Guia da Semana

Um estranho no ninho

Conviver com "irmãos" de outros casamentos não é tarefa fácil para quem estava acostumado com os mimos de pai e mãe

Foto: Getty Images


Depois de anos acostumado ao cenário familiar, recebendo o carinho dos pais, de repente, sem ao menos saber de nada, tem que encarar a separação deles. Um tempo depois, após seus pais começarem outras relações, você se vê obrigado a dividir o quarto com um desconhecido, filho do novo conjugê. O que fazer nessa hora? Com o número crescente de divórcios no Brasil, esse enredo vem se tornando cada dia mais comum para milhares de jovens.

É cama para um lado, menos espaço no guarda roupa, luz acesa enquanto dorme, música alta quando precisa estudar, tudo culmina para que o adolescente perca de vez a paciência e o convívio com o "novo" irmão seja cada vez mais difícil. Além de aceitar a ideia de que seu pai ou mãe passará a conviver com uma outra pessoa, é preciso dividir o espaço com alguém que você ao menos conhece direito.

Quebra cabeça

Há tempos as famílias eram sinônimo de pai, mãe e filhos, mas esse cenário mudou. É cada vez mais normal encontrar nos lares brasileiros as chamadas famílias-mosaico, com espaço para as mais diferentes formações. Frases do tipo "Este é o marido da minha mãe", "Ele é meu meio-irmão", são comuns entre os jovens que a cada dia se adaptam ao novo estilo de vida e o principal, aos novos irmãos que chegam com essa mistura.

Nesse momento é que surgem as complicações. Ao levar os filhos de outros casamentos para morar junto com os novos parceiros, muitos pais não se dão conta que os jovens possuem sua liberdade invadida e isso pode resultar em uma tremenda dor de cabeça. "Os problemas podem até refletir no relacionamento dos pais. Eles podem confundir as dificuldades no trato com os enteados e é necessário muito diálogo para que não aconteça. Os jovens conseguem entender essas mudanças, mas a palavra do pai e da mãe sempre conforta e esclarece", aconselha a filósofa e educadora Antoniele Fagundes.

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Divisão

O caso de Amanda Oliveira, 17, que se viu dividindo o quarto com sua nova irmã Luana, 12, é típico. A jovem ainda está se adaptando com o fato de não ser a única e precisou se adequar a novos costumes, já que morava com o pai, que há dois anos, encontrou uma nova esposa. "Eu tinha minha liberdade e precisei abrir mão de muita coisa. No começo foi difícil, mas nos damos bem e eu a ajudo com coisas da escola e tudo mais. Coisas que eu já passei. Prefiro ver meu pai feliz do que ser egoísta.", afirma a jovem.

De acordo com a psicopedagoga Cláudia Razuk, o convívio de todos antes de fazer uma mudança radical é fundamental para que não ocorram problemas futuros. "Se nem mesmo o casamento começa de uma hora para outra, por que  a convivência entre os filhos deverá começar assim? Antes de oficializar a união, o ideal é proporcionar momentos juntos como almoços em restaurantes, jantares em casa de um e de outro, passeios. A própria convivência mostrará os caminhos a seguir e o momento certo de tomar uma decisão definitiva", aconselha.

Caso do acaso

Na casa de Patrícia Souza, 16, a situação é um pouco diferente. Ainda se adaptando aos novos irmãos, as coisas por lá são diferentes. A mãe acaba de juntar as escovas com o padrasto que tem dois filhos, Caíque, 8, e Pedro Henrique, 4, que passam os finais de semana com o pai. "É difícil às vezes. Quando chega o final de semana, que é o dia em que posso fazer minhas coisas, preciso dar atenção para eles, ficar brincando. Eu adoro os dois, mas sinto falta de fazer minhas coisas em casa", lamenta.

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De acordo com Antoniele Fagundes em qualquer idade, sejam os filhos crianças ou adolescentes, é necessário explicar que o amor do pai e da mãe não irá diminuir. "Essa divisão não é matemática. Não significa diminuir a atenção dedicada. É preciso ser sincero e expor quando os pais começam a namorar outra pessoa. Apresentar a pessoa ao filho favorece o bom convívio e quando surgir a decisão de casar haverá mais intimidade, sem sustos".

É só meu!

Um assunto tabu no momento da união dos novos familiares é o quarto. Acostumados em manter suas particularidades e, muitas vezes, não precisar dividir o espaço com mais ninguém, ver que aquele canto está sendo "invadido" não é uma das melhores experiências. Ao dividir o dormitório, o jovem sente que sua liberdade foi invadida e em muitos casos não enxerga nada de positivo nisso. "Esta não é uma situação fácil. O ideal seria cada um ter o seu quarto, mas caso isso não seja possível, deverão ter espaço para guardar seus objetos e pertences em separado, pelo menos no início", afirma Cláudia Razuk.

Outro fator é quando o filho natural demonstra ciúme diante um entrosamento entre o seu pai e o novo morador. "Os pais devem administrar muito bem isso. Tentar dosar a atenção. Dedicar momentos de atenção em grupo e individual, mas que todos sejam escutados e exaltados pelas qualidades que possuem. Ter regras claras e entendidas por todos. Também é importante, deixar os filhos participarem nas decisões das regras da casa, afinal eles moram alí", propõe a educadora Antoniele Fagundes.

Atualizado em 6 Set 2011.

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