Guia da Semana

Ser ou não ser fã?

Ser fã de cantores, atores e jogadores de futebol é normal e saudável: desde que isso não tome conta da sua vida

Foto: Getty Images


Mês passado fui convidada para escrever uma matéria sobre fãs "fanáticas" para uma revista adolescente. Aceitei e comecei a correr atrás de algumas fontes. Claro que eram meninas apaixonadas por cantores, atores e jogares de futebol, tem de tudo nesse mundo e gosto também. Enfim, ouvi cada história que fiquei de cabelos em pé e com outras me emocionei.

Consultei alguns psicólogos e educadores para dar um suporte e deixar a matéria informativa sobre os graus de loucuras que essas teens fazem quando estão no ápice do ser fã. E o que eles me disseram é que, nessa fase, precisamos nos apaixonar por muitas coisas. E é isso o que acontece com o fã: apaixona-se pela imagem e não propriamente pelo ídolo em si. Quando escutei isso, fiquei pensando durante horas e comecei a analisar euzinha mesma quando era louca varrida pela banda Hanson. 

A primeira vez que eu vi o Hanson foi em 1997. Eu tinha 11 anos, nem dei muita bola, gostava das músicas, comprava os CDs e tal, mas, em 2000, quando eles vieram para o Brasil, eu já era mega apaixonada pelo Zac, o baterista. Eu era membro de fã-clubes, tinha amigas que eram fãs e que são minhas amigas até hoje. Muitas casaram, muitas deixaram de ser fãs e outras amam o Hanson até hoje como eu. Meu primeiro amor de verdade foi o Zac. Eu ficava ouvindo horas e vendo minhas pastas de pôsteres, revistas, entrevistas e tantas outras coisinhas. Queria gravar todos os programas de televisão, mas meus pais sempre ficavam de olho em mim para eu não esquecer o colégio e a minha vida social. Eu era super tranquila, conseguia separar a vida de fã com a minha vidinha normal. Mas meu passatempo era o Hanson, não tinha jeito.

O primeiro show do Hanson que eu assisti, eu tinha 14 anos. Como eu curti aquela noite! Fiquei 14 horas na fila para poder conseguir um bom lugar na pista. Não assisti ao show de pertinho, mas valeu cada segundo. Mas meu momento "eu e a banda" só aconteceu numa tarde de autógrafos em 2005, quando eu tinha 19 anos. Faltei na faculdade e fiquei na avenida Paulista horas em pé na FNAC. Nunca vou esquecer do meu CD sendo autografado por aqueles três meninos de cabelinho comprido, que naquela altura estavam casados e já eram pais. Guardo tudo na minha lembrança, e hoje eu sei como valeu a pena ter curtido a fase de ser fã sem ter esquecido da minha vida. Até hoje, eu aguardo o retorno do Hanson ao Brasil, ou então, quem sabe, quando eu for para os EUA, darei sorte de assistir meus ídolos novamente.
 

Vira e mexe eu sempre estou cercada desse ser "fã". Em um sábado de novembro, rolou um stand-up que o Marcelo Adnet fez em São Paulo em uma livraria. Me deparei com muitas fãs chorando por não terem conseguido a senha para assistir. Eu mesma era uma delas, mas não me descabelei. Tentei entrar como imprensa e uma fã chegou implorar para eu levá-la junto comigo. Nesse momento, muitas coisas se passaram na minha cabeça: eu a aconselhei para tentar outra vez, ou mesmo pagar o ingresso em outra apresentação que ele fosse fazer. Ela não iria morrer se não assistisse aquele dia. Ele está sempre fazendo apresentações. Ela se acalmou e aceitou meu conselho. E saí de lá pensando: "Não adianta, a emoção sempre será a mesma. Ser fã faz parte dessa idade. Ter alguém para admirar é quase uma necessidade do ser adolescente".

Confesso para vocês que, hoje, depois de adulta, não faria certas loucuras que fiz pelo Hanson e, muito menos, tatuar o nome deles como algumas de minhas entrevistadas fizeram. Posso garantir que essa fase é uma das melhores e que, se você estiver a fim de fazer, faça, mas faça com consciência, pois essa fase nunca mais voltará. Apenas ficará na sua lembrança para você relembrar, contar para alguém ou fazer como eu agora: contando como ser fã é gostoso, mas sempre com o pé no chão.


Leia as colunas anteriores de Joyce Müller:

Grande menina, pequena mulher

Ser independente é preciso

Novo começo

Quem é a colunista: Joyce Müller. Ama São Paulo. Uma jornalista por formação. Uma escritora por amor. Por esporte escreve crônicas. Gosta de tudo um pouco e adora misturar. Blogueira. Ama o mundo teen, coisas fofas e cuties.

O que faz: Sou Jornalista na área de beleza, saúde, cultura, decoração, teen e o que mais me permitirem falar.

Pecado Gastronômico: Doces ! Quindim e Brigadeiro de panela.

Melhor lugar do mundo: Minha casa e meu jardim. Sou uma Alice no meu país das maravilhas!

Fale com ela: joycinha.muller@hotmail.com, a siga também no twitter (@joymuller) ou acesse seu blog.

Atualizado em 6 Set 2011.

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