Guia da Semana

Sem medo de foto antiga!

Nem todo patinho feio vira um cisne, mas o tempo pode fazer milagres pela sua aparência

Foto: Stck.Xchng

Todo Natal alguma das minhas tias (tenho muitas, minhas reuniões de família parecem cenas do filme O casamento grego) resolve pegar sua caixa de fotos antigas e espalhar pelo chão da sala, para todo mundo dizer: "Uau, hein? O tempo foi bom pra você". O pior é que nem adianta ir ao banheiro ou pegar um suco. Alguém sempre grita: "Fulaaano! Vem aqui ver como você era!".

No caso dos meus parentes, era tudo culpa da moda. Existiam umas coisas que eu nem sei como as pessoas tiveram coragem de usar: calça saintro-peito, cabelo Chitãozinho, legging com camiseta dez números maior - iiih, essa está voltando, salvem-se! No meu caso, era pura síndrome de patinho feio. Usei aparelho por dez anos (sim, dez anos! A dentista dizia que podia fazer uma tese de mestrado inteira só com a minha boca), tinha espinhas no rosto e nas costas e, para variar, tinha cabelos encaracolados e rebeldes.

Um pequeno parêntese: tivesse nascido na época das calças saintro-peito, eu até que não seria tão deslocada: as pessoas costumavam fazer permanente nos cabelos. Quanto mais armado, melhor. Mas eu peguei bem a fase em que os cabeleireiros estrearam a chapinha. A partir de então, cabelo bonito era cabelo lambido. Felizmente, Gisele Bündchen e Sarah Jessica Parker estouraram mais tarde, aliviando a situação. Hoje, embora a ditadura das madeixas passadas a ferro continue - agora tem escova de todas as nacionalidades -, a coisa está mais light e ter caracóis não é mais motivo para descabelar-se, ou melhor: evitar descabelar-se.

Na época, eu morria de raiva daqueles filmes do Freddie Prinze Jr. (por onde ele anda?) em que tudo o que as meninas feias tinham de fazer para ficar bonitas era soltar o cabelo, tirar os óculos e passar batom. Ora, não era assim tão simples: eu era feia e pronto. E sempre tinha alguém para apontar minha feiúra.

Não há nada que justifique o bullying (ou como diz um amigo meu, o "bule"), mas dá até para entender as garotas que riam de mim e os garotos responsáveis pelos doloridos foras que eu levei. Eu era feia mesmo! E como! No começo, ver aquelas fotos no Natal me deixava triste pra burro. As tias escrachadas e escandalosas eram como o pessoal "enturmado" da carteira ao lado, rindo de mim. Eu só queria voltar para casa. As tias, claro, não entendiam nada e mandavam-me comer mais peru.

Mas a boa notícia é que as coisas mudam. Tirei o aparelho, descobri que as espinhas eram resultado de um pequeno desarranjo hormonal (comecei a tomar anticoncepcional antes de todas as minhas amigas, que morriam de inveja e imaginavam com quem é que eu estava transando: eu não contava por nada!) e descobri o creme para pentear, salvador de nove entre dez mulheres de cabelos cacheados. E o mais engraçado é que, quando estava na escola, morria de medo de soltar a juba: vivia de rabo de cavalo e levava pelo menos uns três elásticos na mochila. Eu achava que, se os meus amigos me vissem de cabelo solto, ia chover comparações com a Gal Costa ou com o Slash, do Guns n´ Roses (hoje, no Velvet Underground). Que nada. Foi só começar a soltar que todo mundo elogiou. Até meu amigo Rafael, que não deixa passar piada e que eu sempre achei que seria o primeiro a tirar sarro, me perguntou como eu pude usar cabelo preso por tantos anos.

Além disso, minha sala na faculdade é composta pelos antigos nerds desajustados. Estão todos muito bem, ninguém morreu porque não era cool. Qual não foi minha surpresa ao visitar uma menina superbonita que estuda comigo e ver, no mural de fotos dela, uma mocinha desengonçada de cabelo armado? Mas a maior surpresa mesmo foi receber um scrap no orkut de uma antiga gostosona do colégio, hoje meio caída: "Oi, eu sei que você vai ver meu nome ali, então tô escrevendo só pra dizer que eu visito o teu profile porque você mudou tanto... Tá diferente, tá bonita...". Viu só? Não virei nenhum cisne, mas ensinei o patinho feio a nadar.

E, daqui a alguns meses, vou me sentar com as tiazonas no chão da sala e rir mesmo. Não só rir da menina insegura que eu fui, mas, acima de tudo, rir para ela - como se eu pudesse avisar que ela ia gostar - e muito!- da mulher que seria no futuro.

Quem é a colunista: Marjorie, uma paulistana tipicamente apressada.

O que faz: Estudante de jornalismo e repórter da revista Pais e Filhos.

Pecado gastronômico: Qualquer coisa com chocolate.

Melhor lugar do Brasil: A minha cama.
Fale com ela: marjorie.rm@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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