Guia da Semana

Na era das mídias sociais

A internet ajudou a conectar pessoas mas, ao mesmo tempo, ela as mantém mais distantes também

Foto: Getty Images


Quando eu era adolescente, a internet já existia, viu? E o canal forte era o ICQ (antigo sistema de chat, parecido com o MSN de hoje). Não era muito legal, pois demorava bastante para enviar a mensagem, mas, mesmo assim, a gente se divertia muito. Lembro- me também de várias tardes em que eu ficava nas salas de bate-papo de alguns provedores. Era um passatempo e tanto. Havia os blogs também, mas ele era um diário de verdade: quem tinha, contava o dia a dia, postava poemas e músicas. Ah! A internet era discada e, quando caía, era uma tristeza - só tinha que conectar e começar tudo de novo...


Tudo bem vai, estou ficando velha... Na minha época, ser adolescente na internet não havia muitos recursos a não ser baixar música. Não havia a quantidade de canais que há hoje. MSN eu só fui conhecer quando tinha 17 anos. O Orkut veio em seguida, e depois eu já não sei a ordem das mídias sociais que apareceram. Cresceu tanto que está difícil até de acompanhar. 


Com a era da internet, celular, SMS, webcam, twitter e Facebook, a galerinha dessa geração passa o tempo fora do colégio ligada em algum eletrônico, e a maioria fica navegando na internet. As meninas ficam horas nas salas de bate-papo, Orkut, MSN, acessando sites de revistas com dicas de cabelos, roupas, maquiagens, o que falar e o que usar de sapato, conversando com os amigos, vendo fotos, procurando novas amizades, gatinhos, lendo revistas sobre horóscopos, amores, fazendo testes para saber o par ideal e etc. Já os meninos ficam nos jogos online, youtube, baixando músicas e lendo sobre esportes. Para tudo! Esqueci do smartphone: com ele, a hora do intervalo nos colégios passa a ser online. Uma vez, entrevistei uma garotinha que me confessou que trocava tweets com suas amigas dentro do pátio da escola! Gente, o que é isso? Eu abri a boca quando ela me contou. 


Há necessidade de trocar mensagens virtualmente em um ambiente em que se pode falar pessoalmente? Juro que eu não consigo entender. Na minha época, divertido era conversar, rir e fofocar frente a frente no recreio. Realmente, eu percebi que vivemos na era de Gossip Girl! E eu estou ficando velha mesmo.


Nos namoricos, não trocávamos e-mails mas, sim, cartinhas. Hoje, aposto que nenhum adolescente escreveu uma carta - e tão pouco foi até o correio postar uma. Era tão emocionante! Eu trocava cartas com os paquerinhas, mandava pelo correio ou deixava embaixo do caderno. As minhas amigas do fã-clube do Hanson... nossa! Eu escrevia para todas elas e adorava esperar o carteiro passar para saber quantas cartas eu iria ter que responder. E-mail? Ah, isso só foi ficar interessante na época da faculdade, quando não havia muito tempo para o lazer. E o mundo foi me mostrando o quão frenético estava. E que, automaticamente, eu estaria como ele: mandando torpedo, falando parabéns pelo Orkut e dizendo eu te amo via twitter.

Ok! Tudo bem que eu gosto também de fazer parte das mídias sociais. Escrevo no meu blog, "twitto" alguns pensamentos. Troco e-mail o dia inteiro no trabalho, para os amigos e freelas e também envio vários torpedos para o celular do meu namorado. Para falar a verdade, é mais interessante se comunicar hoje do que na minha época. A facilidade e rapidez são gigantescas, mas o contato com as pessoas diminuiu. Sabe, por causa dessas mídias, não vejo pessoas que eu gostaria de ver e abraçar há tempos. As mensagens de "Oi tudo bem? Como vai?" e os posts de "Parabéns!" estão cada vez mais distanciando e adiando futuros encontros, risadas e amizades. 


Minha adolescência foi meio na era da pedra, mas eu aproveitei bastante, com as tardes de filmes, de dança e de jogos com meus amigos. Os trabalhos escolares eram feitos pessoalmente, com direito a bolo e chocolate quente na casa de algum amiguinho e não via chat com webcam. Posso parecer velha mais uma vez, mas eu tenho boas lembranças. Às vezes, penso que toda essa modernidade, em vez de aproximar, está distanciando as pessoas. E o bullying virtual? Ah, esse me entristece e preocupa muito! 


O mundo virtual não é como o real. E como explicar isso para quem já nasceu nessa era do teclado? Nós tentamos, né! Mas, se vocês lerem e entenderem o recado, com certeza todo mundo que saiu da adolescência irá ficar muito feliz como seus pais, por exemplo. Pois, um dia, você também vai ter histórias como nós para contar quando estava longe do celular e do computador. Porque a vida real é agora!

 

Leia as colunas anteriores de Joyce Müller:

Diga não ao bullying

Fazer intercâmbio: eis a questão

De volta às aulas

Quem é a colunista: Joyce Müller. Ama São Paulo. Uma jornalista por formação. Uma escritora por amor. Por esporte escreve crônicas. Gosta de tudo um pouco e adora misturar. Blogueira. Ama o mundo teen, coisas fofas e cuties.

O que faz: Sou Jornalista na área de beleza, saúde, cultura, decoração, teen e o que mais me permitirem falar.

Pecado Gastronômico: Doces ! Quindim e Brigadeiro de panela.

Melhor lugar do mundo: Minha casa e meu jardim. Sou uma Alice no meu país das maravilhas!

Fale com ela: joycinha.muller@hotmail.com, a siga também no twitter (@joymuller) ou acesse seu blog.


 


Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Dia das Crianças no Rio de Janeiro 2016

Confira as opções de diversão na Cidade Maravilhosa para a data

Mais de 15 passeios em SP para curtir com crianças neste fim de semana

Opções de teatro, musicais e passeios gratuitos para ir em família e se divertir junto com os pequenos!

Beatles para crianças: 4 motivos para assistir à série Beat Bugs com seu filho

Primeira temporada da série infantil já está em cartaz na Netflix

Raposo Shopping oferece oficina gratuita para crianças que gostam de cozinhar

Atividade ensina aos pequenos receitas do programa "Tem Criança na Cozinha", do canal Gloob

4 motivos para levar as crianças para assistir ao espetáculo "Galinha Pintadinha em ovo de novo"

Peça fica em cartaz até dia 28 de agosto, no Teatro Net

Rede de cinemas oferece ingressos gratuitos para pais acompanhados dos filhos

Pais que forem ao cinema com os filhos no Dia dos Pais não pagam o ingresso nos cinemas Playarte