Guia da Semana

Lugar incomum

O que antes era símbolo de rebeldia, hoje é moda e enfeita o corpo de muitos jovens

Antes, há mais de cinco mil anos, as aplicações de jóias no corpo eram usadas como expressão pessoal e distinção de realeza. Hoje, elas são usadas como moda. Alguns povos centravam as jóias no nariz, como sinal de virtude, outros perfuravam as orelhas e o lábio inferior, o que significava o momento da transição para a vida adulta.

Se há tanto tempo os furos no nariz e na orelha já faziam sucesso, hoje as coisas evoluíram e muito. Esqueça o umbigo, a sobrancelha ou a língua, o negócio agora são partes diferentes do corpo. Partes digamos, inusitadas.

Foto: Gelly Tatoo


Querendo fugir do óbvio e da chance de ter mais uns três na mesma turma com uma jóia no mesmo lugar, muitos resolveram inovar e fazer a aplicação em outros pontos do corpo. Locais como dedo, nuca, costas e gengiva ganharam adeptos e enfeites. "O pessoal vem para colocar na nuca e no dedo. Neste último eles aplicam como se fosse um anel", fala o bodypiercing da Gellys Tatoo, Chris Borges, 36 anos, que há cinco aplica os piercings.

Chris, que com 13 anos fez ele mesmo seu primeiro furo na orelha e aos 30 colocou um piercing no mamilo, fala que as aplicações feitas nesses lugares mais incomuns recebem um nome específico, chamam-se surface. "A jóia não é de ferro, somente as pontas que são. O que passa por dentro do corpo da pessoa é um material que chama PTFE, como se fosse um náilon cirúrgico", explica ele, ressaltando que as peças usadas no dedo, nuca e costas tem que ser apropriadas para o local, já que eles tem muita flexibilidade.

Foto: Site oficial / sapadatattoo


As jóias na boca não perderam seu espaço; a língua foi deixada um pouco de lado, mas deu lugar ao freio - pele abaixo da língua -  e a gengiva. "A molecada vem fazer piercing no freio. Ele é muito fácil de aplicar e um dos que dá menos problema se cuidar direitinho", conta Chris deixando claro que só faz piercing em maiores de 18 anos.

O meu é...

Para a maioria dos jovens, fazer um piercing significa conquistar autonomia perante os pais. Outros tantos vão na onda da moda e pela curtição, às vezes sem nem pensar muito, já que a jóia pode ser retirada se bater um arrependimento.

Isso foi o que aconteceu com Cristina Santos, 17 anos. Cristina fez um piercing nos lábios, curtiu o adorno por algum tempo, até o dia que enjoou. "Quando eu coloquei adorei, nem liguei para dor. Fiquei uns nove meses, depois cansei e tirei", fala a garota que acha que isso aconteceu porque a jóia era muito visível.

Foto: Getty Images


O piercing virou algo muito popular, principalmente para os que já completaram 18 anos e não precisam da autorização dos pais para colocar. Como os locais dedicados a esses penduricalhos cresceram, as pessoas que gostam de ousar acompanharam a tendência. Fernanda Machado, 17, está prestes a colocar seu primeiro piercing. Ela já tem alargadores na orelha e agora escolheu um lugar ousado para aplicar a jóia. "Vou fazer um no genital", revela a menina que tem autorização dos pais para isso. "Eu adoro piercing e achei um lugar diferente para colocar".

O que um dia fez parte de determinadas tribos e também já foi visto como sinal de rebeldia, hoje ganha cada vez mais adeptos e é sinal de atitude e conceito. Fazer um piercing requer mais do que coragem e disposição para enfrentar a dor, ainda mais se o lugar escolhido for um "fora do normal". Ter um piercing é sinônimo de personalidade e acima de tudo responsabilidade.

 Além de se preocupar com o lugar e a jóia, a pessoa tem também que ficar atenta ao período de cicatrização que varia de acordo com o local onde o piercing foi aplicado. Confira o tempo para alguns pontos:
Lábio - 1 mês e 1 semana a 4 meses
Língua - 4 a 6 semanas
Bochecha - 2 a 3 meses
Sobrancelha - 6 a 8 meses
Tragus e septo - 6 a 8 meses
Cartilagem da orelha - 1 ano
Aba do nariz - 2 meses a 1 ano
Umbigo - 6 meses a 1 ano
Mamilo - 4 meses a 1 ano
Lábio interno e clitóris - 4 a 8 semanas
Lábio externo e períneo - 2 a 6 meses
Pênis - 8 semanas
Nuca - 6 a 8 meses
Braço/pulso - 1 a 2 meses


*Alguns nomes foram alterados a pedido dos entrevistados

Atualizado em 1 Dez 2011.

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