Guia da Semana

O trabalho voluntário e o Estado falido

Um voluntário dá dois pontos de vista desta nobre atitude

Por Álvaro Coimbra Simões




Quando fui convidado para escrever um artigo direcionado aos jovens sobre o trabalho voluntário, resolvi abordar a questão sobre dois pontos de vista: primeiramente, veio a minha mente escrever sobre a nobreza de tal atitude, diante do total desinteresse em se doar para qualquer que seja a atividade sem receber recompensas financeiras ou materiais.

Sim, eu acredito no trabalho voluntário, eu faço trabalho voluntário . Penso que a fala começa pela experimentação, não tanto quanto poderia ou tanto quanto é necessário, ou deveria. Deveria mesmo? Trabalho voluntário é um dever, é necessário?

Sim, faz parte do civismo, da "ordem e progresso". Mas penso também que é necessário tornar esta vivência crítica e transformadora na sua forma de fazê-la e de vê-la. Então me proponho a contar sobre o bom, o belo e o lado não ingênuo do voluntariado.

No Brasil, cerca de 10% da população doa parte de seu tempo ao voluntariado. Já nos Estados Unidos, mais de 30% da população dedica, em média, uma hora por semana em trabalhos voluntários, uma nação poderosa, que prega a liberdade e a democracia acima de tudo. Democracia esta mostrada na invasão ao Iraque, Afeganistão e Vietnam e no trato para com os imigrantes por exemplo. Aliás, viu quem vai ficar com 75% do petróleo extraído do Iraque? Adivinhe...

Irônico é o trabalho voluntário servir para suprir necessidades e carência até mesmo de quem se doa. Fazer o bem sempre faz bem! Mas nações imperialistas também têm confundido doação voluntária com alívio de consciência. Doa migalhas enquanto explora, arrasa e empobrece deslealmente o mundo, e tanto contribui para o aumento de diferenças sociais. Sabia que aproximadamente 1000 pessoas morrem de fome por hora no mundo?

Avaliando a questão de outro ponto de vista pergunto, o que é o trabalho voluntário? Com que finalidade existem milhares de entidades filantrópicas? Oras, para ajudar os necessitados, os desfavorecidos, os excluídos, enfim, aqueles a quem que o governo não foi capaz de garantir os princípios básicos regulamentados em nossa Constituição: emprego, saúde, educação, moradia, segurança, etc... a lista é longa...

Fazendo uma rápida pesquisa, levantei inúmeras instituições que provem o voluntariado, com slogans do tipo: "seja voluntário e ganhe um mundo melhor", muitas delas patrocinadas por bancos, que tiveram os maiores lucros no governo Lula. Ao mesmo tempo que tiram de nós, tentam minimizar o problema, "fazem a sua parte", seja por por alívio de consciência ou pelo seu próprio marketing. Ou seja, não há intenção firme, pró-ativa, de se eliminar diferenças.

O lado perverso é que as diferenças sociais, também ajudam a manter o voluntariado. Então, pessoas de uma nobreza ímpar se unem a outras também de bom coração e começam a assumir um papel que cabe ao governo, ao Estado, vem aí Ongs e diversas entidades.

Agora, seriam todas estas pessoas assim tão boazinhas, ou por trás das entidades filantrópicas pode haver um mau incomensurável, que demonstra a preocupação destes filantropos apenas em manter que as coisas como estão? Isto é um placebo para se regular a da sociedade de classes, é melhor perder alguns anéis a perder os dedos. Um povo que tem o mínimo para viver permanece alheio à luta por mudanças. Por isso, o assistencialismo. Quer um exemplo? Tá aí o polêmico Bolsa Família. Outro exemplo: o Amigos da Escola, mais um, aquele Adote um aluno, com uma contribuição monetária mensal você garante a alfabetização de uma pessoa.
- Nossa que legal vou entrar nessa!
- OPA! Peraí!

Mas e as divisas dos impostos? Somos o pais com a maior carga tributária do mundo, não é suficiente? Precisamos contribuir ainda mais?

Contra fatos não há argumentos, estas informações são mais que suficientes para comprovar a falência deste estado burguês, capitalista e da sociedade de classes. Qualquer ser humano com um mínimo de dignidade prefere viver de seu próprio sustento à viver de esmolas ou outras formas de assistencialismo, não adianta doar alimentos, temos que fazer com que as pessoas consigam suprir suas necessidades com as próprias forças e de maneira digna. Poucos sabem que apenas 26.000 de abastados são proprietários de 46% das terras em um país de 180 MILHÕES de habitantes e com dimensões continentais.

Porém, enquanto uma revolução não acontece e a verdadeira maioria não chega ao poder para defender os reais interesses da população (saúde, educação, segurança, alimentação, trabalho digno, não trabalho informal e moradia entre outros), eu digo que é bastante válido fazer trabalho voluntário, sim. Eu mesmo faço em entidades de militância política de esquerda revolucionária e de proteção aos pobres e ignorados animais. Dentro destas entidades, vocês estarão mais próximos de realidades que jamais imaginavam existir e podem, a partir daí, promover mudanças práticas. Longe de mim dizer que não é importante tal trabalho, apenas quero despertar o senso crítico em torno destas atividades. É uma forma importante de a sociedade civil pressionar o governo por mudanças, mas vá ciente de que serão apenas ações remediadoras, a grande mudança passa apenas por uma revolução histórica das classes exploradas. Sem luta, nada se muda.

Quem é o colunista: Álvaro Coimbra Simões.

O que faz: é engenheiro civil e músico.

Pecado gastronômico: ser ovolactovegetariano e não veagan.

Melhor lugar do Brasil: qualquer um, desde que vc esteja com o espírito elevado, mas Peruíbe e o interior de SP e MG é bem legal.
Fale com ele: camarao_z@hotmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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