Guia da Semana

O que você vai ser?

Essa é a pergunta mais ouvida por adolescentes no final do ensino médio. O Guia da Semana conversou com dois especialistas para te ajudar nessa decisão

Fotos: Thinkstock
 

Logo após o primeiro dia letivo, a estudante Giovanna Gimenes Cruz, de 17 anos, chegou em casa completamente confusa. Isso porque, mal começaram as aulas do 3º ano do ensino médio, e os professores já questionaram se os alunos haviam escolhido a profissão e em que local pretendiam cursar a faculdade. "Achei a pressão absurda, pois quem está em dúvida não sabe como agir", diz ela. "É um momento muito difícil e dá medo de escolher a carreira errada e depois não dar para voltar atrás".

Assim como Giovanna, muitos estudantes do ensino médio têm dúvidas na hora de escolher a carreira. Na opinião do psicólogo e especialista em orientação vocacional Fernando Elias José, isso acontece porque a decisão profissional, algo para o resto da vida, acaba sendo tomada quando a galera ainda é muito jovem, com 15 ou 16 anos. "Essa pressão pode, inclusive, terminar em desistência do curso lá na frente, pois nem tudo são flores em uma faculdade e a pessoa pode não gostar do que escolheu", avalia o psicólogo.

Por isso, Fernando recomenda que o adolescente pesquise bastante os principais prós e contras da carreira, buscando encontrar o máximo de informações sobre aquela área de atuação. "Fazendo assim, aumentam as chances do jovem tomar a decisão de forma tranquila e ter menos erros nessa escolha".

Apoio externo



Segundo o psicólogo, na hora de optar pela profissão, feiras especializadas, palestras e visitas a universidades são bastante válidas. Isso porque ajudam a galera a ter um contato maior com aqueles profissionais que já estão trabalhando na área. "Como eles colocam suas experiências e dificuldades de bom grado, essa conversa acaba trazendo um grande ganho para todos".

Para auxiliar os estudantes no momento da escolha, algumas escolas oferecem opções interessantes aos alunos. Um exemplo é o Colégio Emilie de Villeneuve, localizado em São Paulo (SP), que organiza as disciplinas eletivas profissionais. Nelas, durante 100 minutos semanais, profissionais que trabalham em diversas áreas, como direito e publicidade, mostram aos estudantes como funciona o mercado. "O aluno tem uma introdução do conteúdo específico e consegue viver alguma experiência prática, como assistir a um julgamento, por exemplo", explica a coordenadora pedagógica e educacional do colégio, Marli das Neves Benachio.



Outra opção são os famosos testes vocacionais. Porém, a estudante Giovanna - que aparece no início da matéria - conta que, no caso dela, o resultado não deu muito certo. "Fiz e achei péssimo. Se soubesse que ia ser assim, tinha pego da internet", ela explica. "O resultado final apontou cinco áreas de atuação, mas eu gostaria que fosse mais objetivo, dando exatamente a profissão que seria legal eu seguir"..

A hoje engenheira Milena Kosokabe, de 25 anos, passou pelo mesmo problema. Com dúvidas na hora de escolher  carreira, ela recorreu ao teste. "Achei muito impreciso, pois me encaminhou para profissões dentro da área de humanas, que nunca gostei muito". Por fim, ela conversou com o coordenador de seu antigo cursinho sobre o mercado de trabalho da engenharia e optou pela carreira. "Hoje, eu trabalho numa multinacional espanhola e estou muito feliz com a minha escolha".

Fernando Elias José concorda que o teste vocacional sozinho não serve para absolutamente nada, a não ser atrapalhar ainda mais quem já está com dúvidas. "Por isso, quando a pessoa está muito confusa, seria bom procurar uma orientação vocacional, e não apenas fazer o teste. Na conversa, o orientador vai te conhecer e descobrir em qual área você se dá melhor". Para quem se interessou, mas não tem grana para pagar, o serviço costuma estar disponível em diversas faculdades de psicologia, de forma gratuita ou por meio do pagamento simbólico. Pesquise na sua cidade.

Família em destaque

Segundo Fernando, o apoio familiar é fundamental nesse processo de escolha, a ponto dela poder ser mega apoiadora ou mega destruidora na decisão do aluno. De modo geral, ele recomenda que a família se conscientize que o aluno é um jovem em formação e precisa de auxílio para escolher qual profissão seguir. "Se os pais acham que a carreira do filho não é tão interessante assim, nada de impor a decisão", explica o psicólogo. "Precisa haver um bom argumento para se chegar ao consenso do porque não é legal. O diálogo da construção sempre é válido".

Ele conta que já viu alguns pais dizerem, por exemplo, que só topam pagar a faculdade do filho se este fizer o curso que eles acham o melhor. Se este é o seu caso, a dica do especialista é respirar fundo e tentar argumentar com seus pais. "Vá em busca de seus desejos. Pesquise o mercado de trabalho e mostre para eles o porque daquela carreira ser tão interessante".

Atitudes de sucesso



Se você ainda não sabe qual caminho seguir, o consultor de coaching, José Renato Siqueira Júnior, que faz aconselhamento de carreira desde 2001 e já escreveu o livro Conduzindo a Própria Carreira (Ed. Campus Elsevier), dá algumas dicas de como se dar bem na hora da escolha:

- Reflita sobre algumas questões importantes, como: Qual é a sua fantasia de carreira? Quando você era bem criancinha, imaginava trabalhar no quê? E no início da adolescência? "Depois, vale pensar: e agora, neste momento? O que quero para mim está de acordo?", diz o consultor. "Também vale avaliar sobre sua matéria favorita na escola e o motivo dela ser tão legal.

- Outra boa atitude para quem ainda tem dúvidas é tentar conversar com profissionais que já estão trabalhando na área escolhida. "Principalmente aqueles em início ou com até 10 anos de carreira, justamente para ter um contato maior com a realidade do mercado de trabalho daquela profissão. Isso porque eles já passaram por muitos perrengues e sabem apontar as facilidades e dificuldades", lembra José Renato.

- Muito cuidado com ideias preconcebidas com relação às profissões. Exemplos: "quem não consegue ver injustiça tem que ser advogado", ou "quem trabalha em informática é tímido", entre outros. Conhecendo o dia a dia de um profissional da área é possível derrubar esses estereótipos.

- No caso da remuneração, reflita: satisfação pessoal e sucesso financeiro não podem caminhar juntos? "O que vejo é que pessoas que acabam olhando muito para a questão da grana sem ter realização acabam não sendo felizes, assim como o contrário também acontece. É preciso pesar os dois lados", aconselha.

- Se você já está na faculdade e, mesmo assim, continua em dúvida, a dica do consultor é usar e abusar dos professores. "Seria bom conversar sobre os grandes desafios e os tipos de problemas que fazem parte do dia a dia daquela profissão", avalia. "Descolar um estágio, mesmo que não remunerado, para experimentar a rotina também é interessante".

-Se você refletiu e viu que aquela faculdade que começou ainda não era a certa, José Renato lembra que parar o curso no meio não significa perda de tempo. "Na realidade, esse aluno aprendeu algo, conheceu gente e experimentou que não era aquilo que queria". Lembre-se que tentar novamente é possível, sim!


Atualizado em 11 Fev 2014.

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