Guia da Semana

Sim, eles podem jogar!

Os jogos de videogame, que são febre entre a garotada, ajudam a melhorar a atenção da criança



A cena é a mesma em quase toda casa com criança. Depois de chegar da escola, comer e fazer a lição, a tão esperada hora de jogar videogame chegou. Se engana quem pensa que os jogos eletrônicos podem fazer mal para os pequenos. Recentemente, uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais comprovou que esses games podem beneficiar a atenção sustentada, isso é, focada em um ou mais estímulos. Os resultados mostraram que as crianças "jogadoras" são mais rápidas em responder um exercício do que aquelas que nunca tiveram contato com os games.

A pesquisa não avaliou a influência dos jogos no comportamento, mas, segundo o psicólogo Romildo Ribeiro de Almeida, os jogos que têm muita agressividade e violência podem incitar a agressão e não são indicados, sobretudo, para os baixinhos ainda em fase latente, que vai até os 7 anos. "Nessa etapa, a criança ainda não sabe diferenciar a realidade da ficção e pode incorporar sentimentos e emoções dos personagens do jogo. O contexto psicológico é outro fator importante, porque o garoto que joga na casa que existe uma crise de família, como separação dos pais, por exemplo, pode estar buscando uma compensação no prazer de jogar, o que em si é prejudicial, já que pode gerar uma compulsão", explica.

Do ponto de vista fisiológico, o que acontece no cérebro é que os games estimulam as conexões sinapticas (junções que enviam sinais de um neurônio para outro) e por isso, podem ajudar a desenvolver a atenção, o raciocínio e dependendo do jogo, a criatividade também é estimulada. Para a advogada e mãe de dois meninos, Luci Glória Oliva Vinturini, o estudo realmente é verdadeiro. "Vejo isso no meu filho mais velho, que joga videogame desde os 5 anos. A atenção dele é uma coisa espantosa. Ele consegue se concentrar melhor, ouvir música, fazer a lição de casa e vai super bem na escola". 

Embora não seja pesquisador na área, André Penha, diretor da Tectoy Digital, diz que a atenção ao videogame é consequência da interatividade que a mídia requer. "Só se interage adequadamente com um jogo, especialmente os que demandam reflexos apurados, com um alto nível de atenção. Não há como vencer um game sem a interatividade adequada". Mas é bom lembrar que não é só o videogame traz isso: praticar esportes rápidos, como mountain bike, ou defender o time de futebol como goleiro também são ótimos exercícios de atenção.

É preciso ter limites



Mesmo com os benefícios que os games trazem para os baixinhos, é preciso impor limites para evitar a compulsão e dependência. "Eu coloco um tempo determinado, se não meus filhos se empolgam. Também evito deixar que eles brinquem à noite, porque deixa o sono agitado", explica Luci, que acertou na dosagem.

Até mesmo Bil Gates, dono da Microsoft, revelou em uma entrevista que não permite que seus filhos ultrapassem uma hora e meia por dia na frente do computador. É esse caminho que Almeida recomenda seguir: "penso que a criança deve ter disciplina e, de preferência, não jogar todos os dias, já que os games tem componentes que envolvem recompensa e prazer e isso é perigoso", alerta.

Atenção ao conteúdo

A presença dos pais é muito importante não só para colocar os limites de tempo, mas também para avaliar o conteúdo dos jogos. Sensação nas prateleiras das lojas, os jogos em primeira pessoa costumam exigir mais atenção do que games com movimentação em trilhos (com sequência linear, como o famoso Mário Bros). O único problema é que a maioria desses jogos é, normalmente, para jogadores que usam videogame várias horas por semana. "Eu os considero difíceis para marinheiros de primeira viagem, que devem preferir gêneros mais casuais. Além disso, eles não são recomendados para crianças, mesmo sendo febre entre elas", assegura André Penha.

Mas como evitar que os filhos joguem esses games mais pesados?  "Meu filho mais novo brincava com um jogo de luta livre. Eu percebi que ele estava ficando viciado naquilo e decidi diversificar. Com muita atenção, sentei com ele e fui dizendo porque ele não deveria jogar tanto aquele game. Hoje ele sabe separar as coisas", afirma Luci. Essa dica é uma das mais importantes para Almeida. Segundo o psicólogo, os pais não devem ter dúvidas em boicotar alguns tipos de jogos e desligar o computador, ou o vídeo game, quando a criança ultrapassar o tempo.

Confira alguns games que são recomendados para ajudar na atenção em reflexo, coordenação motora e visual, visão periférica e memória:

Academia do Saber: com temática mais infantil, esse jogo é um bom exercício para o cérebro. O jogador se transforma em um recruta da academia militar e tem o objetivo de desenvolver habilidades motoras e mentais. Disponível para Mega Drive 3.

Mind Match: jogo casual que combina treinamento de atenção, memória, reflexo, velocidade de raciocínio. Está disponível para celulares e à venda em todas as operadoras.

Outdoor Challange: É o primeiro game da série Active Life e oferece uma variedade de jogos intensos que empregam o corpo inteiro como controlador. Os jogadores podem competir em dezenas de eventos com diversos níveis diferentes como rafting, aventuras com vagões de transporte em minas, saltos, pular corda e muito mais. Disponível para Wii.

Braid: a mistura entre ação, manipulação do tempo e puzzles fazem do jogo uma história de herói que salva a princesa do castelo à moda do tão famoso Alex Kid. Disponível para download no Xbox Live.


Fotos: Getty Images

Atualizado em 6 Set 2011.

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