Sexo para menores

Com os hormônios à flor da pele, adolescentes iniciam a vida sexual muito mais cedo do que se imagina, ainda que sem liberdade e segurança

Última publicação: 31/07/2013

Engana-se quem acha que a burocracia impede os adolescentes menores de 18 anos de transar. Sem idade suficiente para dirigir e entrar no motel, eles acabam arrumando um jeitinho de extravasar os hormônios que, nessa idade, estão à flor da pele.

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Se o namoro é assumido, nada melhor do que levar o escolhido ou escolhida para casa e apresentar à família. Com a intimidade e a presença constante no ambiente doméstico, as oportunidades começam a surgir: basta um cochilo do pai no sofá ou a ida da mãe ao supermercado para o casal se trancar no quarto.

Em casa
Muitas famílias não sabem o que acontece dentro de casa, outras, fingem que não sabem. A falta de diálogo pode ter conseqüências desastrosas, como o que aconteceu com Anderson Grecco: "Na época, eu tinha 17 anos e a Débora, 16. Nós sempre transávamos na casa dela. Nos fins de semana eu ficava lá até de madrugada, quando todo mundo já estava dormindo".

 

Anderson: na pressa

Débora nunca contou para a mãe o que acontecia quando os dois ficavam vendo TV, mas às vezes, a dona da casa ia espiar: "A mãe dela subia a escada devagarzinho, pra gente não escutar. Por sorte, ela nunca pegou nada. Sempre tinha alguém em casa, por isso a gente fazia do jeito que dava", conta Anderson. Tanta pressa e medo de serem pegos em flagrante fez o casal não se prevenir e Débora engravidou. "Foi o fim, o pai dela queria que a gente casasse, mas eu não tinha estrutura. Nós continuamos a namorar até o nosso filho fazer um ano, depois não deu mais certo. Hoje, o Leonardo tem quatro anos", completa.

Na escola
Mas o que fazer para conter os impulsos da sexualidade em ambientes que não são propícios, como o colégio? A coordenadora do Departamento de Orientação Educacional do Colégio Bandeirantes, Maria Angela de Azevedo Antunes, explica: "Para evitar o namoro exagerado, nós temos dois tipos de orientação: a coletiva, que acontece na sala de aula e a individual. Nós explicamos para os alunos que o namoro exagerado é qualquer coisa que cause constrangimento a alguém. Nesses casos, qualquer pessoa pode falar com o casal, o inspetor, outros alunos, etc". Mas se nem depois da bronca os pombinhos tomarem jeito, o caso vai direto para Angela, que conversa com os dois envolvidos.

A família só é acionada quando o caso é muito grave, quando os alunos começam a matar aula juntos, por exemplo. Mas Angela afirma que o trabalho de orientação desenvolvido com os alunos é eficaz, pois a incidência de casos é pequena: "Neste semestre foram apenas dois casos, o que é pouco numa escola de 3 mil alunos".

No carro
Quanto mais cedo começarem a vida sexual, mais tempo os adolescentes vão sofrer por falta de lugar para praticá-la se não tiverem pais liberais. Marli Cardoso, gerente do Motel Classe A, diz que eles são rigorosos na fiscalização: "Nós sempre exigimos documento com foto, principalmente se o cliente se recusa a apresentá-lo ou diz que esqueceu. Se percebermos que é falsificado, ele não entra". O mesmo acontece nos drive-in consultados pela reportagem. O Drive-in Keto, por exemplo, segue a mesma conduta rigorosa do Motel Classe A.

Para não ter que apresentar documento na entrada, o jeito é se virar em lugares públicos. Alguns locais da região metropolitana já ficaram famosos como "namoródromos", lugares onde os amantes param o carro para curtir a dois. São eles: a Praça Pôr-do-Sol, em Pinheiros; o Bosque Maia, em Guarulhos e Riacho Grande, em São Bernardo do Campo. Mas se arriscar nesses lugares não deixa de ser uma aventura. Além da insegurança e da falta de privacidade, um menor de idade corre o risco de ser pego pela polícia sem carteira de motorista.

 

Lugares públicos: risco

Serviço:

Colégio Bandeirantes
Rua Estela, 268 - São Paulo
Telefone: 5087-3500

Motel Classe A
Rua Dianópolis, 801 - Móoca
Telefone: 6914-4437

Drive-in Keto
Rua do Lago, 434 - Ipiranga
Telefone: 5061-5137

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