Guia da Semana

Pratique com moderação

A prática de exercícios físicos é muito importante para a saúde. No entanto, respeitar os limites do corpo é fundamental

Foto: Getty Images

Desde sempre, comenta-se por aí que praticar atividades físicas é uma das coisas mais saudáveis para um ser humano. Exercitar o corpo ajuda a entrar em forma, além de manter a saúde física e mental sempre em dia. Mas, como tudo tem seu lado negativo, o excesso de exercícios físicos - também conhecido como overtraining - pode trazer alguns prejuízos.

O overtraining
O overtraining nada mais é do que os danos causados ao organismo devido aos treinos excessivos. Quando está nessa situação, o esportista sofre queda de rendimento e não se sente mais tão interessado em treinar. Segundo o treinador Kito Aredes, um dos maiores motivos que leva ao exagero nos exercícios físicos é a ansiedade em atingir o objetivo. "Exagerar nas sessões, por achar que treinar mais e pesado é melhor, não dar a recuperação adequada ao corpo e a má programação de treinamento são os fatores que levam ao overtraining", explica o treinador.

Os indícios do overtraining são variados e vão desde a perda de apetite até a depressão. Confira a lista completa e repare se você está com alguns desses sintomas:

? Perda de peso
? Insônia
? Cansaço
? Irritabilidade
? Agressividade
? Perda de apetite
? Resfriados constantes
? Dores de cabeça
? Perda no rendimento
? Impedimento do crescimento muscular
? Disfunções hormonais
? Lesões
? Ansiedade
? Depressão

No entanto, Kito alerta que, apesar de os sintomas do overtraining serem fáceis de ser reconhecidos, é preciso tomar cuidado para não interpretá-los de forma errada. "Não podemos confundir dores tardias com overtraining, porém o descanso adequado, sendo ele com exercícios regenerativos, ou não, deve ser feito, após uma sessão de treinamento intenso", explica.

Foto: Getty Images

Quando o atleta suspeita sofrer com o overtraining, a saída é ir ao médico. Só ele poderá dizer qual é a melhor forma de recuperação para o seu caso e vai dar as recomendações adequadas. Evitar treinamentos pesados demais, porém, é mais simples do que parece. Na hora de se dedicar ao esporte, seja ele qual for, é importante contar sempre com o acompanhamento de um profissional especializado, o que muitos dos que praticam atividades físicas não fazem.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, mais de 50% dos adolescentes praticam esportes sem nenhum acompanhamento. "As pessoas que não possuem uma programação adequada vão para a academia treinar e ficam, às vezes, quatro horas treinando, fazendo várias aulas sem a mínima noção que devem se recuperar. A conseqüência é que acabam tendo uma perda significativa no rendimento e, após algum tempo, podem chegar ao overtraining", explica o professor.

Quem sofreu com o overtraining
O problema é muito mais comum do que se pensa. Pode acontecer tanto com atletas profissionais, como com quem pratica esportes apenas para manter o corpo em dia. Foi o caso de Rafael Mattos, 18. Ele é adepto da musculação e, há dois anos, começou a notar uma queda anormal em seu rendimento. "A princípio, a queda foi na minha resistência. Eu conseguia pegar pesado, mas não dava pra fazer o mesmo número de repetições de antes. Daí, eu desconfiei de um overtraining", conta Rafael.

No caso do estudante, os sintomas principais foram a perda de força e apetite, além de insônia, desânimo e tendinite. Quando percebeu esses indícios, Rafael procurou profissionais da área de educação física, que o aconselharam a dar um tempo na malhação. "Primeiro, parei por uma semana para tirar a tensão muscular. Mas no final, acabei precisando de seis meses para voltar ao normal. Perdi 8 kg nessa de descansar e não foi de barriga", diz.

Porém, apesar dos seis meses de recuperação, a "cura" para o overtraining não tem muito segredo. O tratamento de Rafael foi repousar bastante e, há três meses, ele voltou aos treinos. Mas com uma ressalva: agora, ele treina de três a quatro vezes por semana e não mais sete, como antigamente. "Além disso, também estou dormindo cerca de nove horas por noite. Antes, eram apenas seis", explica.

No caso do tenista Lucas Hendri, 14, foi seu preparador físico quem cogitou a possibilidade de um overtraining. Lucas joga tênis desde os 5 anos de idade e, atualmente, faz aulas todos os dias da semana. "Tive muito cansaço, queda de rendimento e estresse. Quando descobri, comecei a treinar menos imediatamente", conta o tenista.

Foto: Arquivo Pessoal
Lucas pratica tênis desde os 5 anos

O tratamento de Lucas foi o mesmo que o de Rafael. Com um descanso prolongado, o tenista voltou à velha forma e já está de volta. "Percebi que precisamos treinar, treinar e muito. Mas precisamos descansar também, senão, nosso corpo não agüenta", aconselha. Já o conselho de Rafael é não exagerar. "Musculação é só 30% do que você precisa pra obter bons resultados. Não exagere, durma bem e tenha uma alimentação adequada", diz.

Vigorexia e overtraining
Muita gente confunde a vigorexia com o overtraining, mas é importante saber que são duas coisas bem diferentes. Como já foi dito, o overtraining é caracterizado pela queda de rendimento, entre outros sintomas, causada pelo excesso de treinamento. O descanso prolongado e acompanhamento profissional resolvem o problema.

A causa da vigorexia é praticamente a mesma do overtraining, no entanto, os sintomas são um pouco mais complexos. Também conhecida como Transtorno Disfórmico Muscular, a vigorexia é considerada o oposto da anorexia. "Quando se olha no espelho, o indivíduo se acha sempre fraco e magro, devido a fatores psicológicos. Isso faz com que ele pegue pesado nos treinamentos e acabe sofrendo com o overtraining", explica Kito. É normal que a pessoa vigoréxica recuse ajuda profissional, mas esse, como sempre, é o caminho mais indicado nessa situação.



Colaborou:
Kito Aredes
Treinador do Body Systems
Site: www.bodysystems.net

Atualizado em 6 Set 2011.

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