Guia da Semana

Órfão na hora errada

A morte dos pais na adolescência aumenta ainda mais a insegurança típica da fase, mas existem algumas maneiras de amenizar a dor

Foto: sxc.hu

Referência, orientação e afeto. Estas são as principais perdas de quem fica órfão durante a adolescência. Na passagem para a vida adulta, os pais desempenham um papel fundamental na formação dos jovens e a perda da figura paterna, materna ou de ambas deixa lacunas que, muitas vezes, nunca serão preenchidas. Sensação de desamaparo, tristeza e insegurança são alguns dos sentimentos experimentados por quem passa por essa situação e podem dar origem a receios que antes não existiam, como medo do escuro ou de sair sozinho, por exemplo.

A psicóloga Gisela Castanho, especialista em adolescentes e terapeuta de casais e família, explica que mais do que uma convenção social, o luto é necessário para a recuperação: "É importante expressar a tristeza, chorar muito. Ser forte não significa não chorar, não há como fugir da dor. O luto é um período em que a pessoa fica reclusa para se despedir de quem se foi e encontrar forças para continuar".

A dificuldade em lidar com a perda e o sofrimento causado por ela tem mais a ver com a relação que se tinha com quem faleceu e o quanto esta pessoa era importante do que com o sexo, ou seja, é errado pensar que as meninas que perdem a mãe ficam mais perdidas do que se perdessem o pai e vice-versa. Ao contrário do que alguns filhos podem dizer, pais ausentes, quando morrem, fazem falta, sim: "Mesmo que o pai ou mãe não participasse da vida do filho, a morte é o fim da esperança de que um dia a relação melhorasse ou passasse a existir", explica a psicóloga.

Foto: photocase.de
Mortes repentinas são, sem sombra de dúvida, mais difíceis de serem superadas. Quando o falecimento já é aguardado, como em casos de doenças degenerativas, nunca se deve esconder a verdade do jovem, pois ele precisa se preparar. Entretanto, se acostumar com a idéia antes da hora não é bom, alerta a Dra. Gisela: "É melhor conviver com a pessoa o máximo possível, aproveitar os momentos enquanto existe oportunidade".

Ao longo da vida, é comum que perguntas do tipo "O que meu pai faria?" e "O que minha mãe diria?" surjam nos momentos de indecisão. É como se o filho conversasse internamente com o pai ou a mãe que já se foi, baseando-se nas experiências que foram compartilhadas em vida. Esta conversa não é sinal de loucura, pelo contrário, é saudável, pois não deixa de ser uma orientação e uma forma de matar a saudade.

Foto: photocase.de
Além disso, o jovem pode e deve procurar pessoas para substituir o pai ou a mãe que morreu. Socialmente, esta tarefa é delegada aos padrinhos, mas o mais comum é que os jovens fiquem com o parente mais próximo. Mas não é a proximidade ou um acordo que vai determinar quem é a melhor pessoa para dar orientação, proteção e afeto. Essa escolha é feita por afinidades e não é privilégio exclusivo dos órfãos: "Todas as pessoas, em todas as fases da vida, têm amigos e pessoas que admiram e confiam em determinado aspecto. Tem aquela pessoa com quem conversamos sobre mercado de trabalho, outro que é o ombro amigo para assuntos amorosos, e assim por diante. É importante que eles tenham um adulto para conversar, pode ser uma tia, o pai de um amigo, etc.", esclarece a médica. Essa, aliás, é uma boa saída para momentos críticos, como Dia dos Pais ou das Mães e Natal, épocas em que a sensibilidade aumenta.

Muitas vezes, essa carência é suprida de maneira mais fácil que se imagina. Quando a família perde apenas uma das figuras, a que fica assume os dois papéis. Foi o que aconteceu com Daniela Aparecida Eduardo, que perdeu a mãe aos 11 anos: "Foi repentino, ela faleceu de derrame com menos de 40 anos. Na época, meu irmão tinha apenas oito anos e foi muito difícil para nós. Apesar de tudo, meu pai tentou manter a vida normal e nós ficamos mais unidos. Eu costumo dizer que ele não é só pai, ele é pãe!", conta.

Além de buscar apoio para si, que veio principalmente das tias e da avó, ela assumiu o papel de mãe para o irmão mais novo: "O peso das responsabilidades me impulsionou, me ajudou a dar a volta por cima. Sou eu que cuido da casa, que faço tudo, mas nunca me rebelei". Uma coisa é certa: a situação nunca é fácil e não tem um tempo determinado para melhorar. Por isso, procure não ficar na posição de vítima, reconheça que as coisas mudaram e faça de tudo para se adaptar a nova realidade. Assim, você ajudará a si mesmo e às pessoas que querem te ajudar!

Serviço:
Dra. Gisela Castanho - Psicóloga especialista em adolescentes, terapeuta de casais e famílias
Telefone: (11) 3022-4965

Atualizado em 6 Set 2011.

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