Guia da Semana

Obesidade infanto-juvenil

17 dicas para ajudar seu filho a controlar o peso

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Em uma sociedade que valoriza a estética, a figura do vencedor e a aquisição de bens, ser diferente é comprar uma passagem para o sofrimento. Nunca, em nenhum outro tempo, o jovem foi tão pressionado pela busca incessante da perfeição; mas independentemente das questões estéticas, um problema maior e mais abrangente se propaga: a obesidade infantil.

A obesidade é um distúrbio que pode se tornar o principal problema do século 21 e a primeira causa de doenças crônicas do mundo, pois induz a várias anormalidades do metabolismo que contribuem para as doenças cardiovasculares, do colesterol, diabetes mellitus, entre outras.

Assim como no adulto, essa realidade está acometendo cada vez mais crianças e adolescentes e, no Brasil, cresceu 240% nos últimos 20 anos. São cerca de 6,7 milhões de crianças e adolescentes obesos no país, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

A incidência de obesidade mórbida, inclusive, está levando jovens à mesa de cirurgia em uma tentativa radical de emagrecer e regredir as complicações. Ainda não se conhece claramente a etiologia do excesso de peso, mas sabe-se que estão envolvidos múltiplos fatores complexos que alteram o balanço energético.

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Estes fatores podem ser classificados em genéticos, metabólicos, nutricionais e psicossociais. Eles parecem interagir, levando a um balanço calórico positivo e predispondo ao excesso de peso. O fator de risco mais importante para o aparecimento do problema na criança é a própria obesidade de sua família - a influência genética - somada, claro, ao ambiente em que ela vive.

Criança obesa, adulto obeso
A obesidade tende a persistir na vida adulta. Cerca de 50% das crianças obesas aos seis meses de idade e 80% das que já acusam o problema aos 5 anos permanecem com ele quando adultas. Ocorrendo mais nas raças hispânicas, afro-americanas e particularmente em meninas, a obesidade não é decorrente necessariamente da ingestão de grande quantidade de comida, mas tem uma relação direta com o alto valor calórico do que é consumido.

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A evolução da engenharia de alimentos também dificulta a manutenção de dietas saudáveis: as crianças e os adolescentes sofrem muita influência do mercado que, com o seu delicioso sabor e belas embalagens associadas ao grande marketing, faz com que esses produtos se tornem irresistíveis. Tamanha manipulação consumista já virou até tema de filme. Em 2004, Morgan Spurlock, inspirado naquele episódio em que duas garotas americanas processaram a rede de lanchonetes McDonald´s por torná-las obesas, dirigiu o filme Super Size Me - em que ele próprio ingeria por um mês apenas produtos da rede mundial de lanchonetes.

Cada item do cardápio foi provado pelo menos uma vez e ele teve que aceitar todos os sanduíches oferecidos na porção super size (onde o número de calorias sobe assustadoramente). Além disso, ele reduziu de forma drástica sua atividade física até chegar à média nacional. Ao final do mês, estava com 11 quilos a mais, com o colesterol disparado, depósito de gordura no fígado em quantidade próxima a de um alcoólatra, dores de cabeça, mau humor e exaustão. É só reverter esses dados para um corpo muito menor e imaginar como seriam esses efeitos em uma criança!

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Além de todos os problemas físicos, as crianças e adolescentes obesos, como mostram dois estudos recentes, podem ser emocionalmente problemáticos. Desesperados para manter o padrão atual da magreza, eles estão mais propensos a sofrer de depressão e de outros problemas vinculados à condição física, como gozação na escola e até tentativa de suicídio (9% das crianças e adolescentes do estudo já o tentaram).

Outra pesquisa realizada pela Universidade de Medicina e Odontologia de Nova Jersey com 17 mil adolescentes de 13 a 18 anos mostrou que obesos têm menos amigos que os demais adolescentes de mesma idade. A explicação para isso estaria no isolamento social que eles sentem quando comparados aos magros e à conseqüente criação de uma auto-imagem desfavorável - o que, por motivos óbvios, os levam a ficar ainda mais sedentários.

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Existe, ainda, a teoria de que levar desaforo para casa, fazer concessões além da conta e acumular raiva são atitudes que levam à obesidade, como confirmou um trabalho recente feito com adolescentes de 14 a 17 anos na Universidade do Texas. A relação é clara: os sentimentos de impotência provocam raiva, o que nos leva a comer, o que, por sua vez, engorda e engordar provoca sentimentos de culpa. A solução, nesses casos, é mostrar ao obeso que o melhor é ter uma atitude mais assertiva diante das situações cotidianas, ou seja, aprender a dizer não e a expor a opinião, independentemente do que os outros pensem.

O posicionamento assertivo oferece novas formas de expressão de sentimentos que, outrora, iam para a comida. No entanto, como as atitudes no estilo "8 ou 80" são mais fáceis (ou engole a raiva ou explode) é ideal encontrar uma manifestação mais adequada e equilibrada para se expressar. O grande problema é que, freqüentemente, os pais não sabem como ajudar e não existem muitas opções terapêuticas disponíveis para isso. Há poucos programas elaborados especialmente para pequenos obesos, poucos profissionais experientes nesse tipo de tratamento e o uso de medicamentos ainda é muito limitado.

Aqui estão algumas dicas para orientar seus filhos:
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1) Alguns pais não se conscientizam de si mesmos e de sua situação de peso e não conseguem analisar a do filho. Observe o seu comportamento e o de seu filho em relação à alimentação.

2) Fixe os horários das refeições, pois a prática ensina disciplina às crianças e evita o consumo de lanches e guloseimas fora de hora: o ideal são seis refeições diárias e evitar as beliscadas fora desses horários.

3) Não imponha dietas restritivas, principalmente nas crianças menores. Em fase de crescimento, o caminho é a reeducação alimentar: comer de tudo um pouco (alimentos saudáveis) e em quantidades adequadas.

4) Ignore o velho hábito de fazer o filho raspar o prato. Isso costuma provocar a perda da saciedade na criança, ou seja, ela deixa de ter o próprio limite de saturação.

5) Evite muitas brincadeiras na mesa: hora de comer é hora de seriedade, não de fazer "aviãozinho". Muito mimo é sinônimo de muita manha.

6) Não ceda ao primeiro "não gosto disso": a criança tem uma tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Cada um pode comer o que quiser, mas experimentar não custa nada.

7) Não substitua refeições (como dar a mamadeira quando a criança não quiser o arroz com feijão). Esse erro é muito comum e se a criança conseguir uma vez, vai repetir essa estratégia sempre.

8) Não faça da comida uma forma de recompensa ou moeda de troca. Exemplo: oferecer um sorvete se o filho se sair bem na escola ou comer toda a salada - "coma toda a sopa para ganhar a sobremesa". Isso passa a idéia de que tomar sopa não é bom e que a sobremesa é que é o máximo.

9) Não ameace com castigos o não-cumprimento do combinado: "Se não comer a salada, não vai ganhar presente". Isso somente vai aumentar o ódio que a criança sente das saladas.

10) Não subestime o poder de compreensão dos pequenos. Negar uma guloseima pode virar um "drama" para eles, mas só no início. A criança sem limites vai abusar das calorias e das guloseimas. Mesmo os adolescentes devem ser incentivados a ter situações em que podem comer com maior liberdade.

11) Evite tornar a ida a uma lanchonete um "programão": a comida de casa fica meio sem graça desse jeito.

12) Não sirva sempre a mesma comida: se a criança só toma iogurte, vai enjoar e vão faltar nutrientes e fibras.

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13) O processo de reeducação alimentar costuma ser mais longo em crianças. Não tenha pressa. O ideal é começar retirando aos poucos os alimentos que engordam.

14) Incentive seus filhos a praticarem esportes ou atividades físicas. Dê preferência principalmente às modalidades individuais no início, porque evitam alguns constrangimentos, como gozações e piadinhas dos colegas, além da pressão para um bom desempenho.

15) Procure, conforme a disponibilidade, ajuda de profissionais multidisciplinares, como médicos, nutricionistas, psicólogos e orientadores de atividades físicas.

16) Toda a família deve apoiar e auxiliar no tratamento da obesidade infantil, evitando insistir no preparo de alimentos inadequados e não ridicularizando suas atitudes e esforços.

17) Dê o exemplo: as crianças e, muitas vezes, ainda os adolescentes seguem os exemplos e os hábitos dos pais. Não adianta mandar tomar sucos e somente beber refrigerantes. Orientar dietas e atitudes saudáveis e fazer diferente disso não ajuda em nada.


Aos pais, que sirvam de bons exemplos para os filhos! Esta é uma herança que não depende da sociedade, mas do equilíbrio e do bom-senso. Que a família assuma seu papel de grande educadora em meio propício ao desenvolvimento da mente, da moral e do corpo saudáveis.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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