é dedicado ao folclore. Esse é um gênero popular formado por costumes, tradições e lendas de um povo. São aspectos transmitidos oralmente de geração em geração. As lendas são narrativas fantasiosas, que combinam fatos históricos com imaginação. Elas não tem autoria, não são apropriadas pela elite e tampouco oficiais. Transmitem valores culturais e oferecem explicações fantásticas para acontecimentos sem comprovação.

Foto: Marisa Cauduro
Saci-Pererê aprontando uma de suas travessuras com Nino, o protagonista da série Castelo Rá-Tim-Bum

Mais recentemente, as lendas foram perpetuadas com a ajuda de outros meios, como a televisão. Em Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, que ganhou adaptação pela primeira vez na telinha em 1952, na extinta TV Tupi, resgatava a Cuca e Saci. Já nos anos 90, a TV Cultura apresentou a série pedagógica Castelo Rá-Tim-Bum, em que tinha como um dos personagens principais a Caipora. As lendas do folclore chegaram até Ziraldo com A Turma do Pererê (1959) e Maurício de Souza na Turma do Chico Bento. O Guia da Semana relembra algumas das lendas infantis mais conhecidas do folclore brasileiro.

O Moleque Danado
TV Globo/Divulgação
Saci-Pererê (Fabrício Boliveira)
no Sítio do Picapau Amarelo

Você sabia que o Saci-Pererê era um curumim endiabrado, com duas pernas e um rabo? A lenda sofreu algumas alterações no norte do Brasil, com a influência da mitologia africana, transformando-o em um negrinho de uma perna só. Como foi que isso aconteceu? Lutando capoeira! Herdou o cachimbo da cultura africana e o gorrinho vermelho, ou píleo, da mitologia européia. O Saci gosta é de uma boa farra, se diverte aprontando mil e uma travessuras com pessoas e animais. Segundo a lenda, ele nasce nos gomos de bambu, viveu sozinho na floresta durante 77 anos e, depois, se transformou em cogumelo venenoso. O Saci pode ser encontrado por seu assobio ou nos redemoinhos de vento. Para capturá-lo basta jogar uma peneira sobre ele, retirar o capuz para garantir sua obediência e guardá-lo dentro de uma garrafa. Agora você já sabe o que fazer caso encontre com um Saci por aí!

A Mulher amaldiçoada e arrependida

Corpo de mula, fogo no lugar da cabeça, ferraduras de prata e galope desenfreado. Essa é a Mula sem cabeça, uma mulher amaldiçoada por se apaixonar por um padre. Ela assombra vilarejos que rodeiam uma igreja. Em noites de quinta para sexta-feira, a mulher se transforma na besta e corre loucamente até o terceiro cantar do galo. Para acabar com o encantamento, o cabresto deve ser retirado. Essa lenda é muito comum nas áreas rurais e tem apelo de conduta moral e religiosa.

O Bicho do Sono
TV Globo/Divulgação
Cuca (Jacira Santos)
no Sítio do Picapau Amarelo


A Cuca é um dos principais seres do folclore brasileiro. A lenda é originária da cultura portuguesa, transmitida na época da colonização. Trata-se de uma velha feia e solitária com forma de jacaré, que rouba criancinhas desobedientes que não querem dormir cedo. Ela vive em uma caverna escura e dorme uma noite a cada sete anos. Esse personagem, também conhecido por Bicho-Papão, ficou ainda mais popular por causa dos livros do escritor Monteiro Lobato. Uma das cantigas mais famosas que se referem à Cuca é " Nana, neném / Que a Cuca vem pegar / Papai foi pra roça / Mamãe foi trabalhar/ Bicho-papão sai de cima do telhado / deixa dormir o menino sossegado".

O Protetor do Mato

O Boitatá é a cobra de fogo que protege os campos contra as queimadas. Há quem diga que o personagem foi citado em um dos textos do padre José de Anchieta, em 1560. Diz a lenda, surgida no Rio Grande do Sul, que depois de um grande dilúvio em uma noite de breu uma cobra saiu para caçar faminta. De tanto comer os olhos dos animais, ficou iluminada. Por isso, se o Boitatá aparecer feche os olhos e fique quieto até ele ir embora. No nordeste, a lenda também é conhecida como "fogo que corre".

(!) Há uma possível explicação científica para essa lenda. Quando um corpo orgânico entra em putrefação, ocorre a emissão do gás metano (CH4). Dependendo das condições de pressão e temperatura, o metano ao entrar em contato com o oxigênio do ar inflama espontaneamente, sem necessidade de faísca. A chama, vista de longe, parece algo em movimento.



A Encantadora das Águas
TV Globo/Divulgação
Iara (Juliana Galvão)
no Sítio do Picapau Amarelo


A mãe das águas, uma sereia de longos cabelos que costuma se banhar no rio, canta uma melodia irresistível. Os homens não resistem ao encanto de Iara e mergulham ao seu encontro. Quase sempre não voltam vivos, os que conseguem, ficam loucos. Essa lenda assombrava os índios, que evitavam os lagos ao entardecer. A lenda conta que os irmãos de Iara tentaram matá-la por inveja, mas ela conseguiu escapar e os matou. Seu pai a puniu, jogando-a no encontro dos rios Negro e Solimões. Os peixes trouxeram o corpo de Iara para a superfície e a lua cheia a transformou em sereia.


O Menino dos pés invertidos

O Curupira é um anão de cabelos compridos e vermelhos que tem os pés virados para trás. Essa é sua ferramenta mais útil para pregar peças nas pessoas perdidas nas matas. Elas seguem as pegadas e vão sempre para o lado errado, normalmente chegam a lugar nenhum. Isso serve também para o Curupira proteger a floresta, espantando os caçadores e lenhadores que não respeitam a fauna e a flora. Diz a lenda que o Curupira adora descansar à sombra das mangueiras. Costuma levar crianças pequenas para morar com ele, ensinando todos os segredos da mata. Depois de sete anos, ele as devolve aos pais.

Respeitado na Floresta
TV Globo/Divulgação
Caipora (Humberto Carrão)
no Sítio do Picapau Amarelo


O Caipora é parente do Curupira. Vive na floresta e é respeitado por todos os animais. Ele os protege de cães farejadores e caçadores indesejados. Sua tática é simular ruídos da mata, dando falsas pistas. Nas sextas-feiras, nos domingos e dias santos, a proteção é redobrada. Só que o ponto fraco da criatura é o fumo. Diz a lenda que a boa sorte do caçador depende do tanto de fumo de corda que lhe oferecem. No nordeste do Brasil, a figura do Caipora é atribuído à infelicidade.

A Estrela do Rio

Boa parte do folclore brasileiro está ligado às raízes indígenas. Diz a lenda que a indiazinha Naiá implorava para a Lua a transformar em estrela. Um dia, Naiá viu a figura da Lua refletida em um lago e imaginou que ela tinha chegado para buscá-la. Foi aí que a moça se atirou na água e nunca mais foi vista. A Lua, para compensar o sacrifício da índia, a transformou na Vitória-Régia.

O Protetor das Coisas Perdidas

A lenda afro-cristão O Negrinho do Pastoreio defendia o fim da escravidão. Muito popular na região sul do Brasil, diz-se que havia um fazendeiro que maltratava os negros e peões. Um dia ele espancou um menino de catorze anos e o prendeu nu sobre um formigueiro depois de dar falta de um cavalo. No dia seguinte, o fazendeiro encontrou o menino, sem nenhuma marca, ao lado da Virgem Nossa Senhora. Ele suplicou perdão, mas o menino não respondeu, apenas partiu a galope. O negrinho é sempre lembrado montado em seu cavalo perdido.

Atualizado em 1 Dez 2011.

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