Talento precoce

DJs adolescentes dominam a noite paulistana e mostram talento em festas badaladas. Confira quem são as personalidades que estão despontando na cena eletrônica

Foto: Arquivo Pessoal

Aos 14 anos, Mayara Leme já comanda os toca-discos de grandes eventos, como o Spirit of London

Quando você pensa em um DJ, logo vem à cabeça a figura de uma pessoa mais velha, descolada, independente, que pode curtir a balada até a alta madrugada, certo? Mas ultimamente, não são somente os mais experientes que fazem a galera ferver nas pistas. Adolescentes têm mostrado que mandam bem nos picapes e que podem comandar o som de festas voltadas para públicos de todas as idades. É o caso da DJ Mayara Leme, que aos 14 anos toca em mais de dez locais por semana. Com um estilo próprio, ela conquistou os frequentadores não só de matinês de casas noturnas renomadas, mas também de eventos de peso, como o Spirit of London, um dos maiores festivais de música eletrônica do Brasil.

Hoje, com apenas um ano de carreira, Mayara carrega uma boa bagagem e já se apresentou ao lado de grandes nomes da cena eletrônica como Marcelo Sá, Rica Amaral, Surya Vega, Cleber Motta, entre outros. A jovem é residente em mais de cinco clubes paulistanos, como a Bantu, matinê da Zona Leste de São Paulo, e o Club A, em Moema. "Minha paixão é tocar. O que eu mais gosto é ver a galera agitando, sentir a vibe", anima-se. Mas para seguir seus sonhos, a teenager conta com a ajuda de sua mãe, que a acompanha em todos os lugares por causa da menoridade. Além disso, não é fácil conciliar a carreira com os estudos. "É corrido para mim, mas tento fazer os dois (estudar e tocar)".

Yuri Engel, 17 anos, também arrasa nos picapes de baladas descoladas em São Paulo. Desde cedo, convive com esse universo, já que seu pai também é DJ. "Eu sempre o vi em casa e sempre tive vontade de aprender a tocar por curiosidade mesmo", diz. Todo domingo, ela discoteca no Frey Café, na agitada rua Frei Caneca. Além disso, já marcou presença em festas voltadas para os modernos, como o Halloween Trash 2009, que aconteceu em outubro na The Week. Segundo Yuri, a galera adulta se anima mais com o seu som do que os mais jovens. "O público fica mais empolgado por eu ser nova. A resposta do pessoal mais velho é mais positiva do que a do público da minha idade", revela.

Foto: Arquivo Pessoal

Yuri Engel no Frey café, onde toca aos finais de semana

Sets turbinados

Assim como Mayara, ela também curte muita música eletrônica. "Eu gosto de tocar house, electro house e tribal. Mas o repertório só escolho na hora mesmo, de acordo com o público. Eu tento adaptar as coisas que eu gosto ao estilo da casa. É só na hora que dá para sentir se as pessoas gostam das músicas", explica. Além de se divertir com os picapes, Yuri já consegue ganhar a própria grana com o trabalho de DJ. "Já ganhei 150 reais por uma hora, mas depende muito do lugar", conta. Ela diz que pretende continuar nessa área, mas deseja entrar na faculdade de cinema para ter uma segunda opção. "Eu quero trabalhar como DJ em primeiro lugar, mas o cinema também é uma coisa que eu sempre gostei, como uma parte mais introspectiva".

Há menos de um ano, Helder Werneck, 19 anos, conhecido como DJ HDR,  também começou a fazer o som de diversas festas. Incentivado pelo seu primo que já toca há dois anos, ele fez um curso, estabeleceu alguns contatos e passou a apresentar seu set em aniversários, casamentos e baladinhas. Com um repertório voltado para o electro house, Helder já agitou as pistas do Hype Club, na Vila Olímpia, e vai tocar na ConnecTeen, que acontecerá em dezembro no Playcenter, em São Paulo. Com os cachês dos eventos e com a ajuda dos pais conseguiu comprar equipamentos de qualidade. "Toco pelo menos três vezes por mês. O cachê varia de 300 a 500 reais por noite. Com o dinheiro das festas, invisto em aparelhagem e lazer", diz.

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Helder Werneck, 19 anos, que toca música eletrônica em festas e nas baladas teen

Iniciantes

Para quem está começando, os DJs teens indicam as mídias sociais como ponto de partida para divulgação do trabalho. "Um conselho é divulgar bastante na Internet e criar uma personalidade. A partir daí, tentar se relacionar e ir a matinês, para tentar conversar com a organização", recomenda Yuri. Além disso, bons contatos sempre auxiliam quem quer começar a discotecar em casas noturnas e em festas badaladas. "O principal é estar bem relacionado, pois daí que vão surgir os convites. Há muitos DJs que são bons, mas que não conseguem tocar em nenhum lugar. Não adianta ser bom e ninguém saber que você existe", alerta.

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