Guia da Semana

Sem tempo para o lazer

As escolas fizeram certo em repor as aulas aos sábados, por causa do último recesso escolar que aconteceu em agosto?

Foto: Getty Images


Respondi por estes dias a uma pergunta enviada por uma mãe muito preocupada com a atitude tomada pela escola onde seus filhos, de 5 e 7 anos, estudam.Tal escola decidiu e vem adotando aulas também aos sábados, em caráter de reposição ao período perdido durante o recente recesso escolar de agosto.

Essa mãe dizia ainda que tal sobrecarga horária estava trazendo a sua filhinha mais nova uma enorme ansiedade, já que é a única ocasião em que pode ficar com os familiares. Na ocasião me perguntava se essa reposição de dias letivos, realizada como obrigatória, poderia ser mesmo apontada como possível razão de sua filha estar sempre chorosa e de não querer mais ir ao seu colégio, onde antes ia com tanta alegria.

Antes de mais nada, precisamos nos lembrar de que carga horária escolar diária e semanal, a que uma criança saudável pode e deve ser submetida, deve ser estipulada não só  de acordo com a sua faixa etária, mas com suas condições individuais de desenvolvimento cognitivo ou emocional e ajustável aos hábitos sociais e familiares, como a opção religiosa da família, por exemplo.

Mesmo o acréscimo eventual de algumas horas ou dias de aulas ao calendário, pode representar para um aluno da pré-escola, que normalmente já se sente muito exigido e com pouco tempo livre para o brincar, uma sobrecarga que poderá trazer consequências negativas para o seu aproveitamento escolar.

A reposição destes dias letivos perdidos recentemente por toda a população estudantil, deve ser realizada de maneira tanto mais suave quanto menor for o grau de escolaridade cursado pelo aluno. Na prática, isto seria reorganizar os horários de algumas atividades no próprio dia a dia, rever o calendário escolar no que se refere à suspensão de aulas previstas para provas, reuniões docentes, datas comemorativas, "pontes" e também os períodos de avaliações. Além do que, muitas escolas têm no seu plano anual alguns dias a mais de aula além do mínimo exigido legalmente.

As atividades programadas pelas escolas, fora do recinto escolar, no período que antecedeu ao último dia  17 de agosto, poderão ser computadas como dias letivos, caso atendam às normas vigentes sobre dia letivo e atividades escolares. Outras poderão ser programadas e incluídas na reformulação do calendário a ser homologado pelo respectivo órgão de supervisão.

Como os dirigentes de escolas sabem, o ainda vigente Decreto-Lei 1044/69, delibera que "considerando situações em que condições de saúde nem sempre permitem a frequência do educando à escola, na proporção mínima exigida em lei, embora se encontrando o aluno em condições de aprendizagem, determina como compensação da ausência às aulas, exercícios domiciliares com acompanhamento da escola, sempre que compatíveis com o seu estado de saúde e as possibilidades do estabelecimento".

E para terminar, se pensarmos na quantidade de dias e horas de aulas e não na qualidade do ensino, medida  essa inflexível e pouco aconselhada às escolas frente a uma questão que mobilizou não apenas o  nosso país mas o mundo, talvez esteja mais do que na hora de rever se são essas as escolas que de fato queremos para nossas crianças.

Quem é a colunista: Maria Irene Maluf - Especialista em Educação Especial e em Psicopedagogia; Membro Honorário da Associação Portuguesa de Psicopedagogos; Presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia- ABPp - gestão 2005/07; Organizadora de algumas publicações na área da psicopedagogia pela Vozes e WAK Editora; é colunista da revista Direcional Educador. Consultora de Publicações Científicas da ABPp e Editora da revista Psicopedagogia .

O que faz: Atende crianças e adolescentes com dificuldades e transtornos de aprendizagem em seu consultório de Psicopedagogia em São Paulo; Leciona como professora convidada no Curso de Aperfeiçoamento em Psicopedagogia do Instituto Sedes Sapientiae; Dá assessoria Psicopedagógica às escolas de ensino fundamental e médio, além de ministrar palestras, cursos e conferencias.

Pecado gastronômico: C H O C O L A T E !!!

Melhor lugar do mundo: Barcelona - Espanha. Mas, para esse lugar ser perfeito de verdade, é preciso estar lá e junto das pessoas que se ama .

Como falar com ela: irenemaluf@uol.com.br ou ligue (11) 3258-5715.

Atualizado em 6 Set 2011.

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