Guia da Semana

Por que é tão importante estimular, desde cedo, a independência das crianças

Foto:Getty Images


Todos já ouviram falar sobre a importância de estimular a independência desde cedo. E todos, à sua maneira, têm consciência disso.

Mas muitas vezes alguns pais parecem não saber por onde e quando começar. Ou ainda, subestimam a capacidade de seus filhos, achando que ainda são pequenos para determinado ato ou que terão a vida toda para fazê-los. Mas não é bem assim...

A independência acontece aos poucos e o melhor momento de estimular os pequenos é nas atividades mais simples do dia a dia. Deve se possível, começar cedo, ainda na fase de bebê, em situações como o hábito de dormir sozinho ou segurar a mamadeira, por exemplo.

Um dos enganos bastante comuns é esperar que a criança já domine determinada capacidade para, então, pedir que a faça. Toda a aprendizagem envolve várias fases: a iniciativa para começar, as tentativas, lidar com a frustração do erro, ser perseverante para tentar de novo, saber buscar ajuda, tentar e tentar quantas vezes forem necessárias até atingir o êxito e poder curtir a vitória!

É um exercício de paciência e dedicação e que deve partir dos pais. E também exige planejamento de tempo, pois é claro que para a criança, o simples ato de colocar o próprio sapato é mais demorado do que se a mamãe o fizesse por ela. A criança precisará de tempo para que possa fazer suas tentativas com calma, sem a pressão dos adultos. Então, incentive-a dando-lhe tempo suficiente para isso. Nunca deixe para pedir que o faça a poucos minutos de sair de casa.

A independência tem, ainda, uma outra questão igualmente importante: as atividades diárias ajudam a desenvolver habilidades e competências nas mais diversas áreas: desenvolve a coordenação motora, a lateralidade, o raciocínio lógico matemático, a responsabilidade, a seqüência e organização de planejamento e ações. Todos nós utilizamos tudo isso na vida pessoal e no trabalho, não é mesmo?

Algumas dicas práticas:

Organização de objetos
Com um ano e meio de idade, a criança já compreende ordens simples e já pode começar a participar de pequenas tarefas como, por exemplo, guardar seus calçados no local (desde que este seja de fácil acesso).

Aos dois anos já é capaz de reconhecer o local onde são guardados alguns brinquedos grandes e simples. Estimule e ajude, dando orientações, mas não fazendo por ela.

Aos três anos, já é capaz de organizar a sua caixa de brinquedos, o que desenvolve o pensamento lógico matemático (separação das peças segundo algum tipo de atributo, como cor, forma, tipo de brinquedo), exige planejamento, atenção e responsabilidade.

Na cozinha, a criança já pode começar a participar de algumas tarefas simples, como ajudar a colocar a mesa (elas reconhecem, de forma fácil e simples, os locais onde os utensílios são guardados), ajudando-a a perceber e participar da organização. E você pode incentivá-la a criar outras maneiras de arrumar a mesa ou guardar os utensílios. Muito cuidado para não impor as formas de organização. Deixe que a criança crie seu próprio raciocínio e use a sua criatividade e vá, apenas, orientando-a quando necessário.

Com cinco ou seis anos, já pode ajudar a lavar a louça (peças plásticas, para evitar acidentes). Ela desenvolverá um domínio motor mais refinado, pois ela deverá lidar com o peso do objeto e o fato de estar escorregadio pelo sabão.

Vestir-se e calçar-se sozinho

Aos dois anos, a criança já demonstra interesse em despir-se sozinha. É o primeiro passo para que, em seguida, possa vestir-se também. Nesse momento, a ajuda dos pais será essencial, pois alguns atos facilitarão a aquisição dessa capacidade: mostre à criança características que ajudarão na rotina, como a costura das roupas, que deve ficar por dentro, a etiqueta, que geralmente fica atrás. Faça pequenas marcas no lado interior dos calçados, explicando que, quando for calçá-los, as pequenas marcas deverão ficar juntinhas, ajudando para que não calce os sapatos ao contrário.

Ao vestir-se e calçar-se sozinha, a criança desenvolve a coordenação motora, a lateralidade, a organização do pensamento lógico. Embora simples, estes atos requerem que a criança processe e organize uma série de informações mentais antes de colocar as ações em prática.

Hora da higiene

Que delícia é a hora do banho! Se puder ser feito com calma, então, melhor ainda! Ao invés de fazer rapidamente, procure iniciar um pouco antes e vá estimulando, orientando e deixando que ela faça sozinha. Esse processo, até que seja completo, pode demorar, mas no final, valerá a pena!

O mesmo acontecerá para escovar os dentes. Ao colocar a quantidade exata de creme dental na escova, a criança precisará de treino e domínio motor, da força adequada ao apertar o tubo e da percepção da quantidade do creme. E de uma boa coordenação motora para executar movimentos variados e ainda utilizar a força adequada para a escovação. É um belo exercício, não é mesmo? Ao final, os pais podem dar uma ajuda extra para garantir que a escovação esteja perfeita.

Dar continuidade, sempre

Conforme a criança for crescendo, novos desafios surgirão. E surgirão também para os pais, que deverão estar sempre atentos ao que poderão ou não "delegar" a seus filhos. Mas nesse momento, se toda a primeira fase de estímulo à independência tiver sido trabalhada, com certeza a criança estará preparada para encarar toda e qualquer nova situação, com total segurança.

Hábitos de independência que se criarem desde cedo ajudarão a criança a tornar-se um adolescente e, posteriormente um adulto, muito mais responsável, bem resolvido, organizado e com grande iniciativa. Por isso é importante, além de estimular os hábitos em si, dar significado e mostrar a importância de cada ato.

Trabalhar a autonomia da criança ajudará na sua auto-estima. A fase de tentativas, erros e acertos é um momento importante onde os pais e educadores deverão estar atentos, dando força e incentivo para que ela seja perseverante (outro comportamento extremamente importante, que ela levará por toda a vida!) e não se desanime diante das dificuldades.

Acima de tudo, os pais devem acreditar no potencial de seus filhos.



Quem é a colunista: Cláudia Fernanda Venelli Razuk
O que faz: Coordenadora Pedagógica do Colégio Itatiaia
Pecado Gastronômico: chocolate
Melhor Lugar de São Paulo: o bairro em que moro (paraíso). É bonito e tem tudo por perto.
Para Falar com Cláudia: Itatiaiaed.infantil@terra.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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