Guia da Semana

Reunião de família

Na adolescência, elas são um martírio, mas com o tempo, dá uma saudade...

Foto: sxc.hu

Dia desses, parei para pensar sobre as reuniões de família. Pode ser o aniversário de um dos avós, ou quem sabe o chá de cozinha de uma prima de segundo grau. Somente uma certeza, ou melhor, uma frase: "Mãe, eu não tô a fim de ir". Após essa confissão, briga de uns dois minutos e a decisão final: "Quem manda aqui sou eu". Muitas foram as vezes que me deparei em semelhante situação, mas ao final, lá estava, emburrada no banco de trás do carro, rumo ao aniversário de 60 anos da vovó, ou à missa de primeira comunhão de uma prima.

Hoje percebo que, apesar das minhas antigas reclamações, cada encontro me traz lembranças especiais. Acontece que custamos a perceber a importância da convivência com parentes. Confesso que risos me vêm naturalmente quando lembro desses momentos tão indesejados, mas que, no final das contas, se tornaram inesquecíveis.

O aperto de bochecha daquela sua tia sem noção. A pergunta que não quer calar: "Ainda não tá namorando?". E você fica vermelho de vergonha, acaba dizendo que no momento só quer saber de estudar, que não tem tempo para pensar em namoro. Os parentes fingem que acreditam.

Quem tem avô barraqueiro nunca se esquece do puxão de orelha que ele dá no seu pai de mais de 40 anos - e na frente de todo mundo. Sem falar na avó de cabelos branquinhos, que faz o melhor bolo do mundo e que não perde uma novela mexicana, além de acordar com o cantar do galo.

Tem também o primo mais velho que, quando criança, você pensa ser o amor da sua vida, mas depois de adolescente, percebe que devia estar louca na época. A prima que se assemelha à Barbie e não pára de falar sobre o mais novo namorado, ou a sua nova câmera digital... Justamente a mesma prima que você morreu de inveja, quando criança, porque ela ganhou uns maravilhosos patins do Papai Noel, e você, somente uma camiseta. Sem falar no primo que fez intercâmbio e voltou praticamente um lorde inglês.

Encanto-me com a diversidade das pessoas, considerando, principalmente, que são da mesma família. As características e funções são tão contraditórias: tem o tio que está no mesmo emprego há 30 anos, aquele que não gosta de trabalhar. Tem a tia que está sempre de regime e tem aquela que quer saber da vida de todo mundo. O tio que bagunça carinhosamente seu cabelo que levou horas para assentar. Ou no caso dos meninos, a brincadeira acaba com o gel do penteado da moda.

Hoje, as reuniões da minha família se tornaram mais raras, se comparado há alguns anos. Os primos seguem uma profissão, os tios mudam de casa, alguns vão para longe, outros que eram de longe retornam. Nada é mais como antes, mas não deixa de ser bom. As mudanças são freqüentes e o amanhã vira hoje, de forma inabalável, mesmo contra nossa vontade.

Fico feliz quando surge uma oportunidade de ver meus parentes. Acabo encontrando filhos de alguns primos e me recordo quando tínhamos a mesma idade. Vejo que meus avôs já não têm mais a mesma agilidade de antes, agora usam bengalas. Mas também percebo que muitas coisas não mudam, já que minhas tias ainda querem saber quando eu vou casar, mesmo não havendo um pretendente.

Percebo que minha mãe agiu bem ao condenar minhas bochechas à vermelhidão eterna, em conseqüência dos apertos doloridos, mas de carinho das tias. Afinal, essas experiências me concederam propriedade para perceber as mudanças ocorridas com meus familiares e que faço parte de suas vidas.

Estou ansiosa para que chegue o aniversário de uma das minhas avós. Ela vai fazer feijoada. Fiquei encarregada de levar um bolo, não é o melhor do mundo como o da minha avó, mas quem sabe para meus netos não serão?

Para marcar presença, terei talvez, que desligar o computador, deixar de assistir aquele filme, ou de ir a uma festa badalada. Mas sei, que mesmo indo sem aquela vontade, as cenas que me aguardam valem muito. Afinal o contato humano é fabuloso, mesmo quando é aquele abraço que quase quebra os ossos, concedido por um tio, ou o beijo melado de bala da caçulinha da família.



Quem é a colunista: Leiri.

O que faz: Jornalista e professora.

Pecado gastronômico: Todos os tipos de massas.

Melhor lugar do Brasil: São Paulo, cidade que não pára.

Fale com ela: leirileiri@yahoo.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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