Guia da Semana

Nova escola: e agora?

Psicopedagoga destaca que antecipar informações sobre o local de ensino à criança auxilia no processo de adaptação

Renato Duarte, 13 anos, vive hoje como outros meninos de sua idade. Frequenta a sétima série do ensino fundamental II, brinca, joga futebol e, mesmo que suas notas ainda não permitam muitas comemorações, tem apresentado gradual melhora no rendimento escolar. Vale ressaltar, porém, que essa naturalidade nem sempre fez parte da vida do garoto, que passou por quatro escolas diferentes após sair do maternal.

"Desde o pré ele chorava muito para não ir à aula. Mas eu imaginava: 'chora na primeira semana, chora duas e esse medo vai passar'. Só que não passou, assim foi até a segunda série e, pior, sem nunca me dizer o que realmente o perturbava", lembra a agente de organização escolar Telma Duarte, 50 anos, mãe do garoto.

Foto: Getty Images


Como Renato, grande parte das crianças sofre quando se depara com um novo ambiente. De acordo com a psicopedagoga e psicanalista Maria Luisa Martins Toledo, 53 anos, é comum nessa fase manifestações como: 'estou com medo de ir à nova escola', 'não quero mudar' ou 'por que eu tenho de perder meus amigos?'.

A profissional explica que, independentemente da idade, raça ou classe social, o ser humano precisa de um tempo para se adaptar. Segundo ela, é essencial fazer o estudante entender que perdas e separações fazem parte da vida. Além disso, explica Maria Luisa, todos estão sujeitos a essa condição e a tudo que ela provoca.

Mesmo sem auxílio profissional, Telma tentou fazer com que o filho aceitasse as transformações, no entanto, em vão. As críticas dos professores atuavam inversamente. Desinteressado, lento e preguiçoso eram alguns dos rótulos atribuídos a Renato. Diante dessa situação, a agente de organização escolar se viu obrigada a buscar ajuda fora da instituição.

Após sessões com psicólogos, as barreiras que tiravam a normalidade da rotina do menino começaram a vir à tona. Foi constatado que o problema de adaptação provinha de dificuldades de aprendizagem e de complicações auditivas. Mais tarde, longe da primeira escola e já sob efeito de aconselhamentos, uma nova surpresa: o garoto finalmente revelou à mãe que apanhava diariamente de colegas de classe na primeira e segunda séries.

Segundo Maria Luisa, esse é um caso típico de 'bullying'. "Trata-se de uma série de atitudes e procedimentos propositados, recorrentes e hostis que um grupo ou indivíduo dirige a outrem lhe provocando aflição", aponta. Para ela, a criança vitimada possivelmente apresentará dificuldades de convívio, pois o ato afetará a autoestima, fazendo com que ela demonstre insegurança, baixo rendimento escolar e até mesmo depressão.

Ela observa que agredidos e agressores devem ser preservados. É preciso que escola e pais encorajem a denúncia dos responsáveis. Geralmente, os casos continuam escondidos, pois a vítima teme retaliação dos colegas. E foi exatamente o que aconteceu com Renato, que permanece, após quatro anos, sendo tratado por neurologistas, psicólogos, psiquiatras e fonoaudiólogos.

Foto: Getty Images


A exemplo de Telma, a professora de língua inglesa e tradutora Renata Lavieri, 28 anos, também interveio quando percebeu o filho desanimado e sem vontade de ir às aulas. Após ter estudado todo o ensino fundamental I em uma mesma escola, Vítor Henrique Lavieri, 12 anos, foi transferido quando passou para o sexto ano.

Foi nesta segunda instituição, onde permaneceu por apenas um semestre, que começou a agir diferente. "Tirei o Vítor de lá ao perceber que estava infeliz e desmotivado. Notei que a proposta pedagógica não estava de acordo com o que nos foi apresentado", esclarece Renata. Ainda segundo ela, o colégio era excessivamente católico, transmitindo um dogmatismo exagerado.

"Como meu filho nunca teve problemas de adaptação, imaginamos que se sairia bem em um local mais tradicional, porém exigiam dele uma conduta semelhante a de um adolescente de 17", afirma. "Tudo era tão intenso que Vítor passou a dormir com a luz acesa, tinha medo de barulhos e começou a questionar a existência de demônios".

Renata acredita que isso ocorria porque os professores relatavam em sala de aula suas experiências sobrenaturais com visões e atestavam aos alunos, por exemplo, que o cantor John Lennon tinha pacto com o demônio. Com tal cenário, a professora contou com a ajuda do filho e do marido para a escolha de uma nova instituição.

Ao solicitar a opinião do principal interessado, no caso, Vitor, Renata agiu exatamente como indica Marisa Luisa. "Quando há necessidade de mudança, o processo deverá ser participativo a partir da pré-adolescência", destaca. "Oferecer opções de escolha, de preferência, duas ou três, é uma boa alternativa."

A profissional recomenda também visitas prévias ao novo local de ensino e, caso haja a possibilidade, levar o estudante dias antes para conhecer as pessoas, o percurso, bem como os estabelecimentos próximos. A ideia é diminuir ao máximo o tempo de estranhamento que ele terá na escola e com tudo que ela consequentemente lhe proporcionará.


Atualizado em 6 Set 2011.

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