Guia da Semana

Mais que um laço de sangue

O amor entre irmãos, mesmo um deles sendo adotivo, brota e é incapaz de ser controlado


Confesso que no começo foi um pouco estranho, ter mais uma pessoa para dividir o banheiro, a casa, o espaço. Quando meu irmão veio morar com a gente ele tinha cinco anos, a história é um pouco complicada. Não escolhemos, foi uma daquelas situações que simplesmente acontecem. Lembro da nossa primeira viagem, eu não sabia muito bem como agir, ainda não o reconhecia como um irmão. A família aumentou de repente, antes éramos quatro.

Já se passaram anos de convívio, agora o levo a escola, me preocupo se ele escovou os dentes ou se penteou os cabelos, sabe, aquelas coisas de irmã mais velha. Inclusive até dou bronca, sempre na parte da manhã, horário que costuma enrolar para fazer as coisas. Às vezes é engraçado como o laço de sangue não representa nada, não diferencia meu irmão biológico do meu "postiço", para mim é tudo igual. O afeto, o carinho, o amor não sabe distinguir se ele tem o mesmo sobrenome que o meu. Eles simplesmente aparecem, assim, sem mais nem menos, não pedem licença para entrar e, quando você menos espera, o estranho, o intruso, passa a fazer parte de algo que você não consegue explicar. Apenas sabe que é um sentimento que supera tudo.


Acho muito legal quando ele me chama de irmã e sempre quando chego em casa do trabalho tem algo engraçado para me contar. Vem logo chamando meu nome e faz questão de me falar o que aconteceu na escola ou se presenciou algo que lhe chamou a atenção. Quando não está em casa, sinto a falta do barulho dele correndo pelos quatro cantos do apartamento, acho curioso como a gente se acostuma com as pessoas.

Dizem que nós não podemos escolher a família, mas eu acredito que escolhemos sim. Quantas vezes já chamamos um amigo de irmão? Acredito que inúmeras. Pelo caminho encontramos pessoas que, às vezes, fazem mais parte da nossa vida do que os ditos familiares. Nunca pensei em adotar uma criança, claro que não agora, mas quando nós temos um dentro de casa, a cabeça muda. Hoje penso que posso ter um filho adotivo. E porque não? O amor brota de tal maneira, que você nem liga para este detalhe. O amor prevalece e o sangue fica em segundo plano.

Quem é a colunista: Aline Genachi, uma paquita frustada.

O que faz: estudante do último ano de jornalismo e integrante da equipe Guia da Semana.

Pecado gastronômico: tudo que tenha chocolate.

Melhor lugar do Brasil: Maceió.

Fale com ela: alinemassias@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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