Guia da Semana

Saúde mental

Há um ditado que diz que se nós nascessemos adolescentes, o mundo já teria acabado: quem levaria uma dessas "ferinhas" para casa?

Foto: Getty Images


Que adolescentes são em geral difíceis de lidar, todo mundo sabe. Tanto a escola quanto os vizinhos não se cansam de recordar aos pais que o jovem deve ter um problema de comportamento, toda vez que ele passa de um limite considerado tolerável pela maioria.

Os pais, que se acostumam com o jeito do filho desde seu nascimento e vão se adaptando às mudanças que o crescimento deles traz no dia a dia, muitas vezes acham esses avisos um exagero, uma falta de compreensão enorme e uma intolerância ímpar. Reconhecem até que em algumas ocasiões foram eles próprios os modelos desse comportamento irritadiço, dessa mania de desafiar o mundo que o filho apresenta. Mas lá no fundo, por tudo que ouvem e sofrem em casa, começam a suspeitar que realmente algo deve estar acontecendo com seu filho e que o seu problema de conduta já passou do limite, que está piorando, tomando um perfil muito difícil de lidar.

Mesmo assim, a decisão de procurar um profissional em geral é adiada, pois sempre há aquela tendência a se achar que com a idade passa...dá um "clic"...

Convenhamos que seja doloroso para os pais admitir que seu filho seja diferente dos outros jovens, mais briguento, encrenqueiro, desobediente, agressivo com os demais e consigo mesmo. Que tenha modos estranhos e relate pensamentos pouco comuns. Que tome atitudes inusitadas, que não suporte críticas e até brincadeiras. Que se isole, não tenha amigos, que chore muito e logo em seguida esteja feliz da vida...

Pode parecer até que esse comportamento começou agora, na adolescência, mas aos poucos, a família vai se recordando do quanto o seu garoto (ou garota) era um pré-escolar irrequieto, das queixas das professoras de que tinha dificuldade em prestar atenção, em controlar seus impulsos, tendo verdadeiros ataques de raiva por qualquer coisa. As notas na escola acompanhavam a gangorra do comportamento, do tipo "pavio curto": obediência nunca foi seu forte mesmo e quem conseguia que ele fizesse a lição completa?

Então, quase em segredo, mas com o coração aos pulos, os pais geralmente procuram a escola ou consultam um médico da família e muitos se surpreendem com a orientação que recebem de buscarem ajuda psiquiátrica.

É quase um mito essa história de que psiquiatra é médico de loucos e para chegar a essa consulta, muitos vagam de consultório em consultório de outras especialidades, menos atemorizantes e mais aceitas não só pela família, mas pelo adolescente também. Com isso, o tempo passa, o comportamento e o sofrimento do jovem e de sua família aumentam e o tratamento fica mais difícil.

Vivemos em um mundo sem barreiras: praticamente só existem as que nós mesmos colocamos. O que é que os vizinhos vão pensar e o que é que os amigos vão falar pouco importa, principalmente se temos sólidas e confiáveis orientações de profissionais da escola, da saúde, para levarmos nosso filho a uma consulta. Hoje existem terapias medicamentosas e não medicamentosas, que podem mudar totalmente a história de vida de um jovem e de sua família, levando-os a terem novamente a esperança de ver o seu filho se tornar uma pessoa equilibrada, produtiva e feliz.

Se você tem um problema desse tipo em casa, não espere seu filho crescer e piorar. "Clics" não acontecem e com saúde, especialmente a mental, não se brinca. Com certeza, uma boa escola será uma parceira valiosa  nesse tratamento, dando as mãos à família, fazendo sua parte e apoiando o jovem a seguir as orientações médicas.

Crianças excessivamente agitadas, violentas, impacientes e desatentas não são felizes. Com esse seu comportamento externalizado nos contam muito do que vai dentro de sua mente.

Manter um diálogo aberto com os filhos, ser um pai e uma mãe parceiros, ajuda a encontrar forças para achar a solução, que na grande maioria das vezes não está em casa, mas que precisa desse apoio para ser encontrada.

Quem é a colunista: Maria Irene Maluf - Especialista em Educação Especial e em Psicopedagogia; Membro Honorário da Associação Portuguesa de Psicopedagogos; Presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia- ABPp - gestão 2005/07; Organizadora de algumas publicações na área da psicopedagogia pela Vozes e WAK Editora; é colunista da revista Direcional Educador. Consultora de Publicações Científicas da ABPp e Editora da revista Psicopedagogia .

O que faz: Atende crianças e adolescentes com dificuldades e transtornos de aprendizagem em seu consultório de Psicopedagogia em São Paulo; Leciona como professora convidada no Curso de Aperfeiçoamento em Psicopedagogia do Instituto Sedes Sapientiae; Dá assessoria Psicopedagógica às escolas de ensino fundamental e médio, além de ministrar palestras, cursos e conferencias.

Pecado gastronômico: C H O C O L A T E !!!

Melhor lugar do mundo: Barcelona - Espanha. Mas, para esse lugar ser perfeito de verdade, é preciso estar lá e junto das pessoas que se ama .

Como falar com ela: irenemaluf@uol.com.br ou ligue (11) 3258-5715.

Atualizado em 6 Set 2011.

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