Guia da Semana

Tirando dúvidas

O que é dislexia? E o quanto ela pode prejudicar o aprendizado dos pequenos?

Foto: Sxc.Hu


A dislexia é um dos principais problemas de aprendizagem que as crianças podem apresentar logo após a fase inicial de alfabetização, nos três primeiros anos do Ensino Fundamental. Se não for devidamente cuidada, permanecerá prejudicando cada vez mais o desenvolvimento acadêmico.

É caracterizada pela enorme dificuldade em superar as fases iniciais do aprendizado de leitura e escrita, de modo que a criança passa gradativamente a não acompanhar as novas conquistas escolares de seus colegas de classe, apesar de ser inteligente, não ter problemas sensoriais ou perceptuais, ter maturidade adequada à idade cronológica e ter recebido escolarização de qualidade similar a de seus pares.

Estudos científicos recentes realizados em diferentes países comprovam que a dislexia tem origem congênita e íntima relação com algumas áreas específicas do córtex cerebral humano, as quais são responsáveis pela capacidade da aprendizagem da fala, da leitura e da escrita.

Os sintomas mais aparentes da dislexia se revelam na leitura e na escrita, onde se verificam troca de letras, inversões, omissões, fragmentação de palavras, além de caligrafia bastante irregular, com muitos erros ortográficos. Frequentemente, os disléxicos leem em voz alta de forma entrecortada, trocam o final de algumas palavras e não compreendem o que estão lendo.

Mostram-se distraídos e cansados com facilidade durante as atividades escolares, pois o esforço que fazem para ler e escrever é tanto, que não lhes permite manter a concentração na tarefa pelo mesmo tempo que seus colegas de classe. Como demoram muito para fazer suas lições e avaliações, acabam por precisar de mais tempo para essas atividades. Saem-se muito melhor em provas orais do que nas escritas.

Como um transtorno de aprendizagem, a dislexia afeta o comportamento de seus portadores, o que os leva a ser muitas vezes negligentes, desinteressados, distraídos, irreverentes, incapazes e, por isso, não é raro serem vítimas de brincadeiras. Assim, desenvolvem um autoconceito muito baixo, o que os deixa realmente desmotivados, depressivos e com comportamentos regressivos frequentes (enurese noturna, por exemplo) e, ainda, com problemas de origem psicossomática (como insônia).Tudo isso acaba levando, por si só, a um baixo rendimento escolar, que unido às reais dificuldades de leitura, compreensão e escrita nas diferentes áreas do saber, gera condições cada vez menos propícias à aprendizagem, à socialização e prejudica desde cedo as possibilidades de bom desempenho na vida profissional.

Tais sintomas acarretam um rendimento escolar abaixo da capacidade da criança e um sentimento de baixa autoestima, que leva à frustração, ao desânimo, à perda de motivação e do interesse pelos estudos, além de problemas de relacionamento social, depressões, entre outros.

Disléxicos também podem ser crianças criativas, curiosas e intuitivas. Dificilmente controlam a passagem do tempo, têm dificuldade para aprender a ler as horas, fazer troco com dinheiro, amarrar os cordões de seus tênis, entender sequências. Memorizar a tabuada é um desafio enorme e precisa de apoio visual para aprender por muito mais tempo que seus iguais.

A grande dificuldade em se detectar a presença da dislexia consiste no fato de seus sintomas se apresentarem em diferentes graus e intensidade. Por isso, se há alguma suspeita de que a criança pode ser disléxica é importante que ela seja submetida o mais precocemente possível a um diagnóstico psicopedagógico e neurológico. Só assim será possível orientar a família e a escola, além de intervir de modo individual e eficaz nesses sintomas, para ajudar a criança disléxica a vencer suas dificuldades escolares.

Quem é a colunista: Maria Irene Maluf - Especialista em Educação Especial e em Psicopedagogia; Membro Honorário da Associação Portuguesa de Psicopedagogos; Presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia- ABPp - gestão 2005/07; Organizadora de algumas publicações na área da psicopedagogia pela Vozes e WAK Editora; é colunista da revista Direcional Educador. Consultora de Publicações Científicas da ABPp e Editora da revista Psicopedagogia .

O que faz: Atende crianças e adolescentes com dificuldades e transtornos de aprendizagem em seu consultório de Psicopedagogia em São Paulo; Leciona como professora convidada no Curso de Aperfeiçoamento em Psicopedagogia do Instituto Sedes Sapientiae; Dá assessoria Psicopedagógica às escolas de ensino fundamental e médio, além de ministrar palestras, cursos e conferencias.

Pecado gastronômico: C H O C O L A T E !!!

Melhor lugar do mundo: Barcelona - Espanha. Mas, para esse lugar ser perfeito de verdade, é preciso estar lá e junto das pessoas que se ama .

Como falar com ela: irenemaluf@uol.com.br ou ligue (11) 3258-5715.

Atualizado em 6 Set 2011.

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